Crítica | ‘Pobres Criaturas’ – HORROR de Yorgos Lanthimos Pode Render Segundo Oscar à Emma Stone

Uma das coisas mais legais de participar de um festival como o Festival do Rio 2023 é a oportunidade de ver antecipadamente a filmes que os cinéfilos ficam aguardando o ano inteiro. E há algo de especial em ver ‘Pobres Criaturas’ no cinema, uma vez que o cinema é uma experiência individual e também coletiva. Por isso, assistir ‘Pobres Criaturas’ na grande tela em uma sala lotada dentro de um festival é potencializar essa experiência individual e coletiva, pois é desses filmes em que ninguém tem a mesma percepção ao final da projeção, e todo mundo sai impactado ao fim.

No final do século XIX, o jovem estudante Max (Ramy Youssef) fica fascinado com as aulas de anatomia do doutor Godwin Baxter (Willem Dafoe). Ele consegue uma vaga como assistente dentro da casa do professor, onde conhece a filha adotiva do doutor, Bella Baxter (Emma Stone). Imediatamente o jovem fica deslumbrado, mas percebe que há algo de estranho: Bella tem corpo de adulto, mas age como uma criança. Aos poucos Max percebe que um experimento científico bizarro foi executado por God no corpo de Bella. Mesmo assim, sua paixão só aumenta, e ele decide se casar com a jovem. Bella aceita o casamento, mas antes quer conhecer o mundo, ao lado do misterioso advogado Duncan Wedderburn (Mark Ruffalo). Pela primeira vez do lado de fora de sua casa, Bella irá experimentar as coisas boas e ruins de um mundo que ela não conhece.

Yorgos Lanthimos constrói uma verdadeira fábula do horror com sua estética e sua técnica conhecidas pelos seus fãs, alternando a lente da câmera para cenas de fuga, (através de uma lente olho de peixe), ou alternando as imagens em cores e em preto e branco para contrastar o aspecto de vida versus morte do universo de sua protagonista – razão pela qual mesmo quando ela não está presente as cenas permanecem coloridas, pois são os sentimentos dela que ditam sua perspectiva de mundo ao espectador. E como sabe filmar cenas em preto e branco o Yorgos Lanthimos, reforçando a iluminação ao máximo para que as cenas fiquem deslumbrantemente escuras na telona!

O elaboradíssimo roteiro de Tony McNamara e Alasdair Gray é uma aula narrativa que costura diversas camadas, profundas e também superficiais, que isoladamente ou misturadas podem promover distintas interpretações em quem assiste, abrindo possibilidades para uma leitura psicológica, social, fisiológica, etc. Para além da história bem escrita, é uma beleza de tirar o fôlego o polimento dos personagens, a forma como eles vão se desenvolvendo na tela, despindo-se de suas máscaras sociais em diálogos afiadíssimos que provocam riso e constrangimento na medida certa para instigar o espectador: nada, absolutamente nada neste filme está ali por acaso. O único porém talvez seja o terceiro arco da trama, que se prolonga por quinze minutos a mais do necessário, construindo uma crônica de um ambiente que poderia ser enxugado, uma vez que o filme tem duas horas e vinte de duração.

É absurdo ver a evolução interpretativa de Emma Stone em ‘Pobres Criaturas’, de uma criança que mal anda e mal fala para uma personagem absolutamente adorável em sua ingenuidade social – o que lhe rendeu uma segunda indicação ao Oscar com reais chances de ganhar. Aliás, o filme todo pode receber uma meia dúzia de indicações, pois não são poucos os departamentos que primaram pela excelência neste projeto.

Pobres Criaturas’ já estreia como um clássico do cinema contemporâneo, uma crítica irônica e afiada à sociedade machista e patriarcal a partir de uma releitura emancipativa de “o médico e o monstro”. Desses filmes que cada vez que se revê, se vê um filme diferente. Excelente!

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