O Foo Fighters às vezes nem parece uma banda, mas sim um grupo de amigos que ainda se diverte – e muito! – fazendo coisas cada vez mais doidas. O público na faixa dos 35-40 anos lembra exatamente quando a banda surgiu, com o fim do Nirvana e a transição do baterista Dave Grohl para as guitarras e o microfone. A partir daí, o grupo foi se configurando e, aos poucos, se tornando uma das maiores e principais bandas do rock’n roll. Mas não apenas. Porque seu estilo de rock não visava (somente) colocar os artistas como celebridades inalcançáveis, com lindas mulheres nos videoclipes; ao contrário, os rapazes sempre procuraram realizar clipes que contassem histórias divertidas para ilustrar a letra das canções. E após quase trinta anos nessa pegada, era natural que eventualmente o grupo se aventurasse no audiovisual – cujo resultado chega aos cinemas com o inusitado ‘Terror no Estúdio 666’.


Na trama, os Foo Fighters estão prestes a realizar seu 10o álbum. Porém, há um problema: Dave Grohl está enfrentando um terrível bloqueio criativo, e sugere ao gerente da banda (Jeff Garlin) que os envie por um par de semanas para uma casa em Encino, onde o grupo deverá ficar hospedado para compor as novas canções. É assim que Dave, Taylor Hawkins, Pat Smear, Chris Shiflett, Rami Jaffee e Nate Mendel vão parar uma casa amaldiçoada, com um clima muito, muito estranho, mas com uma ótima acústica para as gravações. Porém, com o passar dos dias os rapazes vão percebendo que algo de estranho está acontecendo, e que Dave Grohl anda se comportando de maneira muito, muito esquisita…

A real é que ‘Terror no Estúdio 666’ não dá pra ser levado a sério – e nem é esse o objetivo! Para início de conversa, o longa parte de uma ideia do próprio Dave Grohl (sim! O mesmo que falou para a banda “por que não nos vestimos de aeromoças para gravarmos o clipe de ‘Learn to Fly?). E a ideia, assim como o roteiro de Jeff Buhler e Rebecca Hughes, é zoar mesmo, e, ao mesmo tempo, prestar uma grande homenagem tanto ao rock’n roll quanto ao gênero do terror. Quer dizer, quem nunca ouviu falar de bandas que se veem obrigadas a alugar uma casa para conseguirem produzir um álbum? Tá aí a cinebiografia ‘Bohemian Rhapsody’ pra provar o que estamos falando. Só que muitas dessas histórias contêm lendas urbanas e pequenas maldições que, dentro do rock, acabam virando a própria inspiração. Não à toa, tão logo chegam à casa, Dave começa a mencionar vários grupos que passaram por isso, como Led Zeppelin.


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Agora, ‘Terror no Estúdio 666’ é todinho o Dave Grohl. O vocalista aparece em quase todas as cenas e profere quase todas as falas do longa, além de, óbvio, ser o protagonista. E tá tudo bem, afinal, sabemos que ele é, dentre os seis, o mais bobalhão de todos. É divertido ver essa galera na faixa dos cinquenta anos (caramba! A gente não viu o tempo passar pra eles, né?) se prestando a esse tipo de zoação como um verdadeiro grupo de amigos, que, por que não, decidiu se reunir pra gravar um filme de terror. Claramente Dave Grohl andou com um tempo ocioso durante a pandemia e resolveu gastá-lo com seus amigos, se divertindo para divertir a gente, como sempre.

Uma vez que o Foo Fighters é uma banda que agrada a fãs de todas as idades, incluindo crianças, vale ressaltar que ‘Terror no Estúdio 666’ é um filme de terror trash, gore e slasher, tudo ao mesmo tempo. Então, para a moçada menor de dezesseis anos, talvez não seja muito indicado, uma vez que o longa de BJ McDonnell tem cenas de canibalismo, decapitação, mutilação, tripas pulando, sangue jorrando, enfim, todo tipo de nojeira hilária para esse tipo de produção.


Terror no Estúdio 666’ é um projeto tão doido que ainda traz Jenna Ortega e Lionel Ritchie em participações especiais e tem trilha de ninguém menos que John Carpenter, que ainda aparece no filme! É um filme engraçado, cheio de imperfeições e atuações forçadas, que entretém não só o público, mas que passa a sensação de que também o elenco curtiu o projeto. É, ainda, uma bela forma de nos despedirmos de Taylor Hawkins: vendo-o em ação, feliz e brincalhão com a família que o rock lhe deu.

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