O universo juvenil não é flores todos os dias. Crescemos achando que todas as crianças e adolescentes são felizes o tempo todo, mas não é bem assim. Atentos a isso, muitos escritores e cineastas têm buscado jogar luz nos dramas enfrentados por esses jovens que muitas vezes são obrigados a ter que lidar com adversidades da vida que encurtam a própria juventude. Exatamente como pode ser visto em ‘Quase uma Rockstar’, novo filme da Netflix.

Amber Appleton (Auli’i Cravalho) é uma jovem que se esforça MUITO pra fazer as coisas. Ela trabalha numa loja de donuts, dá aulas de inglês para estrangeiros (que pagam o quanto podem), é voluntária num lar para idosos, organiza os eventos sociais da escola, ajuda no café da manhã do colega especial…. é tanta coisa, que ela mal tem tempo para dormir. Aliás, Amber mal tem onde dormir, porque, na verdade, ela e a mãe (Justina Machado) foram despejadas e dormem todas as noites em um ônibus escolar. E, embora Amber faça tanto por todos e por sua comunidade, a verdade é que sua vida pessoal está desmoronando e ela não consegue ver perspectiva de como conseguir dar a volta por cima.


Baseado no livro homônimo do best-seller Matthew Quick (que também colaborou no roteiro), o filme tem uma roupagem de comédia romântica adolescente – com seu título, seu pôster e por trazer a queridinha Auli’i Cravalho como protagonista (que fez sucesso mundial ao dublar e cantar a voz de ‘Moana’, sucesso da Disney) –, mas como pode ser visto pela sinopse, é um drama bem impactante que evidencia uma realidade cruel que muitos jovens precisam enfrentar – mais particularmente nos Estados Unidos, onde se passa a história e as leis dão mais responsabilidades a adolescentes com dezesseis anos, porém onde o bem-estar dos menores de idade é uma preocupação abraçada por toda a comunidade.

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Com a missão de desconstruir o colorido da juventude, o roteiro de Brett Haley e Marc Basch começa bastante acelerado, no ritmo da protagonista, e imediatamente mostra quão exaustiva é a rotina de Amber. Entretanto, peca no excesso de vontade, inserindo tanto elementos dramáticos na vida da jovem, que a coitada não tem nem tempo para se permitir sofrer pelos seus percalços. Esse exagero faz com que o enredo não consiga focar em nenhuma trama, desenvolvendo superficialmente todos os elementos e falhando em conectar com as emoções de quem assiste a este filme.

Entraria aí o papel de Brett Haley, que, como diretor, poderia ter estudado a possibilidade de enxugar alguns desses elementos para dar maior profundidade ao arco dramático do longa – e, consequentemente, proporcionar uma reflexão empática no espectador. Ou então escolher o formato serial para a sua produção, de modo a conferir maior espaço para desenvolver, inclusive, os coadjuvantes, cujos nomes o espectador não consegue nem gravar, tão rápido aparecem.

Quase uma Rockstar’ é conduzido pelo carisma de Auli’i Cravalho e, mesmo tentando abraçar muitos assuntos, é um filme tocante e inspirador que mostra que o verdadeiro super-herói ou rockstar é aquele que diariamente se esforça em fazer do mundo um lugar melhor.

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