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Vidas ao Vento

No mundo dos sonhos, tudo é permitido. Na realidade, tudo precisa ser vivido como a sensação gostosa de sentir o vento bater em nosso corpo. Contando a história real de Jiro Horikoshi, um dos maiores designers de avião da história da aviação, o premiado artista japonês Hayao Miyazaki volta aos cinemas brasileiros e promete cativar mais os adultos do que as crianças dessa vez. Seus traços marcantes são vistos a todo instante, deixando um sentimento de tristeza nos cinéfilos, pois, recentemente, Miyazaki anunciou sua precoce aposentadoria do cinema, assim, Vidas ao Vento pode ser o último trabalho desse genial cineasta.

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Em uma época de afirmação militar buscada por todas as grandes potências do planeta, toda a esperança da aviação japonesa se encontra nas mãos do sonhador engenheiro Jirô Horikoshi. O jovem míope sempre sonhou em ser um grande piloto mas por não ter todas as qualidades para tal se forma na universidade entre os primeiros da turma e se torna uma referência como designer de aviões. Quando consegue uma chance para trabalhar em uma grande fábrica, Jirô precisará sonhar cada vez mais para realizar seu feito mais marcante. Ao mesmo tempo, encontra o grande amor que sofre com uma doença maligna.

Hayao Miyazaki fala sobre o sonho em forma de animação e de uma maneira madura. A fórmula acaba se transformando em um filme feito mais para os mais velhos que para todas as idades. Fazendo com que Vidas ao Vento se diferencie de outros projetos desse grande idealizador. Os problemas japoneses de décadas atrás são expostos de maneira delicada. A recessão econômica que atingiu terrivelmente a economia da terra do arroz, as dificuldades com a natureza enfrentadas até hoje por conta de sua localização geográfica, as críticas da população ao governo são alguns dos fatos que ganham destaque na história.

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Em meio a um turbilhão militar que se instaura na trama (o próprio Myiazaki sofreu inúmeras críticas lá fora por conta disso), uma surpreendente e linda história de amor ganha contornos épicos e conquista a simpatia do público pela leveza que adiciona ao filme. Por mais que se estenda um pouco além do necessário, Miyazaki consegue mais uma vez realizar um belíssimo trabalho que conquistará a todos que são fãs de seus filmes e de todo mundo que ama cinema. Que o vento abra suas asas e chegue até você. Bravo!

RoboCop (3)

Mesmo não se aprofundando em críticas sociais, novo RoboCop é um filme original, de trama inteligente e ritmo eletrizante.

Algumas pessoas se enganam a respeito de RoboCop – O Policial do Futuro (1987), de Paul Verhoeven, por ter em mente apenas a figura canastrona do lento ciborgue policial que, seguindo diretrizes organizacionais, ia pras ruas matar bandidos e aplicar violentamente leis impostas. Porém, estas não se atentaram aos principais tópicos que nele são abordados, como ampla crítica social, capitalismo exacerbado e a influência do poder político e judiciário, em meio a todo caos das ruas de Detroit. E que trazia, além do lado indutivo, cenas impactantes, diálogos primorosos e efeitos práticos que permanecem intactos até hoje.

Sabendo disso, fica clara a ligação do cineasta brasileiro, José Padilha, ao clássico de Verhoeven, já que toda sua carreira foi, praticamente, em cima desses temas. Principalmente no petardo Tropa de Elite (2007), que também trazia uma espécie de RoboCop, aqui chamado de Capitão Nascimento. Onde, manipulado pelo sistema, decidiu, através de seu cargo, pôr em prática a justiça com as próprias mãos. Sendo deveras uma boa aposta da Sony, que pretende trazer de volta a franquia que, em outrora, fez tanto sucesso – pegando carona, também, nos filmes de super-heróis, subgênero que é o maior filão da indústria cinematográfica americana.

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E, sim, é louvável como Padilha conduziu este trabalho, criando uma narrativa sóbria, mas chocante, a ponto de nunca parar; parece que algo de importante está sempre acontecendo em tela. Mesmo num filme de estúdio, na sombra do PG-13, o diretor conseguiu introduzir seu habitual estilo documental, com câmeras nervosas, recheadas de planos detalhes, acompanhando, de perto, as cenas ilustradas. Que, pela ótica cominada, tem lá seus momentos crus e impactantes. Assim como o roteiro de Joshua Zetumer é enxuto e certeiro – também possuindo uma tola conclusão –, em que, ajudado pela montagem da dupla Peter McNulty e Daniel Rezende, parece seguir o estilo linear do mestre Jorge Amado, de deixar sempre o leitor ansioso pelo próximo parágrafo – aqui seria a próxima tomada.

Mesmo sem tanto carisma, Joel Kinnaman (The Killing) convence como o policial, pai e marido, Alex Murphy, por conferir um ar natural, e mais ainda como Robocop, pelo seu trabalho corporal, que em nenhum momento soa falso. Mas é em nomes como Gary Oldman (O Espião Que Sabia Demais), Michael Keaton (Batman) e Jackie Earle Haley (Watchmen: O Filme) que se concentram os papéis mais verdadeiros do conto. Todos ambiciosos, que usam a falácia do “bem de todos” para pôr em prática atrocidades – embora que o personagem de Oldman venha se redimir depois.

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Destaco também a presença de Samuel L. Jackson (The Avengers – Os Vingadores), que mais parece o repórter policial José Luiz Datena, por sua constante luta pela barbárie e dos discursos travestidos em apoio a violência radical – provavelmente, mais uma cínica alfinetada de Padilha, assim como havia feito em Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora É Outro, no polêmico Fortunato, vivido por André Mattos.

Alguns aspectos mais técnicos, como a fotografia de Lula Carvalho (À Beira do Caminho), tem função de deixar o clima frígido, através de lentes azuladas, mas ao mesmo tempo limpas, fazendo uma rima pontual com a personalidade de Alex e o robô que se tornou. Ou na trilha sonora assinada por Pedro Bromfman (Mataram Irmã Dorothy), que aparece como auxílio narrativo, apenas para pontuar algumas cenas aludidas. Inserindo, até, em alguns momentos, a passagem mais marcante da composição de Basil Poledouris, do primeiro filme da franquia, que, sim, empolgará os fãs de longa data.

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Não podemos garantir que a investida surtirá efeito no quesito comercial – até mesmo porque sua estreia nos EUA não foi tão agradável –, mas, do ponto de vista artístico, o reboot de RoboCop não faz feio a sua obra de origem e consegue superar todas as terríveis continuações. Pois, ainda que não tenha a mesma proposta fílmica do anterior, possui um ritmo eletrizante, é detentor de uma trama inteligente, que consegue prender a atenção do espectador, do início ao fim, impetrando êxito total no que se refere a entretenimento.

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A Tropa de Elite do Futuro

A onda de refilmagem que assola Hollywood de maneira desenfreada desde a década passada finalmente chegou ao que havia de mais sagrado dentro do cinema mainstream: os clássicos da era de ouro dos blockbusters – os filmes dos anos 1980. O conceito dos blockbusters foi criado em 1975 com Tubarão e dizem respeito a filmes que todos precisavam assistir. Tais filmes arrastavam verdadeiras multidões aos cinemas como nunca anteriormente. Apesar do início em meados dos anos 1970, o conceito só se estabeleceu realmente na década seguinte, os anos 1980.

Nesta época estão contidos alguns dos mais importantes sucessos que ajudaram a definir o que conhecemos de Hollywood. Filmes como De Volta para o Futuro (1985), Os Caça Fantasmas (1984), Rambo (1985), Os Gremlins (1984), E.T. (1982) e tantos outros. Mais pra o final dela, mais precisamente em 1987, chegava um filme como nenhum outro do pacote. Robocop – O Policial do Futuro, escrito por Edward Neumeier e Michael Miner e dirigido pelo holandês Paul Verhoeven, misturava ficção científica com muita ação na hora de contar a história do policial dado como morto, cujo corpo volta a funcionar mesclado com uma máquina.

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O que chamava a atenção, no entanto, era o subtexto político e seu teor de grande sátira social. Tudo somado a uma ultraviolência jamais vista anteriormente e uma narrativa igualmente incomum (que dividia o andamento do filme com comerciais de produtos incríveis). Extremamente irônico, Robocop (1987) atropelou o mundo, que ficou sem saber o que o atingiu e mostrou que o cinema entretenimento casava muito bem com um conteúdo inteligente. Muitos anos mais tarde e o anúncio de que este clássico moderno receberia uma roupagem atual deixou os entusiastas em polvorosa.

As refilmagens já se tornaram um fato comum. As desnecessárias mais ainda. As mal sucedidas então são a maioria. Recentemente, outro filme de Verhoeven, O Vingador do Futuro (1990), ganhou nova versão e morreu na praia. As chances estavam todas contra. O anúncio de que o comandante da obra seria o brasileiro José Padilha (Tropa de Elite 1 e 2) sem dúvidas deixou nosso povo esperançoso e feliz. No entanto, outros cineastas conterrâneos não emplacaram como deveriam na maior indústria do cinema (Heitor Dhalia com 12 Horas e Walter Salles com Água Negra).

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Padilha sem dúvidas é talentoso, mas até aonde iriam suas vontades perante estúdios grandes e poderosos como a Sony e a MGM? Após ter assistido ao produto final é seguro dizer que RoboCop é um produto quase 100% de José Padilha. O diretor insere inclusive um estilo muito próximo de ação do que é visto em Tropa de Elite, em especial na cena aonde Alex Murphy e seu parceiro saem a tiros de um encontro que “azedou” em um restaurante. Enquanto o Robocop original servia como sátira e previsão de para onde estávamos caminhando como sociedade, o novo filme de Padilha funciona mais fincado na realidade e explora a discussão de alguns fatores que em breve serão colocados em pauta.

O principal deles, que serve de mote para a obra é a substituição de soldados humanos em conflitos internacionais pelos chamados drones – robôs altamente tecnológicos. Ao vermos a abertura de RoboCop, somos levados a alguns anos no futuro, aonde a política americana permite o uso das criaturas mecânicas em ações fora do país. Num país do oriente médio, os robôs americanos pacificam conflitos. Tudo é televisionado. Esta é uma das melhores cenas de abertura para um blockbuster recente, que serve para nos imergir instantaneamente na trama e ao mesmo tempo preparar o que está por vir.

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O veterano Michael Keaton (o primeiro Batman do cinema) vive Raymod Sellars, uma espécie de Steve Jobs dos robôs (como define o próprio diretor) e presidente da nova e inescrupulosa OminiCorp, antiga OCP – a empresa maligna que privatiza setores do governo, como a polícia de Detroit no filme original. Sellars é bem delineado como um megaempresário apoiado pelo governo e pela mídia. Os comerciais de muito humor negro do original são substituídos pelo programa de extrema direita, apresentado pelo personagem de Samuel L. Jackson. A sátira existe aqui também e ela recai na Fox News, motivo de chacota nos Estados Unidos.

Outro personagem que ganha destaque é o médico cirurgião e especialista em robótica como substituição de membros e órgãos, Dr. Dennett Norton, papel de Gary Oldman (Conexão Perigosa). O núcleo do personagem de Oldman serve para inserir outro texto ao filme, igualmente embasado na evolução de algo já presente e em andamento em nossa sociedade. Ah sim, temos também a história de um tal de Alex Murphy, o único personagem mantido da versão original, que é também o protagonista. O sueco Joel Kinnaman é o escolhido como a nova face (e mão) do herói. A beldade talentosa Abbie Cornish (Sete Psicopatas e um Shih Tzu) também tem destaque como a esposa do protagonista.

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Apesar de aparentemente possuir tudo contra, RoboCop surpreende e é um filmaço. Talvez não seja tão significativo quanto sua contraparte foi para sua época respectiva, mas é seguro dizer que a nova versão está bem longe de ser um produto hollywoodiano medíocre e voltado apenas para o entretenimento sem uma ideia sequer para salvá-lo. A obra de Padilha possui muitas ideias e diversos elementos dignos de discussão. Todo conteúdo planejado pelo diretor funciona bem e o cineasta tem espaço o suficiente para explorar os assuntos que pontuam a produção.

Além de tudo isso, o novo RoboCop é incrivelmente bem sucedido na forma como apresenta e destaca cada um dos seus inúmeros personagens. Todos tem uma razão. E obviamente, capricha nas cenas de ação e nos efeitos visuais, tudo é claro ajudando a contar a história e não ao contrário. Se para mais nada, o novo RoboCop entrará para a história como o filme mais caro que deu voz e autonomia para um cineasta brasileiro em Hollywood. Violento, político, recheado de ideias e bons personagens. Sim, esse é um filme de José Padilha.

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O que é mais importante do que a segurança do povo? Resgatando com grande genialidade um super-herói esquecido de todos nós cinéfilos, o diretor brasileiro José Padilha surpreende o mundo do cinema no seu novo trabalho Robocop. Criando um remake infinitamente superior ao original do cineasta holandês Paul Verhoeven, Padilha utilizou os U$$ 130 milhoes que teve de orçamento de maneira inteligente focando nos fervorosos embates políticos sobre máquinas como forma de segurança mas sem esquecer as espetaculares cenas de ação que são necessárias nesse tipo de filme. Utilizando toda sua experiência no cinema e utilizando recursos tecnológicos avançados transformam Robocop, sem dúvidas, em um trabalho de primeira linha desse nosso grande diretor.

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Na trama, ambientada em 2028 na cidade de Detroit, conhecemos o incorruptível detetive Alex Murphy (Joel Kinnaman) que diariamente luta contra os criminosos da cidade, além de colegas de corporação extremamente corruptos. Certo dia, após chegar em casa depois de mais um dia cansativo, sofre um atentado na porta de casa ficando em estado grave, à beira da morte. Sua sorte é que a equipe do Dr. Dennett Norton (Gary Oldman) estava procurando exatamente um ex-policial que sofrera algum tipo de acidente para criar um robô de combate ao crime, financiado pelo bilionário Raymond Sellars (Michael Keaton). Alex então vira Robocop, um super policial, sem se esquecer de sua mulher e seu filho. Assim, luta contra o crime e busca sua verdadeira personalidade em meio ao caos político que se instaura em sua cidade.

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Uma importante contextualização no início do filme é uma das grandes sacadas do roteiro para que o público se sinta muito próximo das ações dos personagens. As vezes tratado como fantoche pelo magnata que o constrói, Alex Murphy / RoboCop é muito mais do que uma maquina contra o crime. A sensibilidade, a alma, o coração de Alex é muito bem conduzida pelas lentes certeiras de Padilha. Sentimos e entendemos as reações do personagem como se ele fosse um velho conhecido nosso. A questão da família também se torna importante, fazendo com que o personagem se desconstrua e se construa com brilhantismo.

Um dos motivos que faz esse remake superar o original homônimo é o fato de que sabe como explorar a relação pessoal do ex-detetive de maneira nua e crua, além de dar grande destaque a mídia exibicionista, comandada pelo inspirado Samuel L. Jackson que dá um show sempre que aparece em cena na pele de Pat Novak, sem esquecer em nenhum momento que trata-se de um filme de ação e por isso muitos tiros e cenas espetaculares recheiam inúmeras sequências.

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Um debate interessante sobre a ilusão do livre arbítrio em que o personagem título é exposto vai gerar opiniões diversas entre o público, o que claramente era uma das intenções do filme, jogar o público para dentro dos debates que ocorrem na trama. Assim, com direito a dedilhadas robóticas no violão, a participação especial de Frank Sinatra cantando “Fly me to the Moon” para o restabelecimento de boas memórias e um Samuel L. Jackson inspirado, Robocop crava de vez o nome de José Padilha como um dos grandes diretores de filmes de ação do momento atual do cinema mundial. Orgulho tupiniquim na terra do Tio Sam. Bravo!

12 Anos de Escravidão (2)

Steve McQueen é um dos melhores cineastas da atualidade. No entanto, o inglês, homônimo do falecido ator americano, não é conhecido do ‘grande público’ no Brasil. Seus dois primeiros filmes – Hunger e Shame – foram exibidos em festivais de cinema (Cannes e Veneza, respectivamente) com muito sucesso, e lançaram aos olhos do mundo o ator alemão Michael Fassbender. Com uma história real americana, McQueen vem chamando a atenção do público e da crítica e parece que, finalmente, será reconhecido também em solo tupiniquim. Porque 12 anos de Escravidão (12 years a slave), seu novo filme que estreia nesta sexta, 21, é uma das melhores produções dos últimos tempos.

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Baseado no livro homônimo de Solomon Northup, o longa conta a história do próprio Solomon (interpretado de forma ímpar por Chiwetel Ejiofor, de Coisas Belas e Sujas), violinista negro e alforriado em Saratoga, Estado de Nova York. Em 1841 ele foi sequestrado em Washington e vendido como escravo na Louisiana. Acompanhamos sua saga ao longo de 12 anos, quando passa por alguns senhores de escravo até chegar às mãos do cruel Epps (o sempre brilhante Michael Fassbender, de Shame), que açoita os escravos sem dó nem piedade.

Em sua sangrenta jornada, Solomon tenta esconder que sabe ler e escrever, para que sua formação não lhe custe a própria vida. Ele vê negros morrendo por nada, e tenta compreender o porquê da escravidão. Ainda assim, se mantém aparentemente passivo diante dos constantes abusos físicos que Patsey (a estreante Lupita Nyong’o) sofre de Epps, e a forma como isso vira agressão pelas mãos da esposa do senhor de escravos (Sarah Paulson, de Amor Bandido).

A passividade, porém, é puro instinto de sobrevivência. Não reagir com o corpo é corroer a alma e expressar no olhar. E aí entra a força da interpretação de Chiwetel Ejiofor – desde já uma das mais marcantes da história do cinema. Enquanto no dia-a-dia ele parece aceitar aquela vida injusta, seus olhos dizem outra coisa. O desespero, o pavor e o pedido de socorro que são vistos claramente no olhar de Solomon/ Ejiofor fazem o espectador querer entrar na tela para salvá-lo. Reparem na cena do enterro de um escravo, onde Solomon canta e parece colocar para fora, pela primeira vez, a sua dor, expressa pelas palavras da música, e não apenas pelo olhar.

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No ótimo elenco que tem nomes como Benedict Cumberbatch (Star Trek Além da Escuridão), Paul Giamatti (Tudo pelo Poder), Paul Dano (Os Suspeitos) e (o também produtor do longa) Brad Pitt (Guerra Mundial Z), Michael Fassbender (parceiro de McQueen em todos os seus filmes) mais uma vez mostra porque é um dos melhores atores do mundo, e dá ao público outra atuação visceral e memorável. Já a revelação Lupita Nyong’o aparece o suficiente para garantir seu (merecido) Oscar de coadjuvante – o longa foi indicado em nove categorias, entre elas melhor filme, diretor, ator (Ejiofor) e ator coadjuvante (Fassbender).

Destacam-se também a trilha sonora de Hans Zimmer, a fotografia, o roteiro no ritmo certo e a direção impecável de Steve McQueen.

Muito se fala que 12 anos de Escravidão é um filme violento, uma espécie de Paixão de Cristo (filme de Mel Gibson) dos escravos. Discordo. A produção traz à tona uma história real sobre sequestro de escravos livres, algo que eu – e a maioria da humanidade – sequer imaginava que um dia tivesse acontecido. A violência de fato está lá – e sabemos que isso foi real – e vem num crescente, explodindo na cena em que Epps resolve castigar Patsey, já na parte final do filme. Não há nada de desnecessário ou abusivo nas cenas de sangue e lágrimas: McQueen apenas mostra corajosamente o que de fato aconteceu.

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Perdendo terreno na corrida para o Oscar para Gravidade e Trapaça, é de se espantar que alguém ainda tenha dúvidas de que 12 anos de Escravidão é o filme do ano. O tema é árido, existem cenas difíceis, mas diante de uma humanidade que insiste na discriminação – de negros, mulheres, homossexuais, judeus, idosos – este é o filme mais importante produzido nos últimos anos.

Se você tiver que escolher um filme, um único filme para assistir, veja 12 anos de Escravidão. Você vai ficar emocionalmente abalado, pode até chorar e ficar angustiado, mas ele é necessário para o mundo em que vivemos.

E se eu puder descrevê-lo em uma palavra, digo a vocês que 12 anos de Escravidão é devastador.

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Um dos grandes favoritos para conquistar muitas estatuetas do Oscar na próxima cerimônia da maior festa do cinema é um filme brilhantemente dirigido, com atuações primorosas e uma história que vai comover você por inteiro. 12 Anos de Escravidão, terceiro longa-metragem de Steve McQueen, e baseado na história real escrita por seu protagonista Solomon Northup, passa perto de ser uma obra-prima e deve agradar todo aquele que bate no peito e diz que adora filmes como Ben-Hur e Um Sonho de Liberdade.

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12 Anos de Escravidão conta a incrível história real da luta de um homem para sobreviver e enfim encontrar sua liberdade. O longa é ambientado antes da Guerra Civil dos Estados Unidos, e assim conhecemos o protagonista Salomão Northup (Chiwetel Ejiofor), um homem negro e livre do norte de Nova York. Certo dia, após aceitar trabalhar em Washignton, é raptado e vendido como escravo. A partir desse fato, sua vida entra em declínio e passa a viver situações humilhantes, cruéis, assim como gentilezas inesperadas de algumas pessoas que o tem como escravo. Tentando se manter o mais racional possível, o protagonista procura a sobrevivência diária em busca de sua liberdade tirada.

A atuação do ator britânico Chiwetel Ejiofor é uma das maiores interpretações dos últimos anos. Na pele do impactante protagonista, o artista de 36 anos chega ao ápice de sua carreira, deixando qualquer esperança de outro ator ganhar o Oscar se perder desde as primeiras cenas sem diálogos, onde o olhar diz mais que mil palavras, até as últimas quando nascem do destino uma chance de ter sua tão sonhada esperança de volta.

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Preocupado com os mínimos detalhes, para o espectador poder acompanhar mais de perto essa comovente história, o diretor britânico Steve McQueen executa um trabalho inaudito. Em todas as cenas, somos reféns do drama do personagem e, comovidos com toda aquela humilhação, torcemos para um desfecho no mínimo digno para esse corajoso ser humano.     Em breve, esse cineasta (com nome de astro hollywoodiano) será o diretor preferido de muitos cinéfilos. Merece não só uma indicação ao Oscar mas levar muitos outros prêmios por esse belo trabalho.

Depois dos excelentes trabalhos em Hunger e Shame, o ótimo ator alemão Michael Fassbender volta a fazer uma dobradinha de sucesso com McQueen. Com um semblante duro e ações de tamanha insânia, Fassbender rouba a cena em muitos momentos e assim, como todos vão perceber, tem muitas chances de ter a estatueta mais cobiçada pelos artistas de cinema em sua estante, concorrendo na categoria de Melhor Ator Coadjuvante na próxima cerimônia do Oscar.

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“Devemos construir diques de coragem para conter a correnteza do medo.” Essa frase do influente Martin Luther King elucida bem todas as características deste homem chamado Salomão Northup. Cativante, capaz de inspirar. Excruciante, capaz de gerar indignação. Fabuloso, capaz de tornar esse trabalho um dos retratos mais verdadeiros e cruéis sobre uma época repugnante da história mundial. Vocês não podem deixar de conferir, um filme inesquecível. Bravo!

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Elenco:

Sandra Bullock, George Clooney, Eric Michels, Basher Savage.

Direção: Alfonso Cuarón

Gênero: Ficção Científica

Duração: 90 min.

Distribuidora: Warner Bros. Pictures

Orçamento: US$ 80 milhões

Estreia: 11 de Outubro de 2013

Sinopse:

Bullock interpreta a Dra. Ryan Stone, uma brilhante engenheira médica em sua primeira missão espacial com o astronauta veterano Matt Kowalsky (Clooney) no comando do seu último voo antes de se aposentar. Mas durante uma aparentemente rotineira operação espacial ocorre um acidente. A nave é destruída, deixando Stone e Kowalsky completamente sozinhos, dependendo um do outro em um ambiente de total escuridão.

O silêncio ensurdecedor confirma que eles perderam qualquer ligação com a Terra… e qualquer chance de resgate. Conforme o medo vai se tornando pânico, o oxigênio que resta vai sendo consumido desesperadamente.

E, provavelmente, o único jeito de ir para casa seja encarar a imensidão assustadora do espaço.

Curiosidades:

» Sandra Bullock revelou que não usou maquiagem. “Alfonso, numa decisão brilhante, disse que não usaremos maquiagem. Deus me ajude quando eu aparecer na tela em close-up, sem maquiagem nenhuma. Já peço desculpas adiantadas”, brincou. O filme foi filmado em digital, e nosso rosto será ampliado cinco vezes nas telas do cinema. É assustador. Mas, graças a Deus, não há cenas de nudez”, finalizou.

» Por problemas de agenda, Robert Downey Jr. abandonou a produção.

» Angelina Jolie era a primeira escolhida para viver a protagonista feminina, mas acabou abandonando a produção. Ela foi substituída por Sandra Bullock. O drama é supostamente é semelhante a ‘Náufrago’, com Tom Hanks.

Trailer:

Cartazes:

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Fotos:

Diana

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Elenco:

Naomi Watts, Naveen Andrews, Cas Anvar, Mary Stockley, Daniel Pirrie, Charles Edwards, Raffaello Degruttola.

Direção: Oliver Hirschbiegel

Gênero: Drama

Duração: 113 min.

Distribuidora: Paris Filmes

Orçamento: US$ 20 milhões

Estreia: 18 de Outubro de 2013

Sinopse:

Diana conta a emocionante trajetória dos dois últimos anos de vida da famosa princesa de Gales (Naomi Watts). Depois de conhecer o cirurgião paquistanes Hasnat Khan (Naveen Andrewws), Diana vive um intenso romance com o médico, tornando-se então o grande amor de sua vida.

Curiosidades:

» Baseado em “Diana: Her Last Love”, livro de Kate Snell e dirigido por Oliver Hirschbiegel (A Queda! As Últimas Horas de Hitler).

» Inicialmente intitulado ‘Caught in Flight‘, o longa ganhou o título mais comercial ‘Diana‘.

» Naomi Watts (‘A Casa dos Sonhos’) interpreta Diana. Ela entrou no lugar de Jessica Chastain (‘A Árvore da Vida’), cujas negociações não vingaram.

» Roteirizado por Steven Jeffreys (‘O Libertino’).


Trailer:


 

Cartazes:

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Como Não Perder Essa Mulher

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Elenco:

Joseph Gordon-Levitt, Scarlett Johansson, Channing Tatum, Cuba Gooding Jr., Anne Hathaway, Julianne Moore, Amanda Perez, Brie Larson, Glenne Headly, Italia Ricci, Jeremy Luke, Lindsey Broad, Loanne Bishop, Rob Brown, Sarah Dumont, Tony Danza.

Direção: Joseph Gordon-Levitt

Gênero: Comédia Dramática

Duração: 90 min.

Distribuidora: Imagem Filmes

Orçamento: US$ 6 milhões

Estreia: 06 de Dezembro de 2013

Sinopse:

Jon Martello (Joseph Gordon-Levitt) é um cara sedutor, considerado um verdadeiro Don Juan moderno pelos seus amigos. Seu mundo gira em torno das coisas que lhe interessam, a academia, sua casa, seu carro, sua família, seus amigos e suas mulheres. Até que Barbara (Scarlett Johansson) aparece em sua vida mudando-a completamente.

 

Curiosidades:

»  Como Não Perder Essa Mulher é a estreia de Gordon-Levitt como diretor. Ele também estrela e roteiriza o filme.

 

Trailer:

Cartazes:

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Fotos:

 

Um Conto do Destino

A vida é um grande baile onde cada um tem seu papel na hora da dança. Com mudanças temporais constantes, um roteiro que não beira ao linear, a fábula épica Um Conto do Destino tinha tudo para ser mais um filme bobinho, esquisito e feito para ganhar dinheiro nas bilheterias mundo à fora. Só que o filme é salvo por personagens intrigantes e uma história sobre destino que no final das contas acaba convencendo. Vilões que se transformam em monstros, cavalos que voam e ajudam a justificar o destino, são alguns dos estranhos elementos que contornam a história criada por Mark Helprin e adaptada, produzida, dirigida pelo estreante em longas-metragens Akiva Goldsman.

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Na trama, conhecemos Peter Lake (Colin Farrell), um ladrão metido a mecânico que pulou de orfanato em orfanato quando criança. Quando Peter briga com seu chefe, o mafioso Pearly Soames (Russell Crowe), encontra um cavalo encantado (parece o cavalo da Tristar Pictures) e resolve fugir da cidade onde mora mas acaba conhecendo a bela Beverly Penn (Jessica Brown Findlay), que logo se torna o grande amor de sua vida. Assim, ultrapassando a barreira do tempo e lutando contra um destino às vezes injusto, Peter enfrentará muitos desafios em busca de um porto seguro, suas certezas e seu verdadeiro destino.

Um Conto do Destino é uma história delicada, cheia de carinho e ternura. Mas muita gente vai achar bobinha, cheia de mentirada e assuntos fantasiosos demais. Não deve existir meio termo, ou você vai amar ou odiar esse projeto. O que todos vão adorar é a belíssima trilha sonora assinada pelo craque Hans Zimmer que acaba sendo fundamental para as sequências. O espectador precisa assistir a esse filme de coração aberto. O poder dessa fábula fantasiosa é percebemos que dentro de uma história há elementos importantes que vemos todo dia em nossa realidade. Quando perdemos um grande amor, a vida passa a não ter mais sentido, vira um livro com dezenas de páginas em branco…quem não se identifica com isso?

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Nomes famosos no mundo do cinema preenchem lacunas importantes deixadas pela trama. Will Smith em um papel que nunca vimos ou imaginamos antes, Russel Crowe e sua cara fechada como embaixador das forças do mal, a delicadeza e olhar impactante da sumida Jennifer Connelly, o feijão com arroz de Colin Farrell que não compromete dessa vez, o equilibrado personagem de William Hurt e o grande destaque do filme, a novata vinda do mundo dos seriados Jessica Brown Findlay. Cada um desses contribui para que todos os personagens tenham seu espaço na história.

Um Conto do Destino mostra que fábulas ainda emocionam os nossos corações. Ensina, que somos máquinas simples que precisam do universo para poder funcionar. As lições são inúmeras e se deixar levar pela simpatia dos personagens é um dos caminhos para você comprar sua pipoca e assistir a essa produção a partir do dia 21 de fevereiro nos nossos cinemas.

CinePOPcast #8 – Os 25 Filmes Mais Esperados de 2014

O CinePOPcast está de volta, e nesse episódio Renato Marafon, Pimp(Mal)Marcel Camp e Dudu Chaves conversam sobre Os 25 Filmes Mais Esperados de 2014!!!

Este ano será um grande prólogo para o cinema, já que 2015 será um dos anos mais recheados de blockbusters da HISTÓRIA do Cinema. Porém, 2014 terá seus méritos!

Comentamos os filmes mais aguardados de 2014, e cada um elegeu os CINCO mais mais…

Ouça:

Baixe:

» Podomatic

 

Edição: Ipitácio Oliveira

 

Imperdível!

 

 

 

Joe

(Joe)

 

Elenco:

Nicolas Cage, Tye Sheridan, Heather Kafka, Sue Rock, Ronnie Gene Blevins, Adriene Mishler, Gary Poulter, Robert Johnson, Aaron Spivey-Sorrells, Dana Freitag.

Direção: David Gordon Green

Gênero: Drama

Duração: 117 min.

Distribuidora: Elite Filmes

Orçamento: US$ 4 milhões

Estreia: 

Sinopse:

Joe Ransom (Cage) é um ex-presidiário que vive preso ao passado. Alcoólatra e com profundos arrependimentos, começa a trabalhar em uma madeireira durante o dia, procurando uma vida comum. Ele acaba conhecendo Gary (Tye Sheridan), um jovem de 15 anos, e se torna o improvável modelo de comportamento para o adolescente, que  procura trabalho desesperadamente para conseguir sustentar sua família, cujo pai também é alcoólatra. Joe acaba se identificando com o menino, e os dois embarcam juntos em uma jornada de autoconhecimento.

Curiosidades:

»  O filme foi exibido no Festival de Veneza e o ator Nicolas Cage foi aplaudido pela imprensa por sua atuação.

Trailer:

 

Cartazes:

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Fotos:

Ligados pelo Amor

(Stuck in Love)

 

Elenco:

Greg Kinnear, Jennifer Connelly, Logan Lerman, Lily Collins, Kristen Bell, Nat Wolff, Liana Liberato, Michael Goodwin, Stephen King, Rusty Joiner.

Direção: Josh Boone

Gênero: Comédia Dramática

Duração: 97 min.

Distribuidora: California Filmes

Orçamento: US$ — milhões

Estreia: Nas Locadoras – Março de 2014

Sinopse:

Três anos depois de seu divórcio, o romancista experiente Bill Borgens (interpretado pelo indicado ao Oscar Greg Kinnear) não consegue esquecer o passado e espiona sua ex-mulher, Erica (a atriz vencedora do Oscar Jennifer Connelly), que trocou o marido por outro homem. Mesmo que sua vizinha e amiga colorida, Tricia (Kristen Bell) tente trazê-lo de volta à ativa, ele permanece cego aos encantos de qualquer um. Enquanto isso, sua filha independente Samantha (Lily Collins) está publicando seu primeiro romance e evitando seu primeiro amor com um romântico incurável (Logan Lerman); e seu filho adolescente, Rusty (Nat Wolff) está tentando encontrar sua voz, tanto como escritor de fantasia quanto como inesperado namorado de uma garota ideal que tem problemas perturbadores e reais. Cada uma dessas situações cresce e elas se transformam em um trio de crises românticas, o que leva os Borgens a surpreendentes revelações sobre como finais viram começos.

Curiosidades:

» —

Trailer:

Cartazes:

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Fotos:

Nebraska (2)

PAI E FILHO

“Seu pai tem Alzheimer?”, pergunta a moça. “Não. Ele acredita no que as pessoas dizem”, responde David (Will Forte), sobre seu pai Woody Grant (Bruce Dern). Esse dialogo fornece uma interessante chave para se compreender Nebraska, de Alexander Payne.

David assume a missão de levar o pai até a cidade de Lincoln, nos estado de Nebraska, mesmo sabendo que o prêmio de 1 milhão de dólares não passa de propaganda enganosa. Mas, como convencer o pai, depois dele tentar ir a pé?! Afinal, Woody está na fronteira da senilidade. Mais do que isso, ele é um crédulo.

No caminho, eles param em Hawthorne, cidade natal de Woody. Nela, ele reencontrará parentes e pendências, que gerarão situações ora engraçadas, ora constrangedoras; David encontram o passado de seu pai. Pelo meio do filme, Kate Grant (June Squibb), mãe de David, e Ross (Bob Odenkirk), seu irmão, dirigem-se à Hawthorne. Todos se unirão para proteger Woody das consequências de revelar para a cidade inteira que supostamente recebeu 1 milhão.

NEBRASKA

Em nenhum momento Woody tem sua boa-fé abalada. Até nos instantes mais difíceis ele continuará crédulo. Não dirigirá infâmias aos que lhe maltratam, nem deixará de acreditar no seu prêmio.

Como tantos road movies, o destino importa menos do que a viagem. Para David importa se aproximar do pai. Para o público, resta acompanhá-los, e pensar em coisas como: teríamos a mesma paciência dele? Estamos afastados de nossos pais? Por que nós não conseguimos ser tão crédulos quanto Woody? Quando ficarmos velhos, como seremos?

Você é o Próximo

(You’re Next)

 

Elenco:

Barbara Crampton, Sharni Vinson, AJ Bowen, Ti West, Nicholas Tucci, Amy Seimetz, Joe Swanberg, Kate Lyn Sheil, L.C. Holt, Lane Hughes.

Direção: Adam Wingard

Gênero: Terror

Duração: 95 min.

Distribuidora: Playarte Pictures

Orçamento: US$ 5 milhões

Estreia: Direto em Home Video 2014

Sinopse:

Durante um encontro aparentemente inocente, os Davison sofrem um ataque de natureza sádica. Quando Crispian Davison traz sua nova namorada para celebrar o aniversário de casamento de seus pais, o jantar familiar é destroçado assim que uma gangue de misteriosos assassinos com máscaras de animais começa a caçar a família com precisão brutal. O que os matadores não esperavam era que uma das vítimas tivesse um talento secreto e inesperado para reagir à altura.

 

Curiosidades:

» A direção é do prolífico realizador do gênero Adam Wingard (‘V/H/S’, ‘Autoerotic’).

» Simon Barrett (‘Força Maligna’, ‘V/H/S’) escreveu o roteiro.

Trailer:

Cartazes:

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Fotos:

Famosas sem Maquiagem

Todos nós sabemos que vaidade faz bem, e que todos gostam de se arrumar para sair ou tirar uma foto. Mas não tínhamos ideia dos milagres que estes maquiadores conseguem fazer.

Depois de ver as fotos desta matéria, você vai começar a chamar os maquiadores de Deuses.

Tá, exageros à parte, vamos ver o que esses mágicos conseguem fazer com o rostinho angelical (ou diabólico) destas famosas magníficas (ou melhor, só depois da sessão de maquiagem)!

Divirta-se, e cuidado para não se assustar…

 

Katherine Heigl

Jessica Biel

Drew Barrymore

Alicia Silvertone

Jennifer Lopez

Eva Longoria

Penélope Cruz

Jessica Alba

Salma Hayek

Cameron Diaz

Halle Berry


Hilary Duff

Pamela Anderson


Goldie Hawn

Nicole Kidman

Sharon Stone

Debra Messing

Courteney Cox

Jennifer Garner

Britney Spears

Emma Thompson

Winona Ryder

Lisa Kudrow

Christina Applegate

Katie Holmes

Lindsay Lohan

Assista também o assustador vídeo:

Ela (2)

O IMPROVÁVEL AMOR ENTRE ELE E ELA

 

Ela (Her), último trabalho do diretor Spike Jonze, tem agradado crítica e público. A sensibilidade do filme tem surpreendido positivamente muitas pessoas. Essa faceta do diretor era pouco perceptível. Jonze começou sua carreira nos videoclipes, é criador e produtor da série Jackass e em seus filmes mais conhecidos, Quero Ser John Malkovich e Adaptação, sua personalidade era o ofuscado pela persona do roteirista Charles Kaufman. Foi apenas em Onde Vivem Os Monstros, que foi possível nota sensibilidade e delicadeza de Jonze.

Em um futuro próximo, Theodore Twombly (Joaquin Phoenix), homem solitário e sensível, trabalha escrevendo cartas sob encomenda de desconhecidos. Ainda preso às lembranças do casamento desfeito, ele adquire um novíssimo sistema operacional. Dele ouve-se a vibrante voz de Samantha (Scarlett Johansson). Surge uma amizade, e ela torna-se amor.

O cinema já teve muitos amores improváveis. Se os ingredientes são mal combinados, o público não compra a história. Em Ela, Jonze se sai um alquimista! Não duvidamos em nenhum instante do amor de ambos. Dois grandes trunfos são o seu elenco e o roteiro.

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Joaquin Phoenix está em plena forma, especialmente se pensarmos que ele interage, em boa parte, com uma voz. Os pequenos gestos, a postura, o olhar, toda sua força expressiva é colocada para que o público capte a mudança da personagem: de um sujeito ainda apaixonado pela ex-mulher, para, paulatinamente, renascer como um homem apaixonado. É explícito como seu gestual se ilumina.

Mas o trabalho mais difícil cabe à Scarlett Johansson. Somente com a voz, ela dá luz a uma figura humana e complexa. Samantha não é apenas um programa, é uma mulher que ama e deseja conhecer a si e ao mundo. Em primeiro plano, não causa espanto Samantha ser um pessoa tão complexa. Mas, se pensarmos mais, assusta imaginar que muitas pessoas que conhecemos são bem menos profundas do que Samantha.

Não podemos deixar de citar as belas atuações de Amy Adams, como a amiga de Theodore, e Rooney Mara, como a ex-mulher Catherine. Esta tem papel fundamental no roteiro, como a causadora da primeira DR entre Theodore e Samantha. E essa crise é fundamental para enxergarmos a relação entre os dois como algo real. Aqui o mérito é do roteiro.

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Já favoritíssimo ao Oscar de Roteiro Original (venceu o prêmio do Sindicato de Roteiristas de Hollywood), Jonze apresenta uma carpintaria impressionante em seu roteiro. Além dos espetaculares diálogos, especialmente entre Theodore e Samantha, ele vai, camada a camada, dando densidade a essa relação. As crises e reconciliações do casal são fundamentais para o sucesso do filme.

Muito do encantamento do filme vem da sua representação de um amor platônico – no sentido mais filosófico do termo, de um amor puro, que não depende de interações físicas; um verdadeiro encontro de almas. Claro, isso não é todo tempo, pois o roteiro cuida de fornecer elementos que evoquem um relacionamento real.

O uso das cores é feito de forma inteligente, permitindo que os cenários ajudem a envolver o espectador nesse ambiente ora frio, ora apaixonante. O filme como um todo é bastante colorido, mas, cada cena é construída de maneira monocromática. Do céu às paredes, as cores, como o laranja, são empalidecidas.

Todo o trabalho com as cores, somado à composição de uma cidade futurista (Xanguai + Los Angeles) gera um ambiente estranhamente convidativo.

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Toda essa carpintaria serve para levar o espectador a pensar no significado do amor entre Theodore e Samantha. A falta de conexão entre as pessoas na atualidade parece-me a leitura mais simplista do filme. Em certas imagens, é mesmo uma leitura inescapável. Contudo, ficar nisso empobrece a obra.

As mutações sofridas pelos relacionamentos com as novas tecnologias (namorar à distância ficou mais fácil); nossa capacidade de se dedicar ao outro; nossa disponibilidade de mudar pelo outro. Em um mundo frio, e falsamente hiperconectado, estamos dispostos a escutar o outro por um tempo superior ao necessário para se chegar a um orgasmo? Estamos tratando nossos amigos, virtuais ou presenciais, com a mesma humanidade que Theodore e Samantha se tratam? O que o medo de sermos insuficientes para o outro nos provoca?

Ela, o filme, também nos aponta que, mesmo em um tempo de egoísmo e de isolamentos e falsas conexões, a necessidade de uma ligação profunda e real com o outro não nos abandona.

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A Mulher Invisível

(A Mulher Invisível)

 

Elenco: Selton Mello, Luana Piovani, Vladimir Brichta, Maria Manoella, Maria Luisa Mendonça, Fernanda Torres, Lúcio Mauro, Marcelo Adnet, Danni Carlos e Karina Bacchi.

Direção: Cláudio Torres

Gênero: Comédia

Duração: 110 min.

Distribuidora: Warner Bros.

Estreia: 05 de Junho de 2009

Sinopse:

Vivendo um casamento perfeito, Pedro (Selton Mello) acredita que é o homem que qualquer mulher desejaria ter. Porém, sua esposa Marina (Maria Luiza Mendonça) não acha o mesmo. Considerando ele muito chato, e o casamento monótono, ela resolve fugir com seu amante. A vida de Pedro desaba sobre sua cabeça, e mesmo com seu amigo Carlos (Vladimir Brichta) tentando insistentemente fazê-lo esquecer da ex, ele se isola do mundo e passa a viver trancado em seu apartamento, evitando contato com qualquer mulher.

Tudo muda, no entanto, em uma noite em que sua vizinha Amanda (Luana Piovani) vai até sua porta pedindo uma xícara de açúcar. Pedro logo percebe que ela é a mulher perfeita, e isto faz com que ele recupere sua auto-estima, seus amigos, o emprego e a vida que tinha antes de se fechar. À medida que se conhecem, os dois percebem que são muito parecidos em tudo, e que um não consegue mais existir sem o outro. O problema é quando Pedro descobre o motivo de tanta afinidade: Amanda, na verdade, é apenas um fruto da sua imaginação.

A Mulher Invisível passa a atormentar Pedro por onde quer que ele vá. Mesmo sabendo que Amanda não existe, ele não consegue se ver livre dela. Carlos, percebendo o problema do amigo, temendo que ele enlouqueça, decide ajudá-lo a continuar com sua vida normal, esquecendo de vez da Amanda, Marina, ou qualquer outra mulher que faça mal a Pedro. O que nenhum deles sabe, porém, é que a solução para os problemas está muito mais perto do que eles possam imaginar.

Curiosidades:
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Trailer:

Cartazes:

Fotos:

 

 

Oldboy – Dias de Vingança

Quando se encontra a liberdade, o resto é silêncio. Com a difícil missão de criar um remake de um dos filmes orientais mais aclamados por crítica e público em toda a história do cinema, o diretor norte-americano Spike Lee tenta mas não consegue muito êxito na sua versão de Oldboy. Com a mesma chuva, o mesmo porre e uma introdução mais comprida e detalhada o filme até que começa muito bem só que acaba caindo na armadilha de tentar ser melhor que o original, e aí caros amigos, vai tudo por água abaixo. Um rápido exemplo: a aguardada cena do martelinho contra milhões frustra os cinéfilos. Do modo norte-americano de reproduzir tal sequência, vira uma espécie de jogo Arcade: Cadilac Dinossauro ou Street of Rage para citar dois apenas. Somente Tarantino saberia igualar ou melhorar tal cena, histórica para o cinema.

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Na trama, conhecemos o alcoólatra e cafajeste Joe Doucett (Josh Brolin). Um homem odiado por muitos que após uma reunião imperfeita em um chique restaurante, resolve afogar sua mágoas e beber além da conta, acabando acordando em um misterioso quarto de hotel. Aos poucos, Joe vai descobrindo que está sendo na verdade mantido como refém e isso continua por intermináveis 20 anos. Até que um dia, após uma tentativa frustrada de fuga, é largado dentro de uma mala no meio de um vasto campo verde e assim inicia sua busca pela filha abandonada e por vingança.

A virada do século, o escândalo de Clinton, o atentado as Torres Gêmeas e outras tragédias norte-americanos são vistas sob a mesma ótica pelo seqüestrado. Se Tom Hanks tinha Wilson, Josh Brolin ganha um amigo hamster para dividir um pouco da dor de seu sofrido personagem. Esse momento, o dos 20 anos em cárcere privado, é mal explorado e acaba ficando muito corrido o que provoca uma falsa empatia do público com o protagonista da história. Assistindo Xena, Telequete e algumas outras bobagens na Tv, o personagem vê sua barba crescer, malha todo dia e incrivelmente não envelhece.

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O Oh Dae-su norte-americano ganha um Iphone e utiliza o Google para buscar os possíveis responsáveis pelo seu seqüestro. Esse uso da tecnologia, na verdade uma nova ferramenta de ambientação da história, até certo ponto descaracteriza um pouco a trama original. Não adianta colocar caixinhas de comida chinesas, guarda costas orientais que isso nem um pouco transfere toda aquela atmosfera conseguida por Chan-wook Park e Cia no filme sul-coreano. E pra piorar, as refeições do sequestrado tornam-se oportunidades para diversas marcas de comida famosas terem na vitrine da telona o seu produto escancarado. Nem ao menos delicado foi feito isso, lamentável.

Josh Brolin se esforça e tanta dar sua cara ao protagonista deste remake. Gritando muito, com cara de carrancudo em todas as sequências as vezes parece não dominar seu personagem por completo. Já, a mais competente artista da família Olsen, Elisabeth, consegue suavizar a sua personagem-chave adicionando muito à trama. A atriz de 24 anos tem uma cena com Brolin bem caliente, o que deve elevar mais ainda a faixa etária do filme. Mas o destaque mesmo nas atuações vai para o sul-africano Sharlto Copley (Distrito 9 / Elysium) que interpreta com eficácia o grande vilão da história.

Resumindo, o que todo cinéfilo temia acontece, mais um remake que não dá certo. Salvo Fincher e seu Millenium primoroso, recentemente falando, é muito difícil reproduzir um clássico do cinema, em outros moldes, em outros tempos, com outra leitura da mesma história. E não adianta vir com o papo de que cada filme é único e que não deve-se  comparação. No caso de Oldboy – Dias de Vingança (que subtítulo mais horroroso), por tentar ser um filme para americano ver, acaba perdendo toda a essência de uma incrível aventura em busca de vingança.

Philomena (2)

O maior sentido para entendermos uma dor, acontece quando ficam embaçadas as janelas da nossa alma. Baseado em fatos reais, o drama investigativo Philomena é uma incrível e comovente história que nas mãos do ótimo cineasta Stephen Frears (que dirigiu o excelente A Rainha) se torna leve, divertido e com diálogos maravilhosos, essa última parte fruto do entrosamento afiado entre os atores Steve Coogan e a vovó mais fofa do cinema, Sra. Judi Dench. Irá lotar, merecidamente, todas as salas dos cinemas aqui no Brasil. 13350468 Na trama, seguimos os passos da simpática enfermeira Philomena Lee (Judi Dench), uma senhora de idade avançada que por 50 anos escondeu de todos ao seu redor que tinha sido separada de seu filho na época que estava sob responsabilidade de rígidas irmãs e um convento. Quando sua vida esbarra na de Martin Sixsmith (Steve Coogan), um jornalista deprimido e desempregado, surge finalmente a chance de encontrar seu filho. Nesse trabalho, que possui uma impactante atuação de Dench, um dos pontos que mais chamam a atenção é o conflito entre a fé, a razão e a religião que geram instantaneamente debates/embates e diálogos repletos de argumentações pertinentes, até certo ponto extremistas, fazendo os personagens se desenvolverem naturalmente tendo a plateia como testemunha. Nas apresentações dos personagens, o filme que concorre ao Oscar em algumas categorias, ganha o público para si que só deixa de estar conectado com a história quando os créditos finais aparecem e lá conhecemos a verdadeira Philomena Lee, na vida real. 16180008.jpg w=620 As polêmicas contidas no filme são passadas ao público de maneira leve, séria e divertida. Ocorre uma inversão interessante nesse processo. Mais ou menos como aconteceu em Intocáveis, quando ao lermos a sinopse pensávamos que íamos chorar o filme todo e ao longo da história nos deliciamos com a alegria contida naquela busca de cura para a dor. O caminho feito por Philomena é exatamente o mesmo. Philomena é um drama recheado de carisma. É o tipo de filme que você torce para não acabar. E, por mais que a história lembre tantas outras já vistas no mundo do cinema (isso realmente é um fato a ser lembrado), a maneira inteligente como é apresentada ao público dá personalidade própria e única ao longa-metragem. O trabalho de direção executado por Frears é primoroso, cada detalhe ganha um valor diferente para cada sequência. Por esses motivos e todos os outros que encontrar, você não pode deixar de conferir essa história. Inspira, mexe com nosso coração.