Crítica | Nimona – Último Projeto da BlueSky estreia na Netflix e é uma Grande SURPRESA

Você lembra da Blue Sky? Era o braço que produzia filmes de animação na finada 20th Century Fox, empresa que foi aglutinada à corporação dos estúdios Disney e que foi responsável, dentre outros, pela realização de sucessos como ‘Rio’ e ‘O Touro Ferdinando’. Porém, desde que houve o anúncio da venda da Fox, muitos projetos acabaram sendo engavetados, cancelados ou simplesmente transferidos para outras soluções, uma vez que, com a compra, a Disney acabou optando por não levar para sua plataforma tudo o que estava em andamento. Foi o caso da animação ‘Nimona’, o último projeto da Blue Sky que acabou sendo interrompido e, posteriormente, foi desmembrado e reposicionado por suas produtoras investidoras. Agora, depois de tanto tempo, finalmente o longa de animação ganhou seu espaço com o público, através da Netflix, que, silenciosamente, lançou o filme em sua plataforma.

Ballister Coração Bravo (na voz original de Riz Ahmed) está prestes a se tornar escudeiro do reino de fulano. Ele será o primeiro plebeu a ocupar o posto, pois as regras são de que apenas os herdeiros diretos de Gloreth, fundadora da cidade, tem o dever e a honra de proteger a população. No ato de sua nomeação como protetor, um acidente ocorre e Ballister acaba sendo visto como criminoso e desertor. Anos se passam com Ballister vivendo no exílio, até que, certo dia, ele recebe a misteriosa visita de Nimona (Chloë Grace Moretz), uma jovem espevitada e que vê nele a sua chance de provar para a sociedade que os vilões também têm sentimentos. Acontece que Ballister não se vê como vilão e quer provar sua inocência, especialmente diante de Ambrosius Ouropelvis (Eugene Lee Yang), seu amor. Dessa parceria inusitada, muitas verdades acabarão vindo à tona, o que impactará no reino como um todo.

Misturando diversas técnicas de desenho – dentre colagem, 2D, 3D, entre outros – ‘Nimona’ é surpreendente, mas, ao mesmo tempo, é um filme muito doido. Baseado na HQ homônima de Nate Stevenson, a história inicialmente parece sem pé nem cabeça, pois mistura cavaleiros medievais num tempo futurista inseridos numa trama que envolve contos de fada, metamorfos e, de quebra, ainda é inclusiva, uma vez que o protagonista é gay e amputado – sendo ambas as características tratadas com muito respeito pelo roteiro.

Ainda assim, 2/3 do filme passam uma sensação de que a coisa toda é uma grande despedida sem sentido da equipe da Blue Sky, que, sei lá, sabendo que iam ser demitidos, parecem ter chutado o balde. Não são poucas as cenas e as falas que surpreendem pela “sinceridade” dos personagens, mesmo para um projeto independente. A protagonista Nimona, por exemplo, não tem nenhum filtro nem empatia ao jogar verdades na cara dos personagens e em ter um particular gosto pelo caos, além de se transformar em vários animais com o intuito declarado de destruir tudo, deixando tanto o espectador quanto seu co-protagonista Ballister de sobrancelhas arqueadas.

‘Nimona’ tem um quê de ‘Shrek’ com ‘Como Treinar Seu Dragão’ e ‘Wolfwalkers’. É fofo, levemente punk rock, sem noção e, quando você menos espera, te dá uma rasteira e arranca lágrimas dos seus olhos. Uma despedida melancólica que mostra todo o potencial de um estúdio e de seus profissionais que vão deixar saudades pelo dom de trazer algo de diferente no mundo um tanto homogeneizado das animações.

Notícias

Lea Michele retornará como Rachel Berry no reboot de ‘Glee’

De acordo com o Variety, Lea Michele ('Scream Queens')...

‘Young Sheldon’: Iain Armitage revela que ficou FELIZ com o fim da série

Iain Armitage, intérprete do jovem Sheldon Cooper na série...
Janda Montenegro
Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.