O que os cinéfilos mais gostam nessa vida, fora assistir a todos os filmes possíveis durante o ano, é bater papo sobre cinema com pessoas que tenham a mesma paixão que ele. Ser cinéfilo é amar a sétima arte de forma a entender todas as formas de pensar e sentir um filme, uma história. Nós cinéfilos não brigamos, nós argumentamos com emoção.

Pensando nesse sentimento bonito que existe entre a comunidade cinéfila espalhada por todo o Brasil e pelo mundo, resolvi eu, um humilde cinéfilo carioca, entrevistar de maneira bem objetiva, e aproveitando para matar a saudade dos pensamentos cinéfilos dos amigos, diversos amantes da sétima arte. Famosos ou não, que trabalham com cinema no Brasil e/ou no mundo ou não.

Neste segundo volume da coluna nesse espaço de quem ama filmes e cinema, entrevisto abaixo um cineasta colombiano que ama o Brasil, Juan Zapata. Um apaixonado pela sétima arte, sempre com seu portunhol afiado e bem informado sobre o mercado audiovisual da América Latina, o artista, que já foi diretor do Instituto Estadual de Cinema do RS (Iecine), estudou cinema na Universidade Jorge Tadeo Lozano, em Bogotá, e na Escola Internacional de Cinema e Televisão de Cuba, em Havana. Uma figura inteligente e bastante querida, longos papos sobre cinema com Zapata são sempre uma grande aula para qualquer cinéfilo.

 

1) Na sua cidade, qual sua sala de cinema preferida em relação à programação? Detalhe o porquê da escolha.

Aproveite para assistir:

Porto Alegre: Cinemateca Paulo Amorim, Cine Bancarios, Capitolio, Espaço Itaú e Guion.  Pela sua qualidade de programação e diversidade.

Los Angeles: O cinema de Tarantino em West Hollywood. É a mais eclética programação que já vi na minha vida e um dos meus cinemas favoritos no mundo.

Medellin: Procinal Las Americas, Centro Colombo Americano, Odeon 80, La America y Capri: foram minha escola e refúgio na minha cidade natal. Aí sonhei em fazer cinema e aprendi a amar esta arte.

2) Qual o primeiro filme que você lembra de ter visto e pensado: cinema é um lugar diferente?


E.T. – O Extraterrestre.

3) Qual seu diretor favorito e seu filme favorito dele?

Muitos, difícil escolha. Desde Paul Thomas Anderson, Richard Lindaker, Alejandro Amenábar, Woody Allen, Almodóvar, Agnès Varda, Coutinho, Kurosawa, Kusturica, Campanella e tantos, mas valorizo muito o Eliseo Subiela e o impacto que teve El Lado Oscuro del Corazón (O Lado Escuro do Coração) na minha vida e na minha escolha por fazer cinema (sempre é polêmico quando confesso isto).

4) Qual seu filme nacional favorito e por que?

Edifício Master e Jogo de Cena. Desculpa, mas é difícil e injusto escolher só um. Acho que Coutinho estava sempre passos à frente de todos. Baita cineasta e ser humano. Quanta saudade o cinema brasileiro sente por alguém como ele.

5) O que é ser cinéfilo para você?

É encontrar no cinema as respostas da vida. É amar e entender esse poder do cinema e fluir, surfar nele. É refúgio, abrigo, colo, um bom filme é como um cafuné na alma!

6) Você acredita que a maior parte dos cinemas que você conhece possui programação feita por pessoas que entendem de cinema?


Vou a todo tipo de cinema, em diferentes partes do mundo.  É meu vício.  E devo te dizer que nas minhas favoritas sim, entendem e muito, mas constato cada vez mais que redes de cinema e algumas salas tem como prioridade muitas outras coisas e não o entender o cinema e seu cliente. Vivemos num universo de imposição de programação por interesses econômicos das ‘Majors”, por isso valorizo as salas rebeldes e corajosas que dão alternativas.

7)  Algum dia as salas de cinema vão acabar?

Não imagino o mundo sem cinemas.


8) Indique um filme que você acha que muitos não viram mas é ótimo.

Vou indicar alguns que estão em plataformas, dois colombianos que admiro muito, Jardin de Amapolas e Perro come Perro. Tem um filme que curto muito chamado El Espanto (Argentino) e Matar un Muerto (Paraguaio). Cinéfilo sempre quer compartilhar pérolas, e amo cinema Latino.

9) Você acha que as salas de cinema deveriam reabrir antes de termos uma vacina contra a Covid-19?

A Espanha abriu com nível de ocupação de 10% por exemplo. Sou a favor do Livre arbítrio, na consciência social.

10) Como você enxerga a qualidade do cinema brasileiro atualmente?


O cinema brasileiro é melhor do que ele mesmo acha que é. Só precisa dialogar mais com o mercado internacional, inclusive para sua legitimidade nacional, como vem sendo nos últimos anos. Sou fã deste cinema e acredito no seu potencial.

11) Diga o artista brasileiro que você não perde um filme.

É ampla esta pergunta. Qualquer filme com Fernanda Montenegro. Admiro e desejo algum dia trabalhar com ela. Quanto a diretores… posso me encrencar nesta resposta, mas gosto muito de Karim (Aïnouz), Beto Brant, (Laís) Bodanzky, (Jorge) Furtado, (Paulo) Nascimento, (José) Padilha, sinto muita falta do cinema do (Fernando) Meirelles, são tantos e tão diversos.

12) Defina cinema com uma frase.

Plenitude.

13) Conte uma história inusitada que você presenciou numa sala de cinema.

Na minha adolescência ia sempre a filmes e sessões em horários onde normalmente estava sozinho. É meu barato, primeira sessão e o cinema para mim. Mas no cinema já vi desmaios (Cisne Negro)… sim… isso foi notícia nacional e eu estava aí. Já vi todo o cinema chorar ao ponto de não conseguir escutar o filme (Titanic), já vi sair gritando (La Mosca), já gritei e participei do filme (Jumanji, primeira versão), vi dormir e roncar a vários (Samsara… filme que eu curto muito). Mas principalmente no cinema tenho visto sorrir, se divertir e emocionar tantas vezes ao meu filho junto que acho que é essa a melhor que tenho experimentado.

O próximo trabalho no cinema de Zapata será como diretor do filme Uma Vez em Veneza, todo rodado na Itália, o longa-metragem fala sobre dois estrangeiros com visões distintas sobre o amor. O lançamento comercial está previsto para o início de 2021.

 

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