segunda-feira, junho 24, 2024

Os 22 Melhores Álbuns de 2022

2022 está chegando ao fim e, como é de costume aqui no CinePOP, já começamos a divulgar algumas listas com as melhores produções cinematográficas, televisivas e musicais do ano que passou.

Para tanto, elencamos os 22 melhores álbuns de 2022 – e garantimos que, assim como o cinema e a televisão, o cenário fonográfico também nos presenteou com algumas pérolas que merecem ser ouvidas pelos amantes da música.

Desde a magnum opus de ROSALÍA, que ascendeu a um dos melhores discos do século assim que lançado nas plataformas de streaming, até o aguardado retorno de nomes como Kendrick LamarBeyoncéFlorence + the Machine, montar a lista abaixo foi um trabalho complicado, mas tentamos fazer o nosso melhor.

Veja as nossas escolhas e conte para nós qual foi o seu favorito e quem ficou de fora:

22. SOFIA CARSON, Sofia Carson

“Em momento algum o álbum tem o desejo de revolucionar o mercado fonográfico ou ousar para além do que consegue – mas não se enganem: o disco sequer chega perto de ser simplista; pelo contrário, a ousadia em questão dá as caras no momento em que Carson percebe que não precisa se desvencilhar das fórmulas, e sim utilizá-las a seu favor. A ideia aqui é buscar originalidade no convencionalismo, através de mensagens que conversam com sua própria identidade e que contem uma história, sendo com músicas dançantes ou com melodias sensoriais que nos fazem apertar o botão de repeat de novo, e de novo, e de novo. E seu senso estético é provado por “a+b” quando chegamos ao fim da produção com o envolvente nu-disco de “Two Tears in a Bucket”” – Thiago Nolla

21. QVVJFA?, Baco Exu do Blues

“Se há uma coisa que podemos compreender do álbum é a maestria com que todos os aspectos instrumentais colidem em profusão aplaudível às potentes letras que o performer assina. É claro que algumas delas pendem para algumas fórmulas tão utilizadas no mainstream, como a frustração amorosa de “20 Ligações” ou a bem-vinda crueza de “Mulheres Grandes”, que perdem um pouco de força frente a tantas tracks ótimas – e o mesmo acontece com a repetição minimalista de “Autoestima”, isolada na segunda metade do álbum. Entretanto, os deslizes são ofuscados em boa parte do tempo pelo que se esconde nas entrelinhas e pelo convite que Baco Exu nos faz para encontrá-las num cenário bélico de notas e melodias” – T.N.

20. HOLY FVCK, Demi Lovato

“Enquanto “Skin of My Teeth”, lançado como lead single, preparava os ouvintes para esse novo capítulo da carreira de Demi, é a faixa de abertura, “Freak”, performada ao lado de YUNGBLUD, que dita o tom da obra. Movida pelo hard rock conhecido e pincelado nas investidas iniciais da cantora, é notável como Lovato se desvencilha das restrições que carregava alguns anos atrás e aposta em narrativas pessoais e que demonstram sua raiva contra a execrável normatividade e o modo como deve se portar dentro de uma sociedade bem tradicionalista. É costumeiro que enxerguemos essa atitude da artista como enraivecida, mas, na verdade, ela só está colocando para fora o que sempre quis dizer (“eu sou o que sou, e o que sou é um pedaço de carne”)” – T.N.

Não deixe de assistir:

19. ANAÏS MITCHELL, Anaïs Mitchell

“Desde o singelo e atmosférico início de “Brooklyn Bridge” à nostálgica trama que protagoniza “Now You Know”, Mitchell se reafirma como uma das storytellers mais potentes da atualidade – e cada palavra suspirada e tecla apertada demonstra uma confiança íntegra e uma sutileza poética que já foram emuladas diversas vezes nos últimos tempos (ora, podemos até ver a essência da cantora em ‘Folklore’, que abandonou o costumeiro pop de Taylor Swift para uma criação mais reservada). A faixa inicial nos arremessa de volta para um cândido passado, uma “carta de amor” à cidade de Nova York, como ela bem descreveu em entrevista; a progressão oscila entre a balada e o anthem, nunca deixando que os instrumentos falem mais alto que uma belíssima rendição (“sobre a ponte do Brooklyn, eu e você no banco de trás” pode esbarrar no mero romance, mas prova ser uma fascinante epopeia epistolar)” – T.N.

18. COOL IT DOWN, Yeah Yeah Yeahs

A banda Yeah Yeah Yeahs é conhecida principalmente pela clássica canção “Heads Will Roll”, que se tornou um dos emblemas do Dia das Bruxas. Qual foi nossa surpresa quando, quase uma década mais tarde, o grupo fez um grandioso retorno com o álbum ‘Cool It Down’ – trazendo todos os elementos que imortalizaram sua imagem, incluindo os aspectos mais gritantes do rock alternativo. Conquistando uma indicação ao Grammy 2023 (e tendo chances consideráveis de ganhar), o compilado também nos presenteia com uma colaboração de Perfume Genius e merece lugar na nossa lista.

17. EMAILS I CAN’T SEND, Sabrina Carpenter

“Talvez o aspecto mais divertido e interessante do disco seja a forma como a artista realmente deixa se levar por eventos íntimos – durante uma entrevista à Teen Vogue, inclusive, ela disse que compôs as canções a partir de e-mails que mandava para si mesma e que, definitivamente, não poderia enviar para quem queria. Mostrá-los ao mundo é um testamento de que não se arrepende do que escreveu, e sim de que forma seus pensamentos antigos dialogam com quem é na atualidade. É nesse prospecto que surge a ótima “Vicious”, uma track em mid-tempo que flerta com o pop-rock e o pop alternativo explorado por Selena Gomez em “Bad Liar” e até mesmo com as tendências de distorção promovidas por Billie Eilish e Olivia Rodrigo nos últimos anos: “eu te amei, mas queria não ter te amado” é, de fato, um verso com o qual boa parte dos ouvintes pode se relacionar – e que resume bem o que ela quer nos passar” – T.N.

16. CHLOË AND THE NEXT 20TH CENTURY, Father John Misty

O quinto álbum de estúdio de Father John Misty, nome artístico de Josh Tillman, configura-se como seu primeiro lançamento de originais desde 2018. ‘Chloë and the Next 20th Century’ foi recebido com aclamação imediata por parte dos críticos e do público, em virtude de versos eximiamente bem escritos e a promoção de um retorno ao passado, em composições que misturam jazzfolkswing. Mais do que isso, Tillman constrói um cânone à sua própria arte, talhando uma história de intimidade invejável que se relaciona em diversos níveis com quem ouse ouvir um dos melhores discos de sua carreira.

15. POMPEII, Cate Le Bon

Cate Le Bon é provavelmente um nome que você não conhece – e confesso que, até seu mais recente compilado de originais aparecer nas dicas do Spotify, também nunca tinha ouvido sequer uma música dela. A cantora e produtora escocesa lançou seu sexto álbum de estúdio em fevereiro de 2022 e gerou uma vertiginosa aventura pelo art pop, revelando suas predileções pelo city pop japonês e incrementando cada composição com um pungente synth-pop. Com apenas nove faixas e menos de 45 minutos, Le Bon surpreendeu a todos com um produto absolutamente fantástico e que merece ser apreciado em sua completude.

14. CAPRISONGS, FKA Twigs

“Não é apenas o conceitualismo que fala mais alto nesta obra – pelo contrário, os movimentos realizados por FKA Twigs e por uma gama gigantesca de produtores e compositores criam picos e vales de significações múltiplas, que variam desde audaciosas progressões até reflexões mercadológicas. Dessa maneira, “honda” nos chama a atenção por manter-se fiel à identidade da performer e por fornecer um lado mais costumeiro, por assim dizer, permitindo que ela brinque com aspectos como o atabaque, o kissange e o corpo gospel. Além disso, a parceria com o rapper Pa Salieu carrega uma química categórica, reafirmada pelo fraseamento divertido e bastante rítmico de cada verso, que foge das obviedades e nos engolfa em uma aventura aprazível e completa” – T.N.

13. SPECIAL, Lizzo

“O disco, composto por doze faixas originais na versão padrão, serve como um testemunho da própria Lizzo ao que ela já havia entregado nos anos anteriores. Se ‘Cuz I Love You’ havia apostado em uma construção mais cinemática e dançante, tais aspectos seriam trazidos para o novo universo que arquitetara em Special. Entretanto, é sempre necessário perceber como a discografia da performer é marcada por reinvenções que reiteram sua sagacidade em construir uma narrativa crescente, que oscila das incursões mercadológicas a um amadurecimento estético de tirar o fôlego. E, levando isso em consideração, o elemento inesperado vem com sua regressão a um passado não muito distante, em que nomes como Diana RossPrince e Janet Jackson dominavam as paradas e utilizavam a fusão de múltiplos estilos para se eternizarem no cenário fonográfico” – T.N.

12. HOLD THE GIRL, Rina Sawayama

“Há algo de mágico que permeia cada uma das músicas assinada pela artista, que parece nos impedir de encontrar qualquer defeito; eles existem, é claro, mas soam como tendo um propósito, uma camada a mais de rebeldia que auxilia na construção das várias camadas. “Phantom”, por exemplo, dá às caras em um longevo enredo que, apesar das repetições, cria um cosmos tão receptivo que é impossível escapar dele – reverenciando o fabulesco estilo de Taylor Swift e Carrie Underwood no começo de suas respectivas carreiras; “Forgiveness”, por sua vez, ascende como uma peça retirada das trilhas de Theodore Shapiro, não em um mero espectro emprestado, mas sim remodelado com a beleza sutil do soft-rock e do ritmo cintilante dos baixos” – T.N.

11. DAWN FM, The Weeknd

“O ápice de criação vem pelo mote do qual o álbum se vale – afinal, o título em si já é uma brincadeira metalinguística com as estações de rádio e com a popularização desse recurso nas décadas anteriores. Para unir essas peças, temos a ilustre presença de Jim Carrey como o narrador e o apresentador do “programa”, transformando o lúdico jogo em um etéreo conto que convida os ouvintes para uma mística jornada pelo anoitecer e pelo amanhecer. A consciente estrutura da obra, dessa maneira, reafirma que ‘Dawn FM’ não é apenas uma produção fonográfica, mas uma experiência multimídia que arranca músicas irretocáveis de um dos maiores nomes da música atual” – T.N.

10. CRASH, Charli XCX

“A obra é uma enorme mixórdia de diversos estilos que, fundidos com um objetivo específico, irrompem em resultados mágicos que só alguém com o nível criativo de Charli e de seus inúmeros colaboradores poderia criar – e devo dizer que, pelo fato de assinar todas as tracks, a cantora tem controle completo do que quer fazer. No geral, somos presenteados com um resumão do que a indústria fonográfica foi capaz de fazer, desde a intensa faixa-titular, que abre de forma irrefreável, até a ode ao electro-house e ao power-pop dos anos 2000 com “Used To Know Me”, pegando elementos emprestados de Steve Angello e Laidback Luke com a memorável “Show Me Love”“. – T.N.

9. THE GODS WE CAN TOUCH, AURORA

“O álbum não é uma mera declaração artística, mas uma epopeia bíblica que perpassa pela história da humanidade sem se deixar levar pelas fórmulas a que estamos acostumados. É nesse âmbito que “Heathens”, cujo título já demonstra uma promissora narrativa, funciona como uma crítica transparente e coesa ao fato de que, segundo as entidades onipotentes que nos criaram, somos todos pecadores e “vivemos como pagãos”, repetindo o verso inúmeras vezes como parte de uma jornada à compreensão e à lucidez. Algo parecido ocorre na sensualidade agourenta de “Artemis”, que se mostra comedida e esconde seus verdadeiros significados pela suavidade de uma performance familiar e magnético. Em “Everything Matters”, a colaboração entre AURORA e a cantora francesa Pomme é uma verborrágica constatação ethereal-trap de que o que fazemos importa – nem que seja para nós próprios” – T.N.

8. MULTITUDE, Stromae

Como já mencionado, 2022 se tornou um ano de retornos aplaudíveis ao cenário fonográfico – e diversos artistas da década passada aproveitaram o crescente “retorno à normalidade” para fazerem o que fazem de melhor. Este foi o caso de Stromae, musicista belga cujo último álbum havia sido em 2013. Felizmente, o performer voltou com tudo este ano com o impecável ‘Multitude’, uma explosão eletrônica de faixas ácidas e pungentes que arrebatou qualquer um que o tenha escolhido para colocar nas playlists.

7. FOSSORA, Björk

“A artista escolheu “Atopos” como a faixa de abertura dessa inesperada jornada e como lead single – e a própria nomenclatura da música já indica o que podemos esperar do álbum. Se você nunca ao menos cruzou caminho com uma canção composta por Björk, digo que nenhuma das escolhas é por acaso e que cada engrenagem pertence a uma macroestrutura que rompe com as barreiras sonoras e expande-se para teoremas filosóficos e análises sociológicas sobre o homem em si e dentro da sociedade. É a partir daí (e resgatando o conceito de atopia e da efemeridade das sensações de Roland Barthes) que a primeira track insurge, como um arauto do nada e do não-lugar: “estas não são apenas desculpas para se conectar?”, ela pergunta a um interlocutor invisível, destacando a fugacidade de um relacionamento cujos problemas não importam” – T.N.

6. DANCE FEVER, Florence + The Machine

“Analisar um álbum de Florence, ou, como conhecemos seu ato musical ao lado de Isabella SummersFlorence + the Machine, nunca é um trabalho fácil, pelo fato das músicas não se encaixarem essencialmente em um gênero bem demarcado. Sua última incursão, High as Hope, fincou os pés em um coming-of-age sinestésico pincelado por diversos estilos sonoros – e, agora, atingindo uma maturidade surpreendente, retornamos com uma agressiva e aplaudível mixórdia estilística que já se inicia com a potente “King”, um dos singles oficiais do álbum. Enquanto a pessoalidade inalienável das produções anteriores abria espaço para reflexões íntimas e individuais, a canção em questão ergue-se em um empoderamento antêmico e discorre, ao longo de quase cinco minutos, sobre um dos principais que as mulheres continuam enfrentando: o sacrifício de sonhos em prol do forçoso papel lhes dado desde o nascimento” – T.N.

5. SUPERNOVA, Nova Twins

Dois anos depois de terem feito sua estreia oficial no mundo da música, Amy LoveGeorgia South, também conhecido como Nova Twins, retornaram com o aclamadíssimo ‘Supernova’ – facilmente uma das maiores surpresas de 2022. No compilado de onze faixas, o duo mistura rock alternativo, punk rockrap rock em uma profusão exemplar de faixar que falam sobre a experiência que ambas tiveram durante a pandemia de COVID-19 e os protestos contra o preconceito racial que se tornaram emblema crítico nesses últimos anos – funcionando como um processo de cura para si próprias.

4. MR. MORALE & THE BIG STEPPERS, Kendrick Lamar

Qualquer lançamento de Kendrick Lamar já é o suficiente para nos fazer parar com tudo o que estamos fazendo e conferir o que esse ícone da música contemporânea tem para nos entregar. Afinal, Lamar é responsável por alguns dos melhores álbuns de todos os tempos, como o memorável ‘To Pimp a Butterfly’; agora, em 2022, ele retorna com mais um projeto espetacular, intitulado ‘Mr. Morale & the Big Steppers’, que continua o projeto de descontruir os engessamentos musicais em uma crítica narrativa em hip-hop que imprime jazzbluesrap, arquitetando enredos de consciência social que nos envolvem desde as primeiras batidas.

3. AND IN THE DARKNESS, HEARTS AGLOW, Weyes Blood

“A estrutura do disco parece não seguir parâmetros a que estamos acostumados: o fraseamento de Mering divide os versos como bem deseja, picotando as sílabas poéticas para fornecer mais ritmo às canções, por exemplo. Mas a coesão existe, como um fio invisível que une as faixas em um reverberante chamber-rock e folk-rock: tais estilos aparecem com mais detalhamento em “Hearts Aglow”, uma iteração de quase seis minutos que fala sobre o medo de se apaixonar e de enfrentar o desconhecido; já em “The Worst Is Done”, temos homenagens a Joni Mitchell e Blondie em uma investida mais animada e ritmada que entra em conflito com a pungente narrativa (“eles dizem que o pior passou, mas acho que apenas começou”); “Twin Flame”, contrariando as orientações aos subgêneros do rock, traz aspectos do new age, principalmente pela proeminência de seu caráter mais subjetivo e regido por uma bateria suave e acolhedora” – T.N.

2. MOTOMAMI, ROSALÍA

ROSALÍA fez sua estreia no cenário fonográfico em 2017, com o lançamento de ‘Los Ángeles’ e, desde então, calcou um sucesso fenomenal que a colocou no centro dos holofotes. A cantora e compositora se tornou um ícone do resgate da cultura latina e das incursões fora do mainstream anglo-saxônico, criando histórias envolventes e emocionantes através de uma fusão de literatura e música. E é claro que ‘MOTOMAMI’ não seria diferente: seu terceiro álbum de estúdio é descrito como uma antêmica produção pessoal, íntima e declamatória, em que a performer mergulha de cabeça nos sentimentos que guardou pelos últimos três anos, traduzindo-os em um dos melhores discos conceituais de todos os tempos. Contando com nada menos que seis singles oficiais, a obra se estrutura no contraste de dois tipos de energia que existem inerentemente uma a outra.

1. RENAISSANCE, Beyoncé

“Temos um electro-trap e um synth-trap que se inicia com a sensual “Thique”, que migra para as dissonâncias robóticas e ecoantes de “All Up In Your Mind”, atravessa o uptempo marcante da autoconsciente “America Has a Problem” e culmina no ostensivo equilíbrio de electro-house e neo-disco de “Pure/Honey” (que é resumida pelo honrável verso “deve custar um bilhão para parecer tão bem”). Mas nada poderia nos preparar para a estonteante conclusão intitulada “Summer Renaissance, cujas conhecidas peculiaridades de Beyoncé são interpoladas pela clássica “I Feel Love”, honrando a parceria entre Summer e o imortal pai do disco Giorgio Moroder, em uma expressividade hi-NRG de tirar o fôlego” – T.N.

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Thiago Nollahttps://www.editoraviseu.com.br/a-pedra-negra-prod.html
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.

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