Crítica | O Homem Cordial – Paulo Miklos Vive a Cultura do Cancelamento em Thriller Social Brasileiro

Vivemos tempos em que as pessoas primeiro são julgadas, para depois os fatos do ocorrido virem à tona. Com tanta fake news rolando e todo mundo munido do próprio celular como veículo tanto de proteção quanto de denúncia, a edição daquilo que chega às redes se torna fundamental para defender ou acusar uma ideia ou uma pessoa. E, uma vez que o material chega na internet, é praticamente impossível reverter a situação, especialmente quando os envolvidos são pessoas famosas, e esse é o mote do novo filme brasileiro, ‘O Homem Cordial’, que estreia no circuito essa semana.

Aurélio (Paulo Miklos) é vocalista de uma famosa banda de rock que fez muito sucesso no passado. Na noite de retorno de sua banda aos palcos, um vídeo viraliza na internet, mostrando um suposto envolvimento dele na morte de um policial militar. Ninguém sabe o que de fato aconteceu, mas o astro passa a ser cancelado nas redes e se torna alvo de grupos radicais, que passam a persegui-lo por toda São Paulo. Aurélio, então, se vê inserido em uma tensa e violenta situação, tentando sobreviver sem ter feito nada de errado, e, ao mesmo tempo, tentando fazer com que as pessoas enxerguem a verdade. Nessa jornada, encontrará Helena (Dandara de Morais), uma jovem jornalista determinada a descobrir o que realmente aconteceu e que busca o paradeiro do jovem menor de idade desaparecido, também envolvido no episódio.

Com menos de uma hora e meia de duração ‘O Homem Cordial’ é um thriller que se aprofunda no drama sentido pelo seu protagonista para refletir uma realidade cada vez mais comum às pessoas conectadas às redes: o risco de ser cancelado virtualmente por algo dito ou feito, que, recortado e tirado do contexto, faz parecer algo que não é – e, nesses casos, a defesa se torna dificílima, uma vez que praticamente tudo o que fazemos está vinculado às nossas redes sociais. No caso do protagonista vocalista de uma banda, o vídeo viralizado resulta em cancelamentos de contratos, perda de patrocínios, desmarcação de shows e, obviamente, para um artista, tudo isso impactaria em queda económica e o fim de uma carreira pública.

Através desse conceito, o roteiro de Pablo Stoll e Iberê Carvalho desenvolve para uma abrangência maior, alcançando as camadas sociais que dividem os indivíduos dentro de uma cidade cosmopolita como São Paulo. A edição de Iberê Carvalho é constante nos 80 minutos de filme, entretanto, até cerca de metade do segundo ato a câmera fecha em muitos closes no rosto do protagonista, o que causa estranhamento pelo seu excesso de recorrência, especialmente em cenas com outros personagens, em que diálogos ocorrem mas não vemos quem está falando ou com quem se está falando, o que ocasiona em perda de informações ao espectador. Exemplo disso é quando um personagem acusa um policial de não estar com o seu nome identificado no uniforme, mas a câmera não mostra isso pra gente, apenas o faz umas três cenas depois, quando a tensão do momento já passou e já estamos em outro situação.

O Homem Cordial’ acende o alerta para os perigos que o julgamento prévio dos recortes da internet causa na vida real das pessoas. Para o bem ou para o mal envolver-se com os outros traz suas consequências, e estas não são as mesmas dependendo de que se quem é na sociedade. Um filme reflexivo sobre os impactos da branquitude, que rendeu a Paulinho Miklos o prêmio de Melhor Ator no Festival de Gramado.

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