Crítica | Um Dia – Após filme com Anne Hathaway, história vira APAIXONANTE minissérie na Netflix

Entre idas e vindas, verões ensolarados e momentos tão cruciais, Emma e Dexter caminham lado a lado ao longo de 20 anos. Atravessam as décadas, mudam seus hábitos, se envolvem em relacionamentos disfuncionais e duradouros e por fim se encontram – em um novo tempo, com uma nova versão de si mesmos. Um Dia se tornou um sucesso instantâneo da literatura por sua delicada e identificável reflexão sobre a vida, as pessoas que passam por ela e aquelas que decidem ficar indefinidamente. Como um convite intimista a uma experiência catártica, o romance de David Nicholls faz de sua história de amor uma oportunidade ao leitor de reavaliar suas escolhas e decisões. Seu sucesso fez com que esse doloroso e agitado conto de amor fosse adaptado para as telonas, nas personas de Anne Hathaway e Jim Sturgess, nos idos dos anos 2010. E quase 15 anos depois, o autor tira seu best-seller da prateleira e o reapresenta ao mundo, desta vez em um formato diferente, por uma tecnologia nova.

E assim, Um Dia volta a fazer parte de nossas vidas, pela ótica dos talentosos Leo Woodall e Ambika Mod. Interpretando os mesmos papéis que fizeram milhões de leitores se apaixonarem ainda em 2011, a dupla nos convida a conhecer Emma e Dexter por um olhar mais profundo. Com tempo de tela suficiente para explorar seus respectivos personagens, ambos fazem dessa experiência uma encantadora vitrine de sua versatilidade e maturidade em tela. Atravessando 20 anos ao longo de 14 episódios, ambos se desenvolvem com leveza, carregam as marcas do tempo em suas linguagens corporais e refletem a mudança das circunstâncias de seus protagonistas com astúcia e realismo. Nos fazendo apaixonar uma vez mais por aquele casal que tanto demora para se encontrar, eles tornam a minissérie uma jornada delicada por um diário pessoal, onde vivemos e desfrutamos das melhores e piores memórias dessas figuras tão distintas, mas tão perfeitas uma para a outra.

E sob a produção executiva de Nicholls, Um Dia é capaz de surpreender os fãs do longa original, justamente por explorar com profundidade cada um dos anos que marcam a aventura do casal protagonista. Investindo o tempo de tela para trabalhar os detalhes mais sutis dessa jornada, ele e sua equipe criativa conseguem tornar a nova versão ainda mais cativante e apaixonante, nos levando a lugares ensolarados e a momentos únicos que no atraem para dentro desse pequeno e por vezes idílico universo. E uma vez dentro, somos tomados pelas emoções, pelos romances e pelos desfechos inesperados que cada episódio nos proporciona. E como se estivéssemos vivendo dentro de um pequeno e precioso sonho, a minissérie original da Netflix nos proporciona uma experiência doce, às vezes levemente amarga, mas sempre saborosa e apreciável.

Explorando muito bem o desenvolvimento de seus protagonistas – inclusive os coadjuvantes -, Um Dia é ainda um conto sobre família, perdas, recomeços, renovos e desapegos. Abordando sabiamente o amadurecimento a partir da passagem do tempo e das experiências da vida, a produção é hipnotizante, nos consome rapidamente e nos deixa à deriva com seu doloroso e já sabido final. Se preocupando mais com o trajeto do que com o fim em si, a minissérie se preocupa em honrar o amor dos leitores por esse romance, garantindo cenas valiosas e memoráveis que aquecem o coração, ainda que inevitavelmente o prepare para um solitário e injusto encerramento.

Tratando com leveza e doçura assuntos tão importantes como luto, vícios, perdas e descontentamento, a original Netflix é cheia de pequenos e valiosos instantes reflexivos que – ainda que não sejam profundos e extensos – ajudam a tornar a experiência televisiva ainda mais especial. Resgatando perfeitamente a estética do final dos anos 80 e anos 90, Um Dia é também uma nostálgica viagem temporal, onde o amor, a amizade, a renúncia e os reencontros revelam a beleza de um relacionamento que nunca verdadeiramente se esfriou, mas que apenas se transformou e cresceu com a ajuda do tempo. Uma ponderação sobre as vidas que se cruzam com a nossa, a minissérie é como um soneto agridoce sobre a importância de viver intensamente todos os dias, na certeza de que sendo bons ou maus, cada um deles vale a pena ser desfrutado.

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