Fugindo um pouco das nossas análises semanais, nossa primeira crítica de “Herogasm” será sem spoilers, mas amanhã faremos uma versão mais completa para dar tempo de todo mundo assistir antes de interagir.


Provavelmente o grande evento do ano, o Herogasm foi hypado pelos fãs e pela própria série desde que anunciaram sua adaptação. Nos quadrinhos, esse arco é uma paródia das grandes sagas dos heróis tradicionais, em que há crossover dos mais inesperados personagens para enfrentarem uma ameaça comum. No entanto, como tudo é deturpado e sacana neste universo, a “ameaça” é apenas uma justificativa para que os heróis se encontrem numa ilha para um fim de semana repleto de sexo, comida e depravação. Quando anunciaram que a terceira temporada traria isso para as telas, não teve como não ficar empolgado.

Mas acaba que o grande mérito da adaptação não é a sacanagem, mas sim a história e o desenvolvimento dos personagens. Sim, o episódio tem muitas cenas chocantes para a fachada da “família tradicional brasileira”, só que depois de tantas cenas de sexo bizarras que a produção já proporcionou, acaba que nem fica tão mais chocante assim.


Agora, a forma como trouxeram o Soldier Boy para a trama e o conectaram ao insano Billy Bruto conseguiu superar o super-rala e rola.

Antes de falar da relação dos dois, precisamos elogiar a atuação de Jensen Ackles, que  caiu como uma luva no papel. Ele passa todo o preconceito que o ícone do século XX sente e faz suas atrocidades com a maior naturalidade do mundo. E mesmo assim, ele consegue deixar o “Capitão do Mal” carismático e imponente, diferente da versão mijona dos quadrinhos. E te falar: fica excelente.

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Diante disso, ele se acha um guardião da moral e do ‘American Way of Life’, mas conforme ele vai interagindo com Bruto, sua verdadeira face vai se revelando como um grande hipócrita, o que não deixa de ser uma crítica padrão da filosofia política que esse jargão traz desde que foi criado. Ao mesmo tempo em que Bruto tenta mostrar a ele que o Capitão Pátria é uma tentativa de replicar o sucesso da marca Soldier Boy, tentando vender seu posicionamento como o ‘outro lado da moeda’ do Pátria, as ações de Bruto e do próprio Soldier Boy mostram que essa moeda tem um lado só. A forma como isso vai se desenrolando nesse episódio é fenomenal e desemboca em uma das cenas mais fantásticas da produção.

Falando no Capitão Pátria, em mais uma atuação certeira de Anthony Starr, seu personagem ganha mais tempo de tela e segue metendo medo apenas com sua presença. Cada novo olhar ou sorriso forçado carrega a tensão de quem pode piscar e derreter milhões de pessoas em segundos.


Desta vez, porém, o uso de câmeras brinca mais com os closes no rosto expressivo dele, o que remete bastante a forma como Sam Raimi conduziu o Duende Verde de Willem Dafoe no primeiro Homem-Aranha (2002).

E essa relação entre Bruto, Hughie e Soldier Boy conspirando contra o Capitão Pátria só termina de vez com a relação do grupo. Isso porque a cada segundo que a dupla passa em companhia dos Supers, mais prevalece o sentimento de inferioridade, o que faz com que Bruto e Hughie se afundem no Composto V Temporário. Essa trama afasta Hughie da Luz-Estrela e aproxima Bruto do Soldier Boy, o que o afasta do Leitinho, que vira um grande alívio cômico neste episódio.

Do outro lado, quem fortalece a relação é o futuro casal de Kimiko e Francês, que se perdem mais na trama dos russos e parecem cada vez mais dispostos a largar tudo.

Enfim, não sei dizer se é o melhor episódio de The Boys, mas sem sombra de dúvidas, o Herogasm figura em um Top 3 da série com enorme facilidade. Misturando as baixarias padrões com um desenvolvimento maravilhosos dos personagens, esse sexto episódio da terceira temporada com certeza entrou para os anais – com o perdão da piada – das produções com super-heróis.

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