Hoje, os blockbusters estão cada vez maiores e mais caros. As produções megalomaníacas de Hollywood no fundo têm o propósito de entregar uma experiência de um verdadeiro espetáculo para o espectador. Afinal, só assim pode rivalizar com o advento das séries, das plataformas de streaming, das TVs em alta definição de telas gigantes e tudo que faça a audiência preferir permanecer em casa ao invés de ir até as salas de exibição. É bem verdade que o cinema tem recebido pancadas a torto e a direito de todo tipo de competição; sendo assim precisa constantemente se reinventar e ser cada vez maior e melhor. Ou seja, entregar algo que você não terá em casa.

O resultado disso é que temos cada vez mais produtos voltados ao público jovem (os adolescentes e crianças), uma vez entendido que eles são a maior fatia pagante deste tipo de serviço. Mas nem sempre foi assim. E nem precisamos voltar tanto no tempo. Olhando apenas 25 anos no passado, podemos notar um tipo diferente de superprodução. Essa foi uma época em que muitos cresceram e foi responsável pela formação cinéfila de uma geração. Neste passado não tão remoto assim, os filmes de maior sucesso e rentabilidade ainda resistiam como obras de entretenimento voltadas tanto para os mais novos quanto para os adultos. Este tipo de entretenimento mais maduro foi se perdendo com o tempo, abrindo espaço para superproduções de intermináveis coreografias de lutas ou que usem tantos efeitos visuais de computador que se comportam quase como desenhos animados ao invés de filmes com atores reais.

Seja como for, aqui trazemos para você mais uma matéria nostálgica, especialmente destinada para aqueles que acreditam que não se fazem mais filmes como antigamente. Aqui, iremos revisitar os grandes blockbustes de 25 anos atrás, que dominavam as bilheterias norte-americanas e mundiais. Esses foram Os Maiores Sucessos do Cinema que Completam 25 anos em 2021. Não esqueça de comentar e dizer se você lembra de todos eles. Confira.

10) Tempo de Matar



Começando por este primeiro item, podemos notar que o tipo de filme de entretenimento dos anos 90 era bastante diferente dos atuais – dominados pelos super-heróis da Marvel. Aqui tínhamos um outro tipo de herói: um advogado sulista tentando livrar um homem negro, que se vinga dos estupradores de sua pequena filha, da pena de morte numa região ainda muito racista dos EUA. A fonte de adaptação também era outra: um livro do romancista John Grisham, ao invés de quadrinhos. Uma superprodução adulta da Warner, o filme do saudoso Joel Schumacher conta com um elenco renomadíssimo, de nomes como Sandra Bullock e Samuel L. Jackson, e ainda serviria de revelação para o então iniciante Matthew McConaughey – o protagonista. Com um orçamento de US$40 milhões, o filme faturou US$152 milhões mundiais.

09) A Gaiola das Loucas

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Sim, essa era a época onde uma comédia com fortes entrelinhas políticas e sociais conseguia figurar entre as 10 maiores bilheterias do ano. Remake de um sucesso francês de 1978, a versão norte-americana é tão boa quanto e fez enorme estrondo quando lançada há 25 anos. Em partes, devido à direção precisa do talentosíssimo Mike Nichols (A Primeira Noite de um Homem). Em partes, devido ao elenco de peso, que acerta de forma precisa o tom dos personagens. Em especial o saudosíssimo Robin Williams na pele de um dono de boate gay de Miami. Seu filho deseja se casar com uma moça. Mas só tem um problema: o pai dela é um político extremamente conservador, vivido pelo grande Gene Hackman. Agora ele precisa “sumir” com seu estilo de vida, o que inclui o companheiro afetado (Nathan Lane), e fingir ser hétero. A comédia da United Artists custou US$31 milhões e arrecadou US$185 milhões mundiais.

08) O Professor Aloprado



Outra comédia de muito sucesso dos anos 90, e outra refilmagem de um clássico. A diferença dos remakes desta época é que tentavam trazer originalidade e diferencial em relação a seus materiais fonte. Veja este caso da reimaginação do clássico com Jerry Lewis da década de 60. No original, Lewis vivia um professor tímido e nerd, que consegue uma fórmula e se transforma num “pegador”, refletindo muito da personalidade do amigo Dean Martin. A repaginada era dada pelo gênio do humor Eddie Murphy, neste filme que marcou seu retorno ao sucesso e às grandes bilheterias. Além da óbvia troca representativa racial, Murphy cria seu professor introvertido com muitos quilos de sobrepeso – e para isso foi feito um soberbo trabalho de maquiagem. A Universal Pictures gastou US$54 milhões na produção, mas viu de volta impressionantes US$273 milhões mundiais.

07) Jerry Maguire – A Grande Virada

Há 25 anos, Tom Cruise estava no topo da cadeia alimentar de Hollywood. Passadas mais de duas décadas e Cruise, embora uma figura polêmica (de certa forma), conseguiu se manter no topo, protagonizando alguns dos filmes mais caros e rentáveis da indústria. Para o astro de Top Gun, pouca coisa mudou (apenas a idade, a aparência nem tanto). Aqui, protagonizava um sucesso de certa forma inesperado. Esse não é um filme de ação, tiros e explosões. Mas sim um drama mais intimista e romântico, sobre um agente esportivo que perde seu emprego e precisa se reinventar. O filme cativou o grande público e com um orçamento de US$50 milhões, fez para a Columbia Pictures (Sony) uma bilheteria de US$273 milhões mundiais.

06) O Preço de um Resgate

Presente no acervo atual da Netflix para todos aqueles que quiserem degustar deste eletrizante thriller que fala sobre o pior pesadelo de qualquer pai: o sequestro de seu filho pequeno. No auge de sua fama, o astro Mel Gibson é quem estrela e explora seu lado humano e dramático como em poucos filmes. O ator se envolve pessoalmente na trama, já que na vida real é pai de nove filhos. Gibson interpreta um milionário que tem o filho sequestrado e começa a viver uma jornada truculenta para recuperar a criança intacta – o que inclui colocar a cabeça dos sequestradores à prêmio. O filme da Touchstone Pictures (subsidiária da Disney) é dirigido pelo vencedor do Oscar Ron Howard, custou US$70 milhões e arrecadou US$309 milhões mundiais.

05) 101 Dálmatas

Esse ano, o filme Cruella fez enorme sucesso ao trazer a estrela Emma Stone no papel título da vilã ainda na juventude, contando como a personagem teve se início e se transformou na icônica caçadora de dálmatas. Mas é só voltarmos 25 anos no tempo para nos depararmos com a primeira versão em live-action do adorado desenho da Disney da década de 60. Neste filme, a escolha da intérprete da vilã foi certeira, com a grande Glenn Close dando tudo de si e se divertindo horrores na pele da personagem. Esse primeiro remake em live-action da Disney custou US$75 milhões ao estúdio e arrecadou em bilheteria US$320 milhões mundiais.



04) A Rocha

Primeiro filme de ação da lista, aqui temos uma aventura no melhor estilo de espiões a la 007. De fato, o filme conta com o primeiro e único James Bond em pessoa, Sean Connery. Se eu te contasse, você provavelmente não acreditaria, mas houve uma época em que Michael Bay verdadeiramente fazia bons filmes. E esse é um deles. Em seu segundo longa para o cinema, Bay entregava para a Hollywood Pictures (subsidiária da Disney) uma história sobre um ex-agente secreto voltando à ativa, papel do veterano Connery, que muito bem poderia ser uma versão de 007. Ao lado de um especialista em armas químicas (Nicolas Cage recém-saído de sua vitória no Oscar), o espião precisa se infiltrar na prisão desativada de Alcatraz (apelidada de A Rocha) e parar um militar de alta patente renegado e sua tropa. A Rocha, num orçamento de US$75 milhões, atingiu a marca de US$335 milhões mundiais.

03) Missão: Impossível

Os blockbusters da década de 90 eram tão diferentes que esta adaptação de um clássico seriado dos anos 60 se comporta mais como um típico filme complexo de espionagem e suspense, do que com um longa de ação repleto de adrenalina. Não me leve a mal, Missão: Impossível ainda tem sua cota de momentos pra lá de eletrizantes e surreais, como a cena final com o trem, o helicóptero e o túnel. Mas é que se comparado com o que viria na franquia, este primeiro episódio é até bem contido. A propriedade foi comprada pelo astro Tom Cruise e já rendeu seis filmes, com o sétimo pronto a estrear no ano que vem. Mas tudo começava aqui há 25 anos, neste longa que carrega no gênero thriller graças à direção do mestre Brian De Palma. O filme da Paramount custou US$80 milhões e arrecadou expressivos US$457 milhões.

02) Twister


O astro Tom Cruise revitalizava a marca Missão: Impossível para os anos 90 e marcava um golaço, realizando um verdadeiro fenômeno de bilheteira. O filme foi um dos maiores sucessos de 25 anos trás, com apenas dois filmes capazes de desbanca-lo financeiramente. Um deles foi essa superprodução da Universal Pictures que contava com um verdadeiro ás na manga: a presença do produtor Steven Spielberg. Então recém-saído do assombroso fenômeno Jurassic Park (1993) que, entre outras coisas, serviu para implementar a técnica dos efeitos especiais gerados por computadores (o chamado CGI), Spielberg ficaria quatro anos sem dirigir um filme, mas usaria as mesmas técnicas de efeitos que criaram os dinossauros, desta vez para criar tornados tão agressivos quanto os seres pré-históricos. Hoje, muitos podem considerar Twister vazio e inconsistente, mas na época o filme foi fortemente vendido por seus efeitos impressionantes e de qualidade extrema, se comportando quase como uma ida a um simulador de parque de diversões. Com um orçamento de US$92 milhões, o filme rendeu US$494 milhões para o estúdio.

01) Independence Day

O grande campeão de bilheteria e popularidade de 25 anos atrás foi Independence Day, filme sobre uma invasão alienígena em grande escala na Terra como nunca havia sido vista antes nas telonas de cinema. Não tem para ninguém. Independence Day, junto com Missão: Impossível e Twister formam a trindade das grandes bilheteiras deste quarto de século passado, ajudando assim a reformular os blockbusters para os novos tempos. Embora utilize efeitos visuais gerados por computadores e telas verde, grande parte da confecção deste longa de Roland Emmerich foi criado da forma tradicional, com miniaturas e explosões reais. Antes, filmes com tal temática eram considerados filmes B do cinema e prosperaram muito na década de 50. O que esta superprodução fez foi trazer essa história para o mainstream, gerando interesse do grande público. Como se não bastasse, o longa serviu para apresentar Will Smith como o próximo astro de Hollywood. Com um orçamento na casa dos US$75 milhões para a Fox, o filme lucrou US$306 milhões só nos EUA, e absurdos US$817 milhões mundiais, quase o dobro do segundo colocado, se tornando assim não apenas um campeão do ano, mas da década e da história da sétima arte.

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