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Damages (4x01) - There's Only One Way to Try a Case

Depois de uma milagrosa renovação, “Damages” volta para a alegria dos fãs ansiosos.

Saber que teremos mais duas temporadas (de dez episódios cada) de uma das melhores séries dos últimos anos é ótimo, claro. Mas com três temporadas impecáveis, sendo que ao término da terceira, pontas importantes foram amarradas e um belíssimo desfecho que serviria muito bem como series finale foi feito. Apesar de triste, “Damages” havia fechado com chave de ouro. E no auge. Até que a DirecTV gringa resolveu arcar com os altos custos da série, mesmo sabendo que ela não representava um retorno de público muito promissor. Alguns até disseram que seria besteira, poderiam estragar o que já estava perfeito, mas tem um adendo nisso tudo. Os próprios roteiristas garantiram que a série SEMPRE foi pensada para ter cinco temporadas.

A boa notícia é que, enfim, veremos Damages na íntegra, com episódios de uma hora, sem cortes, e – como se trata de um canal fechado – com liberdade para ousar em cenas violentas, sexuais e, claro, muito palavrão.



Em “There's Only One Way to Try a Case” matamos saudades não só da excepcional abertura e da dinâmica dos flash-forwards, mas também das duas protagonistas. Aliás, quem se tornou a personagem principal, pelo visto, foi Ellen Parsons. Com o salto no tempo de três anos após o fim da terceira temporada, Ellen se encontra estabelecida, trabalhando em um grande escritório em Manhattan, com novo visual, feliz no amor, e completamente livre de seus demônios de anos anteriores. Mantém até uma relação de amizade com sua ex-mentora Patty Hewes. Agora, ela está determinada a mover um processo midiático em cima de Howard Erickson, criador e presidente da High Star Security Corp, um comando mercenário que atua na guerra do Afeganistão, lucrando com a máquina bélica americana. Erickson tenta renovar os contratos com o governo. Sem sucesso.

Ellen desconfia que algo sujo aconteceu em uma trágica missão, no qual seu antigo colega (e affair) de colégio, Christopher Sanchez, esteve envolvido. Sanchez, por sua vez, largou seu trabalho na High Star e acabou marcado pelo horror da guerra. Ellen irá se aproveitar da situação vulnerável dele para descobrir ainda mais o que tem de obscuro nesse caso. E para isso, nem dará ouvidos para as advertências de Patty em relação ao perigo dessa causa. Riscos que já se encontram bem próximos, com o encalço do misterioso Jerry Boorman. Além disso tudo, os flash-forwards nos adiantam passagens do que acontecerá três meses adiante. Quem será o encapuzado que acabou assassinado, para desespero de Ellen Parsons?

Pelo visto, “Damages” voltou muito bem trincada, com um enredo de peso em mãos. As adições no elenco pareceram muito bem acertadas nessa estréia. John Goodman tem tudo para ser o grande destaque dessa temporada, com um personagem que já se mostrou multidimensional, capaz de ser maquiavélico a ponto de dizer "não se luta uma guerra com ninharia", mas em casa, reza à mesa com sua família defendendo os valores cristãos. Com o mesmo peso em importância, Chris Messina apresentou um ótimo desempenho encarnando um ex-combatente que definhou por conta do que vivenciara na guerra. A cena da tentativa frustrada de suicídio já ganha disparado o título de uma das mais tristes do episódio. Outro que tem potencial é o ator Dylan Baker, fazendo o misterioso Jerry Boorman, um homem capaz de explodir um escritório para safar-se das informações que teriam sobre ele.

E a honrosa Patty Hewes, heim?

Sem o mínimo tato com crianças, ela agora cuida – se é que se pode assim dizer – da neta, após jogar a mãe da menina na cadeia. E nem fazer questão de procurar (pelo menos pelos três anos que se passaram) por Michael, seu filho. Seus problemas de confiança são tamanhos que não consegue manter nem uma babá pra menina. Patty pode até não ser a melhor avó do mundo. Nem mesmo ser a mãe, ou a esposa do ano. Mas é uma advogada que tem o poder nas mãos, e sabe reconhecer a determinação de sua ex-pupila Ellen Parsons. Certamente, as duas se juntaram contra o perigoso Howard Erickson.

Sem apresentar nenhuma deficiência, o episódio já mostrou que boas escolhas pra dar continuidade à série (como o salto no tempo e os resgates de diálogos como a pergunta de Ellen sobre a validade dos atos de Patty na carreira) foram bem alinhadas. Quanto ao flashforward, não tem como afirmar ainda o que foi aquilo. Desde as artimanhas dos roteiristas na temporada passada, sabemos que o óbvio nem sempre é o certo quando se trata de “Damages”.

 

Nota:

Crítica por: Adecio Moreira Jr. (Blog)





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