Crítica | Warrior Nun – Freiras quebram Tudo e enfrentam Demônios em Série da Netflix

CríticasCrítica | Warrior Nun – Freiras quebram Tudo e enfrentam Demônios em Série da Netflix

A melhor coisa da série ‘Warrior Nun’ é seu argumento: e se a gente fizesse uma série de aventura, com muita ação e combate corporal, só que protagonizado por um grupo de freiras? A aleatoriedade do argumento é o que desperta a curiosidade e nos faz querer assistir a esse novo lançamento da Netflix.

Ava Silva (Alba Baptista) é uma adolescente tetraplégica, dada como morta. Só que a igreja onde seu corpo está sendo velado é de repente invadida por um grupo de freiras que está combatendo um demônio, que veio à Terra atrás de um Halo (um círculo mágico). Na fuga, uma das freiras esconde o Halo nas costas de Ava, e isso lhe traz não só de volta à vida, mas lhe dá a capacidade de andar e superpoderes (algo como o coração do Homem de Ferro). Aturdida e maravilhada com sua nova vida, Ava sai pelas ruas da Andaluzia, na Espanha, buscando curtir a vida adoidado, e é quando conhece JC (Emilio Sakraya), Chanel (May Simón Lifschitz), Zori (Charlotte Vega) e Randall (Dimitri Abold). Embora a nova vida seja muito boa, rapidamente o grupo de freiras – As Freiras Guerreiras – entram em contato com Ava, e ela deve decidir se irá ajudar a combater os demônios da Terra ou se irá aproveitar a vida com a qual sempre sonhou ter.

Baseada na HQ escrita por Ben Dunn nos anos 1990, o roteiro de ‘Warrior Nun’ foi escrito a muitas mãos, encabeçado pelo seu criador e diretor Simon Barry. Nos dez episódios de quarenta minutos de média de duração, a trama se desenvolve a cada três episódios: nos três primeiros rola a sinopse que mencionamos acima; em seguida, há o aprendizado de Ava e seus conflitos internos; por fim, no arco final, as freiras partem pra luta em si. Isso leva o espectador a concluir que toda essa primeira parte serve apenas para nos distrair, posto que quase nada dali segue adiante na trama – e isso consequentemente nos leva a concluir que essa primeira temporada poderia ter sido realizada com menos capítulos. Outra coisa que não faz o menor sentido é ela ser falada em inglês, uma vez que a história é situada na Espanha e seus personagens são todos desse país ou moram ali há tempos. Mas tudo bem, essas coisas fazem parte de um projeto internacional.

Com um argumento instigante, a série tem diversos pontos positivos, sendo o principal deles sua preocupação em ser um produto de entretenimento inclusivo. No enredo temos a protagonista tetraplégica cujo sonho era ter uma cadeira de rodas movida à força do pensamento; no elenco temos atrizes trans, negras, orientais e latinas exercendo papéis comuns, que não recaem sobre a pauta racial. É realmente muito legal poder ver uma série que já esteja caminhando na direção desse futuro.

Falando em elenco, as jovens atrizes são um show a parte, seja pelas suas capacidades expressivas, seja pela incrível capacidade de luta delas. As cenas de ação e de combate são pra fã nenhum botar defeito, e as moças realmente batem e apanham pra valer! E essas cenas se tornam ainda mais legais quando nos damos conta de que são freiras que estão ali, botando pra quebrar! Os destaques maiores são a Irmã Beatrice (Kristina Tonteri-Young), protagonista de uma sequência de luta belíssima, e Shotgun Mary (Toya Turner), a personagem mais fodona de todas, extremamente confiante e competente.

Warrior Nun’ é uma série atraente, cheia de efeitos especiais, com mulheres poderosas botando pra quebrar – ingredientes essenciais para um grande sucesso adolescente. É dessas histórias que a gente quer logo ver como ela vai se desenvolver para uma segunda temporada, afinal, não é todo dia que o embate ciência X igreja é levado para o contexto jovem com tanto requinte.

Janda Montenegro
Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.

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