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Crítica | ‘Obi-Wan Kenobi’- Roteiro compromete e série que não justifica sua existência DECEPCIONA

Se tem uma produção que sempre foi muito aguardada pelos fãs foi a série do Obi-Wan Kenobi. Seja pelo amor ao personagem ou pelo amor ao seu intérprete, Ewan McGregor, todos os fãs sabiam que era apenas questão de tempo para que a produção ganhasse sinal verde no Disney+. E com essa leva de séries ambientadas no universo Star Wars, o projeto saiu do papel e ocupou as televisões de milhões de pessoas pelo mundo nas últimas semanas.

A premissa era aquela que todos esperavam: explorar o período entre as duas primeiras trilogias, no qual Kenobi ficou protegendo o jovem Luke Skywalker à distância em Tatooine. Dentre algumas mexidas no cânone e a falta de inspiração da equipe de roteiro, a série conseguiu ter alguns momentos bons, mas acabou chegando ao fim sem justificar o porquê de ter sido aprovada.


Vamos começar falando sobre os pontos negativos. O principal deles é o roteiro, que não sabe o que fazer com os personagens que introduziu e sequer fazem ideia de como explorar seu protagonista de forma minimamente interessante ao longo de seis episódios.

O maior exemplo disso é a Princesa Leia. A personagem é boa demais, e o pessoal do casting acertou em cheio na escolha da atriz mirim. O problema é que na metade da série, eles já não sabiam mais o que fazer com ela. Então, começaram a deixá-la de lado ou colocá-la para resolver situações que a deixassem fora de tela. Isso é roteiro preguiçoso.


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A premissa de ter um Obi-Wan descrente dA Força é simplesmente fantástica, mas não adianta jogar isso na tela e não desenvolver. Na série, ele chega ao último episódio acreditando novamente nA Força sem trabalhar bem essa recuperação da esperança. A trilogia original, que foi pensada como uma fantasia infantil com uma trama política ao fundo soube trabalhar esses pontos de forma magnífica. A série parece não ter entendido muito bem o contexto em que está inserida e encontra soluções muito fáceis para os problemas de uma das pessoas mais procuradas da galáxia.

Os vilões também são extremamente mal escritos. Tirando a Reva, que tem um destaque maior, os outros “irmãos” vêm e vão sem que o público tenha a menor simpatia ou antipatia por eles. Se eles não estivessem ali, ninguém sentiria falta.

Outro ponto que falamos sobre nas análises semanais são as duas conveniências cansativas dos episódios. Tudo bem que é canônico, mas o Tanque de Bacta sendo usado sempre é narrativamente terrível, porque tira o peso de todas as outras mortes da saga. Usá-lo sempre em filmes e séries é um tiro no pé. A outra conveniência atende por Darth Vader. Toda vez que ele estava prestes a concluir sua vingança, ele abria mão e deixava o rival fugir. A própria série diz que isso é um tipo de arrogância dele, que queria enfrentar Kenobi em seu auge. Ok, mas deixar o cara escapar sempre deixa de ser arrogância e passa a ser incômodo.

Outro ponto que deixou a desejar foi a maquiagem. Star Wars tem um histórico de excelência nas maquiagens, que criam personagens e auxiliam nos belos efeitos práticos. No entanto, na série, o visual e a maquiagem dos vilões comprometeu muito na hora de fazer deles personagens sérios.

O trabalho ficou ruim, principalmente se levar em consideração que as raças dos Inquisidores já haviam aparecido em filmes da franquia e com um trabalho de maquiagem infinitamente superior.

Da mesma forma, o departamento de CGI ficou abaixo do padrão da saga, até mesmo para os padrões televisivos que o Disney+ estabeleceu com The Mandalorian.

Finalizando as críticas negativas,  a direção de Deborah Chow consegue ser segura em vários momentos. Em outros, porém, foi digna de pena. Claro que foi piorado pelo roteiro fraquíssimo, mas as cenas de perseguição e fuga envolvendo a Leia foram vergonhosos. Havia a possibilidade de fazer essas cenas de forma que não parecessem sequências de um filme dos Trapalhões, mas ela acabou optando por ângulos e enquadramentos que só explicitavam a ruindade da trama.

Sobre os pontos positivos, a dedicação de Ewan McGregor, que é extremamente apaixonado por seu personagem, é fantástica de ver em tela. Ele dá tudo de si e está super confortável como Obi-Wan Kenobi.

As cenas em que ele interage e tenta dar um pouco de desenvolvimento para a pequena Leia são muito boas e destoam do resto da série.

Da mesma forma, por mais frustrante que seja em alguns momentos, a presença de Darth Vader é sempre maravilhosa. O vilão é imponente, ameaçador e rouba a cena a todo momento que entra na sala.

As lutas entre os dois também empolgam bastante. Inclusive, é o duelo final entre mestre e aprendiz que eleva o nível do último episódio.

No fim das contas, fica a sensação de que a série foi feita exclusivamente para explicar o motivo do Obi-Wan ter dito a Luke, em Uma Nova Esperança (1974), que “seu pai morreu”. Ao mesmo tempo, a série não tem coragem – ou criatividade – o bastante para deixar que seus personagens se desenvolvam – vide a Reva, que não foi permitida ser nem vilã, nem herói e nem anti-herói. Em outras palavras: a série sai de nada, vai para lugar nenhum e parece ter sido escrita por algum membro da comunidade de fanfics da saga. É uma tristeza dizer isso, porque era uma série de potencial enorme que não entendeu seu próprio tamanho, sua própria relevância. Já é a segunda produção consecutiva de Star Wars em live action que o Disney+ lança com esse problema. Se mantiverem esse padrão, as séries vão conseguir algo que parecia muito difícil há pouco tempo: saturar Star Wars.

Obi-Wan Kenobi está disponível no Disney+.

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