Nessa época de recesso de fim de ano, o que boa parte dos cinéfilos quer é assistir a um filme tranquilo, que faça você imergir numa boa história sem exigir grandes aprofundamentos filosóficos. As pessoas querem descansar a cabeça e serem entretidas por um filme emocionante. É assim que ‘Victoria e Mistério’ acabou se destacando entre os lançamentos do mês da Netflix e rapidamente pulou para o Top 10 da plataforma de streaming.

Victoria (Shanna Keil) é uma menininha de oito anos que recém perdeu a mãe, e, por causa desse trauma, não fala mais. Por isso seu pai, Stéphane (Vincent Elbaz), em uma tentativa de proporcionar novos ares à vida de sua filha, faz com que os dois se mudem para uma casa no interior da França. E, em um passeio pelos descampados das fazendas locais, os dois acabam encontrando um velho homem que os ajuda a encontrar o caminho de volta para casa, mas também presenteia Victoria com um animalzinho muito especial vindo da floresta, criando, assim, um belo vínculo de amizade entre os dois.

Em aproximadamente uma hora e meia de duração ‘Victoria e Mistério’ apresenta uma historinha bem infantil, focada justamente em atingir esse público mais inocente – e, consequentemente, buscando também agradar à toda a família. E é bem um programa para assistir numa sentada de sofá com os pequenos reunidos, pois o filme não apresenta nenhuma questão complexa ou de difícil assimilação pela criançada.



O roteiro de Mathieu Ouillion, Rémi Sappe e Stéphanie Vasseur é bem básico, sem trazer grandes reviravoltas no enredo e construindo a coisa toda de maneira linear, oferecendo maior facilidade para a compreensão de seu público-alvo. Assim, para os adultos, ‘Victoria e Mistério’ se mostra bastante previsível, não muito diferente do que os outros (muitos) filmes de amizade entre seres humanos e animais já trouxeram, com exceção talvez do final, que traz maior maturidade para a temática e propõe um bom ensinamento para a garotada em fase de transição da infância para a adolescência.

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Com um início meio ‘Bambi’, o filme de Denis Imbert é ambientando em belas planícies que fazem o plano iluminar nas cenas, especialmente as com o filhote de lobo (muito bem treinado, ainda que haja um excesso da direção de som em inserir um som de choro em quase todas as vezes que a criaturinha aparece). Do meio para o final, porém, Denis Imbert perde a sua segurança inicial e começa a picotar o próprio filme, fazendo com que o roteiro dê saltos temporais que causam estranhamento momentâneo no espectador ou cortando cenas abruptamente, impaciente com a resolução do que certos desafios propõe (como quando o vizinho atira em um lobo – que é, em si, uma cena de tensão emocional, mas que foi trabalhada de maneira bem superficial).

Para as crianças entre oito e dez anos, ‘Victoria e Mistério’ é um entretenimento emocionante, que retrata uma fofa amizade entre uma garota e um lobinho. Lembra um pouco a pegada dos primeiros filmes da Disney, abordando temas mais profundos como a morte e a separação sem, entretanto, trazer uma carga pesada à produção. ‘Victoria e Mistério’ é uma boa opção para assistir em família nesse fim de ano.



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