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‘O Predador: A Caçada’ | Relembre o clássico ‘O Predador’ (1987) – que completa 35 anos em 2022

Nesta sexta-feira, dia 5 de agosto, os fãs foram agraciados e podem finalmente conferir o mais recente exemplar da franquia O Predador, intitulado Prey no original. Essa é a primeira vez em que um filme da franquia não recebe o título Predador no original – já que aqui no Brasil os responsáveis não conseguiram evitar e tascaram um Predador: A Caçada. E pela primeira vez também a franquia apostará num teor mais minimalista evitando os cinemas e orquestrando sua estreia para as plataformas de streaming. Sim, este é um admirável novo mundo, mas a manobra da Disney (agora detentora da 20th Century Studios) está mais relacionada ao mal desempenho dos últimos filmes do caçador intergaláctico – em especial o filme de 2018.

O novo filme, dirigido por Dan Trachtenberg, volta no tempo 300 anos, para mostrar uma das primeiras “caçadas” do Predador na Terra, enfrentando aqui uma tribo Comanche, conhecidos por serem nativo-americanos com muita experiência e talento para a caça. Em especial, essa é uma história de crescimento e superação da jovem Naru, personagem da indígena Amber Midthunder. Em homenagem ao novo longa de um dos vilões mais queridos da cultura pop, o extraterrestre com cabelos de rastafari, que já chega despertando todo tipo de elogio da imprensa especializada, resolvemos voltar no tempo também, mas apenas 35 anos no passado, para revisitarmos a primeira aparição da criatura nas telonas – que resultou no sucesso O Predador (1987), veículo de ação para o musculoso Arnold Schwarzenegger.

Vai encarar? O time de brucutus liderados pelo maior deles: Arnold Schwarzenegger.

O Predador (1987) é um dos filmes mais icônicos dos anos 80 e definitivamente um dos mais marcantes da carreira do grandalhão Schwarzenegger. Na trama, o astro austríaco é o líder de um time militar de elite, do tipo que realiza as missões que ninguém mais conseguiria ou seria louco para tentar. É claro que nesta equipe teremos todo tipo de brucutu truculento, daqueles que dá medo só de olhar, de figuras como Carl Weathers, Jesse Ventura, Sony Landham, Bill Duke, Shane Black e Richard Chavez. A tarefa deles é simples: resgatar a tripulação de um helicóptero que caiu atrás das linhas inimigas num país da américa central, e continha um oficial de alta patente. Até aí a trama lembra Fuga de Nova York (1981).

Quando chegam ao local, percebem que os passageiros de tal helicóptero caído foram mortos da forma mais brutal e sádica possível, esfolados vivos e pendurados de ponta cabeça na mata. Eles creditam o ato selvagem aos rebeldes inimigos, dos quais dão cabo prontamente – e aí O Predador ganha contornos de Rambo 2 – A Missão (1985). Mas nem tudo são flores para esta equipe de ossos duros de roer, e ao levarem consigo uma sobrevivente feita como refém pelos guerrilheiros, eles se deparam também com uma entidade sobrenatural na floresta – a quem a prisioneira em sua crendice se refere como “o diabo”. O interessante de O Predador é o mistério que faz sobre a criatura. Quem assiste ao filme pela primeira vez sem saber nada sobre ele, pode imaginar diversas possibilidades, mas nunca de fato o que a história irá apresentar.

Perdidos na selva. Os Comandos de Arnold enfrentam uma ameaça sobrenatural na floresta.

A incógnita sobre a verdadeira identidade do ser que os espreita é um dos elementos mais eletrizantes do filme. Será mesmo o diabo? Será alguma entidade folclórica das selvas da américa central? Será um superespião inimigo infiltrado? Esse mistério é completamente eliminado nas continuações, por já sabermos exatamente o que esperar da ameaça. Aqui no original no entanto, a criatura só é de fato revelada no terceiro ato da narrativa. O que acontece é que à primeira vista a floresta “ganha vida” e vai eliminando os comandos em ação um a um, das formas mais violentas possíveis. No final, resta apenas o protagonista de Schwarzenegger e a jovem prisioneira (papel de Elpidia Carrillo). O herói então realiza um mano a mano com a criatura, sem que nenhum dos dois apele para armas.

O roteiro de O Predador (1987) foi escrito pelos irmãos Jim e John Thomas. E a ideia para a história nasceu de uma brincadeira em relação ao rival de Schwarzenegger nas telas nos anos 80, Sylvester Stallone e seu personagem mais famoso da carreira, Rocky. Alguém teria dito de brincadeira: “Quem falta para Rocky enfrentar? Acho que só E.T. – O Extraterrestre”. Assim nascia o conceito de um homem numa luta até a morte com uma criatura de outro planeta. Mas outros elementos seriam inspiradores para esta trama. O primeiro deles foi o sucesso Aliens – O Resgate, lançado no ano anterior e citado pelos próprios roteiristas como uma de suas maiores influências para criar O Predador. A semelhança é fácil de pegar: um grupo de fuzileiros fortes, corajosos e armados até os dentes, enfrentando uma criatura extraterrestre (no caso de Aliens, várias) e sendo eliminados um a um. Em Predador 2 – A Caçada Continua (1990), também escrito pela dupla, eles homenageiam sua criação, colocando o crânio de um xenomorfo no interior da nave do Predador. E claro, Alien vs. Predador seria sua própria franquia de muito sucesso, gerando brinquedos, games, quadrinhos e até eventualmente filmes.

“You’re one ugly motherfucker!” virou “Nossa, você é muito feio” na versão dublada e também clássica.

A segunda influência admitida pelos escritores é outro filme de Stallone, o já citado Rambo 2 – A Missão (1985), onde um guerrilheiro sobrevive na floresta enfrentando todo tipo de inimigo. Aliás, uma das primeiras ideias para o roteiro traria o personagem de Schwarzenegger igualmente sozinho em sua missão de resgate, se deparando com a criatura e depois precisando enfrenta-la. A ideia foi descartada pois era preciso demonstrar o quão letal esse adversário poderia ser, e a melhor maneira era eliminando um a um diversos “Rambos”, até o mais forte deles restar. Essa ideia aliás, já havia se transformado no primeiro tratamento do roteiro, recusado por Arnold e reescrito pelos irmãos Thomas.

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Outras das ideias descartadas em tratamentos anteriores do roteiro foram a existência de diversos Predadores para enfrentar os comandos. Como se apenas um já não fosse ruim o suficiente. De novo, esse plano foi descartado em prol de apresentar uma ameaça gigantesca vindo de apenas um Predador. O conceito, no entanto, ficaria na mente dos Thomas e veria a luz do dia em Predador 2 (1990). Depois disso, os demais filmes sempre trouxeram mais de um caçador intergaláctico em suas tramas. A terceira ideia descartada foi ter como protagonista um personagem nativo-americano (ou indígena). Essa ideia eventualmente seria adaptada ao personagem Billy (Sony Landham), um dos coadjuvantes de peso no longa. E agora, como sabemos, o novo O Predador: A Caçada traz um elenco inteiro desta linhagem.

Essa ideia maluca de um roteiro que começou meramente como especulativo seguiu de porta em porta para os maiores estúdios de Hollywood, sempre vendido como “Alien – O Oitavo Passageiro (1979) passado na selva”. Eventualmente, o texto iria cair nas mãos da 20th Century Fox e se tornar uma de suas propriedades mais quentes. O próximo passo era encontrar um comandante para a produção. Embora Geoff Murphy (Freejack – Os Imortais) fosse a primeira escolha, e tenha ficado vinculado um tempo ao projeto, O Predador terminou nas mãos do então novato John McTiernan, que tinha no currículo apenas o terror cult Delírios Mortais (1986) àquela altura. O Predador foi seu segundo filme, e McTiernan realizou um trabalho tão bom que logo se tornaria o menino de ouro da Fox, sendo escalado logo no ano seguinte para a direção de Duro de Matar (1988), outro clássico da ação. O cineasta seguiria para outros grandes títulos como A Caçada ao Outubro Vermelho (1990), O Último Grande Herói (1993) e Duro de Matar – A Vingança (1995).

Embora a ideia vendida para McTiernan tenha sido o encontro de “Rocky (ou Rambo) com Alien”, o diretor gostava mais de pensar em seu filme como o clássico King Kong (1933). Segundo o cineasta, ele descreveria O Predador da seguinte forma: “Um bando de homens chega a um ilha e vão se embrenhando cada vez mais fundo, e aí, se deparam com o que estavam perseguindo, que se revela bem maior do que eles pensavam, fazendo com que precisem dar meia volta e fugir”.

Para o papel protagonista de Dutch, o líder do esquadrão da morte, o austríaco Arnold Schwarzenegger entrava logo em cena. O grandalhão ex-mister universo vinha de trabalhos significativos em sua carreira, como os dois Conan, O Exterminador do Futuro e Comando para Matar. O ator de ação, que vinha galgando o posto de astro, aceitou o projeto por imaginá-lo como uma versão de um clássico que adorava e sempre pensou em fazer algo parecido: o faroeste Sete Homens e um Destino (1960). Segundo Arnold, “é um filme com um grupo de sujeitos que precisam trabalhar juntos”. Uma curiosidade é que enquanto filmava O Predador, Schwarzenegger tinha outro projeto nos mesmos moldes em desenvolvimento, a adaptação para o cinema dos quadrinhos da DC Sargento Rock. O personagem é um herói de guerra, líder de um pelotão. A revistinha do personagem inclusive aparece em O Predador (1987), sendo lida por Hawkins (Shane Black). O filme do personagem de quadrinhos não vingaria.

Com orçamento de aproximadamente US$15 milhões, O Predador se tornaria a segunda maior abertura de fim de semana em sua estreia em 1987, recuperando praticamente todo o seu valor – US$12 milhões em caixa. O Predador ficou atrás somente de Um Tira da Pesada 2, que havia estreado quase um mês antes e marcado US$26.3 milhões em um único fim de semana. O Predador terminou sua carreira nas telonas mundiais com US$98. 2 milhões, garantindo seu sucesso absoluto. O filme ainda seria indicado ao Oscar de efeitos especiais – mas perderia o prêmio para Viagem Insólita, produção de Steven Spielberg. Fora isso, foi incluído na lista do American Film Institute, de 2001, dos 100 filmes americanos mais eletrizantes. Hoje, 35 anos depois de seu lançamento seu legado segue dando frutos com o mais recente e elogiado capítulo da saga, ao mesmo tempo em que O Predador (1987), o filme original, se mantém como um clássico moderno ainda muito querido e comentado. O teste do tempo é o verdadeiro prêmio para a arte.

Ps: Ambos O Predador: A Caçada e O Predador (1987) estão disponíveis no acervo da Star+.

 

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