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Nebraska

EM NOME DO PAI

Todo filmado em preto e branco, Nebraska marca a volta do cineasta Alexander Payne dois anos depois do estrondoso sucesso do drama Os Descendentes, indicado para cinco Oscar (incluindo melhor filme e diretor) e vencedor de roteiro adaptado. Payne é um dos mais talentosos diretores trabalhando em Hollywood atualmente, e seu currículo inclui obras cultuadas pelos cinéfilos como Eleição (1999), As Confissões de Schmidt (2002) e Sideways – Entre umas e outras (2004), todos com prestígio em premiações. Nebraska, seu novo trabalho, entra para o hall de filmes a serem assistidos com o pai. Essa é uma grande homenagem, e uma das grandes obras do cinema sobre o relacionamento entre pai e filho.

O veterano Bruce Dern (Django Livre), de 77 anos, ganha de Payne um grande presente a essa altura de sua carreira, ao ser escolhido para viver Woody Grant, um idoso problemático. O sujeito infeliz cisma que acabou de ganhar 1 milhão de dólares num certificado de uma coleção de livros. Trata-se de um esquema que apenas o idoso, que já não bate mais tão bem da cabeça, não percebe ser uma fraude. Enlouquecendo sua esposa, vivida pela ótima June Squibb (O Grande Ano), ao sair desvairadamente pelas ruas em busca de seu prêmio, o protagonista desperta a preocupação de seus filhos, vividos por Will Forte (Vizinhos Imediatos de 3° Grau) e pelo ator e diretor Bob Odenkirk (da série Breaking Bad).

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Até que para lhe dar paz de espírito, seu filho mais novo, vivido por Forte, decide levá-lo até a tal cidade para recolher seu prêmio. Nessa viagem pelas estradas, pai e filho irão se conhecer melhor, e serão forçados a conviverem, passando por diversas aventuras, e exorcizando seus demônios. Mais adiante, a impagável Kate (Squibb) se juntará a dupla, assim como Ross (Odenkirk), numa reunião familiar hilária. Nebraska consegue ser sensível, emotivo, e também muito engraçado, em seu retrato realístico de uma típica família de classe média, que poderia facilmente ser a minha ou a sua. Pai e filho são pedidos para confrontarem o passado, quando no caminho param na cidade onde o protagonista cresceu.

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Velhos desafetos, antigos amores, e grandes amizades voltam à tona nessa nostálgica obra genealógica. Payne realiza um filme incomum, mas com grande coração, e que se torna a segunda ótima produção do ano em preto e branco, ao lado do único Frances Ha. O humor se faz presente e eficiente na maioria das cenas, principalmente nas interações do alcoólatra resmungão e de poucas palavras vivido por Dern. Numa das melhores cenas do filme, o idoso resolve fazer uma parada na casa do irmão. Em outro momento seus filhos resolvem retratar um mal feito a ele, reavendo um item emprestado e nunca devolvido por décadas, num momento de muita graça.

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Quem também recebe grande chance e destaque é o humorista Will Forte, oriundo do programa Saturday Night Live, cujo papel de maior destaque havia sido na paródia Corra que o Agente Voltou, no qual interpreta uma sátira de MacGyver. Aqui, Forte desempenha seu primeiro papel sério, e se sai bem como o perdedor honesto e de bom coração, David. Mas todos os louros vão para a caracterização e performance implacável de Bruce Dern. O veterano indicado apenas a um Oscar de coadjuvante em 1978, está em sua melhor forma, e é muito provável que seja lembrado em época de premiações. O texto do estreante Bob Nelson, e a direção de Payne criam uma obra ímpar sobra a família, que se torna um dos pontos altos do cinema em 2013.

Crítica em vídeo: ‘Caçadores de Obras-Primas’, ‘Philomena’ e ‘Ela’

Acaba de sair do forno a nova edição do CineAgenda, vídeo apresentado pelo editor Renato Marafon com as estreias deste final de semana (14 de Fevereiro).

Toda semana, vamos informar sobre os lançamentos e comentá-los.

 

Caçadores de Obras-Primas

Baseado no livro ‘The Monuments Men: Allied Heroes, Nazi Thieves and the Greatest Treasure Hunt in History‘, o longa conta a história de um grupo de diretores de museu, especialistas em história da arte e curadores que arriscam suas vidas para evitar a destruição da cultura durante a Segunda Guerra Mundial.

Ao mesmo tempo que Adolf Hitler tentava dominar o mundo ocidental, o exército nazista recebia ordens para ir buscar a cumular os melhores tesouros de arte na Europa. O Fuhrer tinha começado a catalogar a arte que pretendia guardar, e aquela que queria destruir. Centrado no período de 11 meses entre o Dia D e o Dia da Vitória, este relato fascinante segue seis ‘Monuments Men’ e a sua missão impossível para salvar a grande arte do mundo nazista.

 

Philomena

A história acompanha Philomena Lee (Judi Dench), que quando jovem teve seu filho recém-nascido dado para adoção ao ser mandada para um convento. A criança é adotada por um casal americano e some no mundo.

Quando sai do convento, Philomena  inicia uma jornada para encontrar seu filho, com a  ajuda de Martin Sixsmith (Steve Coogan) , um jornalista fracassado de temperamento forte.

Durante a viagem, eles começam a redescobrir informações sobre o passado Philomena e de seu filho, que os une afetivamente.

 

Ela

Uma comédia romântica com tons de ficção científica, Ela acompanha Theodore (Phoenix), um escritor solitário que desenvolve um romance improvável com um sistema operacional dotado de inteligência artificial, que atende pelo nome de Samantha. Esta história de amor incomum explora a relação entre o homem contemporâneo e a tecnologia.

Alabama Monroe

MAIS UM FILME SOBRE A VIDA QUE SEGUE

 

Qualquer espectador que não sofra de insensibilidade congênita fica tocado com as primeiras cenas de Alabama Monroe (The Broken Circle Breakdown), representante da Bélgica no Oscar deste ano. Nesse começo, acompanhamos o tratamento contra leucemia da filhinha do casal protagonista. Ver uma criança de uns seis anos recebendo um injeção para tratar a doença incomoda, não pela plasticidade da imagem, mas pelos sentimentos que evocam.

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O filme do diretor Felix van Groeningen percorre a vida do casal Didier Bontinck (Johan Heldenbergh) e Elise Vandevelde (Veerle Baetens). Didier é músico em uma banda, é apaixonado pelo gênero bluegrass contry e pela cultura norte-americana. Elise trabalha em uma loja de tatuagens, tem um jeitão alternativo e é religiosa. Nesses opostos, acompanhamos as tentativas de Didier conquistar Elise, o casamento, o ingresso de Elise na banda, a construção da casa do casal, a decoração do quarto da filha e o nascimento dela, seus primeiros anos, a descoberta e o tratamento da leucemia… acompanhamos a vida desse casal ate o final lírico, trágico e belo .

Se fossem pelos acontecimentos narrados, o filme não traria novidades. Já vimos histórias como a de Didier e Elise, muitas mais trágicas e surpreendentes. Não, não há grandes reviravoltas em Alabama Monroe; em certa medida, seu arco dramático não é o grande trunfo. Há mesmo momentos mal construídos no roteiro, como o desabafo de Didier no teatro: apesar do discurso em si correto, é extremamente mal encaixado na narrativa, tornando-se artificial, como se o diretor tivesse uma necessidade fisiológica de falar aquilo.

Alabama Monroe narra uma história convencional – apesar do jeitão alternativo dos protagonistas. E, como o diretor consegue fazer com que essa história nos toque tão profundamente? A montagem e a música!

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A montagem está calcada em alternar momentos presentes e passados. Nesse vai-e-vem temporal, as alegrias do passado se confundem com as amarguras do presente. Se sofremos com a leucemia da filha de Didier e Elise, abrimos um sorriso com a jovialidade das primeiras noites de amor. Diálogos que no presente buscam culpados são contrapostos com declarações de amor do começo da relação. Esses contrastes se iluminam mutuamente, resignificando coisas tão cotidianas quanto a declaração de casamento de viverem juntos até que a morte os separe.

Essa soberba montagem é temperada com uma belíssima trilha sonora de bluegrass. Ora reforçando o que dizem as imagens, ora gerando atritos, as músicas são elementos essenciais para a conquista do sentimento geral do filme: a sensação de que a vida, ora fácil ora difícil, é bastante agridoce.

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Também contribuem para esse efeito as atuações Johan Heldenbergh e Veerle Baetens, a iluminação (quente nos momentos de alegria, gélida na tristeza), o charmoso figurino e, claro, as belas tatuagens de Elise!

Apesar de alguns deslizes, Albama Monroe nos fala ao coração. Sem pedir licença, nos invade e cantarola em nossos olhos que a vida segue.

Caçadores de Obras-Primas

George Clooney e Grant Heslov colaboram mais uma vez, em seu projeto mais irregular 

Planejado inicialmente para estrear no fim do ano passado, o que o traria diretamente para a corrida deste Oscar, Caçadores de Obras-Primas é o quinto filme dirigido pelo astro George Clooney. O status do ator como diretor é tanto que tenho certeza de que não fui o único que acreditava que seu novo filme seria um dos chamarizes desta nova edição do Oscar. Vejam por este prisma: seu filme de estreia (Confissões de uma Mente Perigosa, 2002) foi sucesso no Festival de Berlim, Boa Noite e Boa Sorte (2005) foi indicado para seis Oscar – incluindo melhor filme e Tudo Pelo Poder (2011) recebeu indicações no Globo de Ouro e Oscar.

É seguro dizer que Clooney, o diretor, possui o prestígio da Academia. Sua desistência da disputa poderia ser explicada pela quantidade de produções de grande nível candidatadas. O lançamento em janeiro, época para projetos “abandonados” pelos estúdios, causa suspeitas. E essas desconfianças tornam-se verdade uma vez tendo assistido ao produto final. Caçadores de Obras-Primas é o primo pobre, distante e sem graça de Bastardos Inglórios. Baseado no livro de Robert M. Edsel e Bret Witter, o filme usa como tema a missão de historiadores e eruditos alistados na Segunda Guerra Mundial, com a finalidade de resgatar obras de arte e artefatos históricos das mãos dos nazistas.

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Tais objetos estavam com os dias contados, já que Hitler havia ordenado sua destruição. Muitos inclusive não conseguiram salvação e outros ainda encontram-se perdidos. Adaptado para o cinema por Grant Heslov (parceiro de Clooney em Boa Noite e Boa Sorte e Tudo Pelo Poder) e pelo próprio diretor, Caçadores soa como uma obra inacabada, picotada por algum motivo, aonde deixaram de fora as partes realmente interessante. O filme abusa da exposição ao fazer os personagens martelarem a trama o tempo todo para o público. Um dos grandes defeitos, talvez o principal, é fazer uso de diversos personagens – todos interpretados pela nata de Hollywood, sem que seu desenvolvimento seja apropriado.

E assim seguem cenas que não dão em nada, subtramas abandonadas e personagens cuja importância temos que aprender depois da morte (e sem senti-la). Existe, por exemplo, uma desavença entre os personagens do grande Bill Murray (completamente desperdiçado) e Bob Balaban que nunca ficamos sabendo o motivo e que ao mesmo tempo não leva a nada. Em um momento de tensão, os dois ao lado de um soldado nazista mantém a calma ao dividirem um cigarro. A falta de diálogos, ou piadas sequer, torna a cena falha e esquecível. O mesmo pode ser dito de John Goodman, Jean Dujardin (O Artista), do próprio Clooney e o resto do elenco. Seus personagens poderiam ser interpretados por qualquer ator.

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O texto de Clooney não lhes permite espaço para brilhar. Outro grande desperdício é com Cate Blanchett, a atriz indicada ao Oscar pela obra-prima Blue Jasmine fica à deriva com sua personagem, a valente viúva francesa e curadora de um museu, que auxilia os soldados americanos em sua busca. Matt Damon é seu contato e os dois iniciam um relacionamento de carinho e confiança, que mais uma vez não chega a lugar algum.

As tentativas de humor são simplistas e também fracassam. O maior exemplo é quando Damon pisa em uma mina terrestre dentro de uma caverna, ao que os outros repetem a mesma frase: “Mas por que você iria fazer isso?”. Infelizmente Clooney utiliza o mais baixo denominador comum. Nem mesmo as cenas de ação possuem magnitude. E ao desfecho o cineasta tenta passar emoção com um discurso (utilizando seu próprio pai como seu personagem mais velho), que realmente não será sentida nem mesmo pelo maior entusiasta de artes.

Philomena

A Dama Judi Dench vive a história real de uma mulher em busca do filho perdido há 50 anos

Indicado para quatro prêmios no Oscar deste ano, Philomena talvez seja o filme mais intimista da categoria principal. Baseada em fatos reias, que por sua vez se tornaram o livro , escrito pelo próprio Martin Sixsmith, a história fala sobre uma mulher obrigada a dar seu filho para a adoção quando vivia num convento de freiras. Philomena, a tal mulher, muitas décadas depois ainda sofre com a perda do filho e decide pela primeira vez contar toda a verdade para a filha (de um casamento posterior).

Através de uma coincidência a história chega até o jornalista Martin Sixsmith, que se encontra em desgraça profissional após ser demitido do cargo de conselheiro do governo britânico. O pomposo jornalista, depois de certa relutância inicial pelo gênero da matéria, decide focar suas energias e com o tema produzir um livro. Para isso, sai em viagem pelo país a fim de recolher todas as informações e ajudar a septuagenária a reencontrar sua cria perdida. Logo, duas personalidades bem distintas irão entrar em colisão durante esse período.

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Sixsmith, como todo inquisidor, se atém aos fatos não deixando crenças e a fé cega dominarem sua vontade. Mas o sujeito frio e seco talvez tenha perdido contato com sua metade humana. Já a protagonista é uma mulher bondosa, que prefere perdoar todo mal que foi feito a ela ao invés de crucificar os culpados. Philomena não deixa sua fé ser abalada em momento algum e faz de sua ingenuidade e amabilidade suas características mais poderosas. O comediante Steeve Coogan (O Olhar do Amor) adapta ao lado de Jeff Pope o livro de Sixsmith para o cinema. Coogan também vive o autor no filme, em um desempenho contido e acima da média.

Mas quem ganhou os holofotes foi a veteraníssima Dama Judi Dench (007: Operação Skyfall), que interpreta a protagonista e faz de Philomena Lee a personagem mais doce dentro de uma filmografia regida por personagens do tipo. Dench recria realmente a mãe (ou avó) amável que gostaríamos de ter. A performance de Dench foi agraciada com uma indicação ao Oscar deste ano. Dench transparece alegria, sofrimento e amargura, porém, perto das outras atuações concorrentes mais chamativas, a passiva Philomena talvez não tenha grandes chances. Este é o tipo de trabalho que Dench faz com a mão nas costas.

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O problema talvez seja a frieza e secura desta produção tipicamente inglesa. O veterano Stephen Freas, que tem no currículo altos (Os Imorais, Alta Fidelidade, A Rainha, Coisas Belas e Sujas) e baixos (O Segredo de Mary Reilly, Chéri, O Retorno de Tamara, O Dobro ou Nada), dirige o filme sem muita personalidade e traz para Philomena o sentimento de obra feita para a TV.  O roteiro adaptado de Coogan também foi lembrado no Oscar, mas talvez o filme realmente não precisasse entrar na categoria principal. Ainda mais quando foram deixadas de fora obras verdadeiramente proeminentes de seus gêneros, como Rush – No Limite da Emoção e Os Suspeitos.

Fica claro também, como um dos temas fortes do filme, o embate entre religiosidade, fanatismo e verdade. Sixsmith, como bom ateu, não perde tempo em apontar o dedo para a igreja católica, depositando em suas fervorosas seguidoras a culpa de atrocidades imensuráveis. Mas ao invés de um monólogo, o autor (que não hesita tirar sarro de si mesmo no texto, apontando também todos os seus defeitos) assim como o roteirista Coogan despertam no público o interesse de um debate, apresentando o outro lado de uma moeda. É quando a principal lesada de um grande trauma decide tomar um caminho superior, que Philomena ganha contornos de uma dualidade interessante, contradizendo o próprio condutor da história. Por melhor que seja, será difícil encontrar uma pessoa que tenha Philomena como seu filme preferido na grande noite do cinema.

Ela

A necessidade de amar ou não alguém.

Mesmo com poucos longas-metragens em sua carreira, Spike Jonze já pode ser considerado um dos cineastas americanos mais talentosos da última década. Isso porque, ao lado do também seminal roteirista, Charlie Kaufman, realizou filmes absolutamente fascinantes, no que se refere à narrativa e complexidade de texto. Primeiro com Quero ser John Malkovich (1999), no qual, através do voyeurismo, explorou a constante obsessão humana de querer ser e sentir o outro; depois com a obra-prima contemporânea, Adaptação (2002), que abordou, de várias formas, o maior medo de um escritor: o bloqueio mental de ideias.

Apesar disso, inesperadamente, Jonze resolveu se afastar das telonas, dedicando-se, por um longo tempo, apenas a trabalhos televisivos e particulares. Lançando, somente anos depois, a mágica adaptação, Onde Vivem os Monstros (2009). Um tocante conto infantil, que, pelo meio de metáforas, explanou os abundantes sentimentos que pairam na mente de uma criança. E, ainda que este não tenha tido, para a crítica, a mesma força dos anteriores, conseguiu ser, de um modo geral, muito bem quisto e elogiado.

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No entanto, mesmo diante desses e vários outros títulos, em mídias como videoclipes, curtas-metragens e documentários, alguns ainda se perguntavam, e até duvidavam, do potencial artístico do diretor. Seria Kaufman o segredo de seus trabalhos ditos geniais? Estaria Spike Jonze esperando/dependendo de uma nova parceria para voltar à ascensão? Como é o caso de Michel Gondry, que desde Brilho Eterno De Uma Mente Sem Lembranças, não conseguiu fazer nada que se equiparasse à tamanha grandeza do filme estrelado por Jim Carrey e Kate Winslet.

Mas eis que, enfim, surge um projeto no qual Jonze produz, dirige e roteiriza; contendo vários dos elementos que, em outrora, o consagraram. Estrelado por Joaquin Phoenix (O Mestre), Ela traz a história do escritor de cartas, Theodore Twombly – que apesar de trabalhar numa empresa que depende de sentimentos e inspiração, já que precisa enviar correspondências subjetivas para desconhecidos, como fosse o remetente –, é um sujeito solitário, pois, aparentemente, perdeu o amor pela vida. E acabou se afundando, completamente, num universo paralelo, ou mundo virtual. Algo corriqueiro, em tempos atuais, em que, muitas vezes, trocamos a convivência pela comodidade irreal. Quase uma espécie de patologia mixoscopia. Que, não por acaso, é bem retratada quando o protagonista diz gostar de ver gente, mas sente necessidade de estar só.

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Em meio a esse orbe singular, Theodore adquire um sistema operacional futurista, de hiper inteligência artificial, que possibilita, novamente, o ato de se relacionar. Algo como comprar um novo amigo. O que, imediatamente, nos leva ao principal ponto do conto: a relação entre o homem contemporâneo e a tecnologia sofisticada. Abordando a problemática social da questão, sua função e o nosso cotidiano urbano em crônico estágio de distanciamento. Ousando, mais ainda, por iniciar uma relação conflitante, carnal e amorosa, do protagonista com o programa informático. Criando, outra vez, translações de anseios humanos característicos, como a possessão, o medo e a necessidade de poder ajudar alguém.

Assim, engendrando uma narrativa fleuma, ocasionalmente intimista, Jonze nos entrega mais um belíssimo trabalho de direção, que funciona, organicamente, em seus três atos. Assim como cria um roteiro rico e ramificado, com diálogos avassaladores e trama curiosa. E que, além de impressionar pelo fabuloso trabalho de mise-en-scéne, com câmeras quase estáticas, repleta de ângulos naturalíssimos, é um longa esteticamente elegantíssimo e possui um curioso artifício de cores. Que, por assim, começa e é entregue no próprio pôster.

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Reparem que o rosa e vermelho estampam, completamente, o cartaz. Estes tons nada mais são que o símbolo do humor e estado de espirito de Theodore Twombly. Notem que, logo de início, quando ele está na empresa, feliz por esquecer sua vida sem graça lá fora, o vermelho é explorado em alguns pontos do cenário. Ao mesmo tempo, Theodore está com um casaco rosa, mas veja que, por dentro, há uma camisa sem cor, tomada por um tom pastel. Representando sua angústia interna. E, no caminho de volta, a solidão começa a aparecer, quando sua jaqueta está desabotoada. Em casa ou na casa de amigos, antes de “conhecer” Samantha, ele veste sempre roupas descoloridas, tons leves e mornos. Mas ao iniciar seu relacionamento com o programa, torna, novamente, a se vestir com o rosa e vermelho. O momento marcante, que retrata esse jogo de cores, acontece quando ele está brigado com Samantha, e, em meio a uma fria floresta sem vida, a neve cai sobre seu casaco vermelho, simulando como anda seu relacionamento: completamente ofuscado.

Mesmo com a participação de atrizes fabulosas como Amy Adams (Trapaça), Olivia Wilde (Rush: No Limite da Emoção) e Rooney Mara (Terapia de Risco), Joaquin Phoenix é uma estrela que ofusca todas as outras – talvez Scarlett Johansson tenha tido, sim, destaque, por realizar uma interpretação vocal magistral. Mas, ainda sobre Phoenix, em O Mestre ele podia duelar com o já saudoso Philip Seymour Hoffman (Jogos Vorazes: Em Chamas), mas aqui, todo elenco empalidece diante de um desempenho sutil e competentíssimo. Tinha-se em Freddie Quell uma figura animalesca, incapaz de ser domesticada, em Theodore Twombly vemos um sujeito sensível, frágil e adorável. Distintos personagens que só ratificam o tamanho talento do ator.

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A trilha sonora, que foi feita em meio à criação fílmica, desde sua gênese, é assinada pela banda canadense de indie rockArcade Fire, já parceira de Jonze em clipes e curtas. E que, em nenhum momento, se deixa levar pelo estilo e impetra quase a perfeição, por criar uma trilha que casa, completamente, com o clima proposto na fita. É perceptível o quanto Win Butler e o diretor estavam conectados para esse trabalho. Bem como a fotografia do sempre excelente Hoyte Van Hoytema (O Espião Que Sabia Demais), que acompanha o trabalho de cores e confere, através de lentes mais claras, um aspecto reflexivo e confortante.

Primoroso, mesmo, é constatar o poder que a obra emana. O quanto nos faz pensar, não apenas no que se refere ao conto, em sua forma literal, mas o conteúdo elucidado fora da tela. Pode até parecer preocupante pra alguns, mas fará com que outros se deparem com a mesma situação. Principalmente pelo desfecho, que mais parece a canção Só se for a dois, composta por Cazuza. Pois, como é de conhecimento popular, as possibilidades de felicidade são irrefutavelmente egoístas. Viver a liberdade e amar de verdade, só se for realmente a dois. E esse é o sentindo de absorção do conto, um ultimato do que é a vida e o amor. Provando, de uma vez por todas, o quão singular é o trabalho de Spike Jonze.

Os Instrumentos Mortais: Cidade dos Ossos

(The Mortal Instruments: City of Bones)

 

Elenco:

Lily Collins, Kevin Durand, Lena Headey, Jamie Campbell Bower, Jared Harris, Kevin Zegers, Jonathan Rhys-Meyers, Aidan Turner, Aldo Quintino, CCH Pounder, Godfrey Gao, Jemima West.

Direção: Harald Zwart

Gênero: Aventura

Duração: 130 min.

Distribuidora: Paris Filmes

Orçamento: US$ 60 milhões

Estreia:
23 de Agosto de 2013

Sinopse:

Quando a jovem Clary (Lily Collins) decide ir para Nova York se divertir numa discoteca, ela nuca poderia imaginar que testemunharia um assassinato – muito menos um assassinato cometido por três adolescentes cobertos por tatuagens enigmáticas e brandindo armas bizarras.

Para piorar a situação, sua mãe desapareceu sem deixar vestígios e agora ela precisa sair em busca dela em uma Nova Iorque diferente, repleta de demônios, magos, fadas, lobisomens, entre outros grupos igualmente fantásticos. Para ajudá-la, Fray conta com os amigos Simon (Robert Sheehan) e o caçador de demônios Jace Wayland (Jamie Campbell Bower), mas acaba se envolvendo também em uma complicada paixão.

Curiosidades:

» A série de aventuras fantásticas escrita pela escritora Cassandra Clare possui cinco volumes: Cidade dos Ossos, Cidade das Cinzas, Cidade de Vidro Cidade dos Anjos Caídos e Cidade do Fogo Celestial.

» Lily Collins é a protagonista Clary Fray. Jonathan Rhys Meyers, astro da série ‘The Tudors‘, interpreta Valentine Morgenstern.

» Alex Pettyfer (‘Eu Sou o Número Quatro’) e Nico Tortorella (‘Pânico 4’) foram cotados para viver Jace Walyland, mas Jamie Campbell Bower (Harry Potter e as Relíquias da Morte) foi o escolhido.

» Harald Zwart (‘Karate Kid’) dirige.

 

Cine Agenda:


Trailer:


Cartazes:

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Fotos:

Rota de Fuga

(Escape Plan)

 

Elenco:

Sylvester Stallone, Arnold Schwarzenegger, 50 Cent, Sam Neill, Amy Ryan, Jim Caviezel, Vincent D’Onofrio, Caitriona Balfe, Faran Tahir, Jaylen Moore, Jeff Chase, Vinnie Jones.

Direção:  Mikael Håfström

Gênero: Ação

Duração: 116 min.

Distribuidora: Paris Filmes

Orçamento: US$ 30 milhões

Estreia: 11 de Outubro de 2013

Sinopse:

Stallone vive Ray Breslin, autoridade mundial em projetar prisões de segurança máxima. Mas, quando ele é acusado de um crime e preso em uma penitenciária que construiu, ele terá que testar suas habilidades e conseguir escapar do inferno. Caviezel e D’Onofrio são os diretores da penitenciária em que a história se passa.

Curiosidades:

»  Schwarzenegger vive o vilão. O ator foi o primeiro contratado para protagonizar o projeto, mas acabou abandonando-o após escândalos pessoais.

» Miles Chapman e Jason Keller roteirizam, e a produção fica por conta da Summit Entertainment.

 » Mikael Hafstrom (‘O Ritual’) dirige.

Trailer:

Cartazes:

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Fotos:

O Concurso

(O Concurso)

 

Elenco:

Fábio Porchat, Sabrina Sato, Danton Mello, Carol Castro.

Direção: Pedro Vasconcelos

Gênero: Comédia

Duração: — min.

Distribuidora:
Paris Filmes

Orçamento: US$ — milhões

Estreia: 19 de Julho de 2013

Sinopse:
Dentre os milhares de candidatos que tentam uma vaga de Juiz Federal, apenas quatro finalistas se qualificam para a última fase do concurso: um cruel e dificílimo exame oral na Corte Federal do Rio de Janeiro, segunda-feira, às 8 da manhã, EM PONTO! Apenas um será aprovado. Os rapazes chegam ao Rio no sábado para o credenciamento e, seguindo o conselho de que é melhor relaxar do que estudar na véspera da prova, decidem aproveitar o final de semana na cidade para estarem descansados e preparados quando a segunda-feira chegar. Porém, as coisas não acontecem como planejado e os quatro adversários, que nesse momento já se tornaram grandes amigos, passam pelas mais hilárias e inimagináveis situações enquanto tentam chegar até a segunda-feira!

Curiosidades:

» Inicialmente intitulado ‘Concurso Público

» Sabrina Sato faz uma participação especial.

» O elenco ainda conta com Carol Castro (‘Cilada.com’), Nelson Freitas (‘Muita Calma Nessa Hora’) e Pedro Paulo Rangel (‘Chico Xavier’).

» Pedro Vasconcelos dirige. ‘O Concurso‘ estreia em 19 de julho.


Trailer:

 

Cartazes:

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Fotos:

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Jack Ryan – Operação Sombra

Ryan, Jack Ryan.

Com o shakespeariano Kenneth Branagh na direção e a especialista em filmes britânicos de época, Keira Knightley, ganhamos… um filme de ação e espionagem sobre o governo americano!? Brincadeiras a parte, Jack Ryan – Operação Sombra é a nova tentativa de emplacar no gosto do grande público uma obra do escritor Tom Clancy. O autor, falecido em outubro passado, é o criador de algumas das séries literárias mais cultuadas do gênero. A mais famosa delas são os livros envolvendo o personagem Jack Ryan.

Ryan teve seus dias de glória no cinema. Em especial no início da década de 1990 quando foi personificado pelo então maior astro da época, Harrison Ford (o personagem já havia assumido as formas de Alec Baldwin anteriormente, em um filme no qual era coadjuvante). Em 2002, foi a vez de tentar emplacar um Ryan mais jovem nas formas de Ben Affleck. A tentativa não funcionou. O que os quatro primeiros filmes do agente no cinema tem em comum é o fato de serem obras muito mais sobre política, espionagem, suspense e realismo (até certo limite), do que sobre ação propriamente dita.

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Jack Ryan era a antítese de James Bond, espião cuja série é pontuada por acrobacias inacreditáveis, mais do que pela credibilidade do enredo. Por este prisma podemos considerar as investidas de Clancy no cinema como talvez a ponte mais genuína unindo o cinema de entretenimento com obras de espionagem. Algo acessível sem serem apenas produções pipoca.

O que ocorre é que uma série na qual um agente da CIA passa seu tempo viajando de continente para continente, desvendando teias de conspirações governamentais não é algo barato de se produzir. Então, se não gerar algum tipo de lucro para justificar seu grande orçamento não é cabível. O que chama a atenção do grande público são justamente cenas de ação, explosões, efeitos visuais e astros do momento. Desta forma, a franquia Jack Ryan se recicla em grande autocontradição. Novamente a aposta é por um Ryan mais jovem (lógica para manter o mesmo ator em diversos filmes) e ele chega nas formas do menino de ouro da Paramount, Chris Pine (o novo Capitão Kirk de Star Trek).

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Somos introduzidos ao passado de Ryan, desde que era um estudante em Londres, passando pela fase militar (na qual foi considerado um herói e quase se viu deficiente físico), até se tornar um analista na CIA e logo depois um operativo de campo.Operação Sombra se passa nos dias atuais, então Ryan presencia o atentado das Torres Gêmeas em 2001, quando ainda era um estudante (fato que lhe impulsiona a vontade de defender o país). E logo depois serve no Iraque. Mas os adversários da nova obra são velhos inimigos retirados lá da guerra fria. Os russos voltam com uma célula terrorista disposta a explodir uma bomba em Nova York.

Comandado pelo ricaço Viktor Cherevin (Branagh, também o vilão do filme), que possui negócios com bancos em Wall Street e laços com o governo russo, o ato terrorista tem como pano de fundo uma trama envolvendo oleodutos no Iraque. Um detalhe que pode passar despercebido por muitos: O membro do governo russo que negocia com o vilão é interpretado pelo dançarino e atorMikhail Baryshnikov (O Sol da Meia Noite), em uma ponta não creditada. O veterano Kevin Costner, que vem se renovando para toda uma nova geração, interpreta o superior e recrutador de Ryan. E a bela e muito talentosa Keira Knightley pega o papel de Cathy Muller, esposa do protagonista (interpretada anteriormente pelas atrizes Anne Archer e Bridget Moynahan).

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Não há como negar que Operação Sombra é um filme diferente de seus antecessores. É dinâmico e mais acelerado. Ryan pilota uma moto em alta velocidade e luta em sua primeira missão no estilo de Jason Bourne ou do novo Bond-Craig. Mas no fundo esta continua sendo uma boa e velha história de espionagem, na qual temos cenas de agentes se infiltrando em prédios sem permissão e com o objetivo de retirar arquivos de computadores, enquanto o “alvo” é distraído em um belo restaurante por uma bela mulher. O passeio turístico pela Rússia é igualmente satisfatório.

Com a entrada de Knightley (fazendo sotaque americano) na franquia, Cathy não é apenas “a garota” e tem seu serviço aumentado. Agora ela passa a não apenas atender o telefone, mas tem uma infiltração completa em um joguete que pode não terminar tão bem assim para ela. A série cinematográfica de Clancy é uma venda difícil. O tipo de blockbuster adulto que talvez não tenha mais espaço em um subgênero cada vez mais dominado por produtos infantis. E assim Operação Sombra segue como um filme meio perdido em um limbo. Porém, existem elementos satisfatórios o suficiente aqui para agradar tanto os fãs puristas de um bom thriller de espiões, quanto a garotada em busca da adrenalina semanal nas telonas.

CinePOPcast #9 – Indicados e Preferidos do Oscar 2014

O CinePOPcast está de volta, e nesse episódio Renato Marafon, Pimp(Mal)Marcel Camp e Dudu Chaves conversam sobre os filmes indicados ao Oscar 2014.

Ouça:

Baixe:

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Edição: Ipitácio Oliveira

Imperdível!

 

Grande favorito quando se começaram as especulações ao Oscar 2014, o drama sobre a escravidão ‘12 Anos de Escravidão‘ foi perdendo espaço para dois outros grandes tubarões das premiações deste ano. No final, ficou com 9 indicações, incluindo melhor filme, melhor diretor (Steve McQueen), melhor ator (Chiwetel Ejiofor), melhor ator coadjuvante (Michael Fassbender) e melhor atriz coadjuvante (Lupita Nyong’o). Sem ganhar destaque no Globo de Ouro, o drama deve ser o ‘Lincoln‘ deste ano: muito bafafá para poucas estatuetas.

Por fim, o Oscar deste ano foi polarizado por dois longas que chegaram de mansinho, e cravaram seu espaço nos prêmios e também nas bilheterias. A disputa do Oscar ficará entre ’Gravidade‘ e ‘Trapaça‘.

Com o maior apelo comercial de todos os indicados, ’Gravidade‘ mistura o cinema de arte com blockbuster. É um espetáculo visual em 3D que já deixa quase certa a estatueta de Melhor Diretor para o talentosíssimo Alfonso Cuarón.

Vindo de uma sequência incrível de ótimos trabalhos, como Grandes Esperanças (1998), E Sua Mãe Também (2001), Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban (2004) e Filhos da Esperança (2006), o cineasta mexicano retorna, depois de sete anos, com o longa-metragem Sci-Fi que se mostra extremamente ousado, no melhor sentido da palavra, tanto do ponto vista estético quanto narrativo. E, sim, acredito que tenha impetrado eficácia, em quase todos os sentidos.

Numa premissa ligeiramente simplória, somos, imediatamente, transportados para o espaço, onde uma equipe americana de astronautas, conduzida por Ryan Stone (Sandra Bullock) e Matt Kowalski (George Clooney), está numa missão de restauração ao telescópio Hubble. Quando, de repente, ambos são surpreendidos por uma chuva de destroços, decorrente da destruição de um satélite, atingido por um míssil russo. Mesmo avisados sobre o caso, não há tempo necessário para que retornem a sua estação, que por sua vez também foi destruída, fazendo com que fiquem perdidos no ambiente mais hostil que se tem notícia: o universo.

Com três prêmios no Globo de Ouro – Melhor Filme (Comédia ou Musical), Melhor Atriz (Amy Adams) e Melhor Atriz Coadjuvante (Jennifer Lawrence), ‘Trapaça‘ (American Hustle) foi o destaque cinematográfico na premiação e sai na frente pela corrida para o Oscar.

Trapaça‘ conta a história de um vigarista brilhante, Irving Rosenfeld (Christian Bale), que, juntamente com sua parceira igualmente esperta e amante, Sydney Prosser (Amy Adams), é obrigado a trabalhar para um agente louco do FBI, Richie DiMaso (Bradley Cooper). DiMaso os atrai ao mundo do tráfico de influências e da máfia de Jersey que é tão perigoso quanto sedutor. Jeremy Renner é Carmine Polito, o político de New Jersey passional e volátil, encurralado entre os vigaristas e os agentes federais. Rosalyn (Jennifer Lawrence), a esposa imprevisível de Irving, pode ser a responsável por puxar o fio da meada que derrubará todo o seu mundo.

Assim como os filmes anteriores de David O. Russell, ‘Trapaça‘ desafia qualquer classificação de gênero, contando uma história de amor, reinvenção e sobrevivência.

O trono de melhor filme será disputado por ‘Trapaça‘, ‘Capitão Phillips‘,’Clube de Compras Dallas‘, ‘Gravidade‘, ‘Ela‘, ‘Nebraska‘, ‘Philomena‘, ‘12 Anos de Escravidão‘ e ‘O Lobo de Wall Street‘.

Será um Oscar de poucas surpresas e muitas certezas, mas de ótimos filmes que merecem ser conferidos e degustados.

O CinePOP cobrirá AO VIVO a cerimônia de entrega do Oscar 2014, no dia 2 de março. Você está convidadíssimo ao nosso divertido bate-papo anual, com comentários que vão dos vestidos aos premiados.

 

 

 

Exclusivo: Tiroteio e perseguição em clipe de ‘Operação Sombra – Jack Ryan’

A Paramount Pictures Brasil enviou, com exclusividade ao CinePOP, um clipe legendado de ‘Operação Sombra – Jack Ryan (Jack Ryan: Shadow Recruit).

A cena traz Chris Pine e Kevin Costner em ação. O longa já está em exibição nos cinemas nacionais.

Assista:

Trata-se do reinício da franquia do personagem Jack Ryan, criado por Tom Clancy e protagonista de uma série de livros. O longa será a primeira parte em uma trilogia.

‘Operação Sombra – Jack Ryan não é baseada em nenhuma obra de Clancy. Ryan usará suas habilidades no mercado financeiro para ajudar um cliente bilionário, em Moscou. O trabalho se transforma em um pesadelo quando o cliente o acusa falsamente de participar de uma ação terrorista para desestabilizar a economia americana. Ryan é obrigado a fugir para salvar sua esposa sequestrada e limpar seu nome.

 Pine interpreta Jack Ryan. Knightley vive a esposa do protagonista e Kevin Costner (‘O Homem de Aço’) é o agente que o recruta para ingressar no mundo da espionagem. Kenneth Branagh (‘Thor’) dirige e também atua no papel do vilão.

As primeiras adaptações para as telonas foram ‘Jogos Patrióticos‘ e ‘Perigo Real e Imediato‘, com Harrison Ford no papel de Jack Ryan. Em 2002 o personagem foi interpretado por Ben Affleck em ‘A Soma de Todos os Medos‘.

Uma Aventura Lego

Lego mostra que filmes baseados em brinquedos funcionam

A ideia de fazer um longa metragem animado dos brinquedos de encaixe Lego era tão louca que só poderia ter dado certo. Criado pelo dinamarquês Ole Kirk Christiansen ainda na década de 1950, o conceito das pecinhas encaixáveis, que podem se transformar em qualquer coisa que a imaginação da criançada permitir, atingiu o auge de popularidade na década de 1980 e fez parte da infância e criação de diversas gerações.

Pode-se dizer também que a popularidade do Lego foi reinventada agora, através de videogames, animações para a TV e a permissão de criar em cima de marcas registradas como Star Wars, o universo DC e diversos outros ícones da cultura pop. Pegando este gancho, a empresa apresenta agora seu projeto mais ambicioso: uma produção cinematográfica grandiosa e em 3D, com vozes de diversas personalidades famosas e uma grande campanha de marketing em cima.

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E o melhor, um trailer que captura até os mais descrentes (como o que vos fala). Uma Aventura Lego apresenta a vida na Legolândia, uma sociedade robótica na qual os cidadãos são manipulados de forma nada sutil sobre o que ouvir, ver, gostar e pensar. O grande manipulador é o presidente Negócios (voz de Will Ferrell no original), um inescrupuloso governante que deseja manter uma sociedade de pensamentos sincrônicos.

Neste mundo vive o protagonista, Emmet (voz de Chris Pratt no original). Ele é um sujeito mais ordinário impossível, fato que o torna extremamente ingênuo ao que acontece ao redor. Quando conhece Mega Estilo (Wyldstyle no original), dublada por Elizabeth Banks, um novo mundo se abre para ele. O sujeito descobre que o local aonde vive é apenas uma parte de um universo muito maior, isolado pelo regente maligno.

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Aí ganhamos a piada sobre o conjunto de brinquedos Lego, cada um representando um cenário diferente, como o velho oeste, o espaço, o mar, e por aí vai. Esta é apenas uma das brincadeiras embutidas na obra, que servem muito mais para distrair os pais do que as crianças em si. Uma Aventura Lego é mesmo uma máquina de piadas por minuto, tanto visualmente quanto em seu texto. O roteiro escrito pelos diretores Phil Lord eChristopher Miller (de Anjos da Lei) soa com uma versão comportada, mas igualmente cômica, de South Park.

A loucura impera e não existem barreiras para se quebrar a quarta parede de diferentes formas e possibilidades. Com a opção de utilizar personagens da DC Comics, Batman é um personagem de destaque na trama. O fato resulta em algumas das melhores piadas do longa, e apresenta um Batman como nunca visto antes no cinema. Além do Homem Morcego, diversos outros personagens da cultura pop são postos à prova e alvo de gagsnesta comédia animada.

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No desfecho a obra apresenta a possibilidade mais inusitada e criativa. Justamente quando pensamos que todos os limites já foram explorados. É uma surpresa que quase serve despoiler se mencionada. Fato quase inimaginável para uma animação. Mas Uma Aventura Lego é bom nesse nível, de apresentar elementos criativos e inusitados dentro de uma animação, que caso sejam revelados anteriormente podem quebrar o impacto da magia.

Extremamente satisfatório, o filme foi confeccionado com cuidado e muita dedicação, para empurrar além dos limites e realmente quebrar barreiras. O esforço de seus criadores é reconhecido, mesmo dentro de uma indústria na qual pensamos já ter visto de tudo dentro de seus diferentes gêneros cinematográficos. Palmas para eles.

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Baseada em fatos reais, Trapaça (American Hustle), dirigido por David O. Russell, traz os bastidores de uma investigação do FBI para caçar políticos e mafiosos na década de 70. Irving Rosenfeld (Christian Bale) é o típico vigarista que sempre se dá bem mas nunca tem nada. Dono de uma rede de lavanderias e casado com a deprimente Rosalyn (Jennifer Lawrence), vê sua vida alavancar ao lado da sedutora Sydney Prosser (Amy Adams), uma linda mulher, porém tão vigarista quanto ele.

Ao serem pegos pelo agente do FBI Richie DiMaso (Bradley Cooper), o casal é obrigado a prestar favores e ajudá-lo a capturar grandes mafiosos do meio político e da jogatina.

O filme é bastante mirabolante, pois os personagens são inteligentes. Irving é o cara esperto, que pensa rápido e sabe bem como pegar sua presa. Incrível a atuação de Bale, que representa muito bem e está com o figurino impecável como homem dos anos 70.
Amy também está ótima. Em seu papel, seduz e sabe enganar muito bem. Ela já levou o Globo de Ouro como melhor atriz na categoria “comédia” (apesar do filme não ser assim uma comédia), assim como Lawrence, que levou como melhor coadjuvante. E pode ter certeza que ela foi. Totalmente deprimente e dependente de Irving, Rosalyn, personagem de Lawrence, é a própria bomba relógio que o homem pode ter ao seu lado. Sua atuação foi perfeita, convencendo de seu lugar naquela trama.

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A ambientação do longa foi perfeita, assim como a trilha sonora. Bradley Cooper também parece muito com o homem daquela época, onde cabelos encaracolados eram mais valorizados, a ponto de homens também aderirem a permanentes. DiMaso é um agente louco, obcecado em mostrar sua eficiência, porém um tanto ingênuo para certas malandragens.

Outro que merece destaque é o personagem de Jeremy Renner. Carmine Polito é o prefeito de Camdem, em Nova Jersey. Um cara aparentemente acima do bem, amigo da sociedade e feliz com sua família, incapaz de levantar suspeitas contra seu caráter. A amizade entre ele e Irving e a união com sua família são um ponto alto no filme.

Trapaça é o tipo do filme que mostra a que veio. Além de apresentar o caminho da investigação em questão, fixa na ideia daquela década, provando que nem tudo deveria ser compartilhado com mulheres e o efeito dominó do envolvimento com corruptos. Tudo muito bem colocado e ambientado.

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Já ganhou o Globo de Ouro e pode ser um dos grandes vencedores do Oscar. Elenco e história ele tem pra isso.

A Menina que Roubava Livros (2)

“A morte chega para todo mundo. Uma maneira de deixar as coisas mais fáceis é não resistir a ela”. Não exatamente com essas palavras, mas neste contexto, a “Morte” começa sua narrativa sobre a necessidade de levar suas vítimas e as consequências dessa realidade.

A pequena Liesel Meminger (Sophie Nelisse) é o foco da Morte ao ver que ela lhe escapou uma vez. A menina é filha de comunistas e acaba sendo entregue em troca de dinheiro ao casal Hans (Geoffrey Rush) e Rosa (Emily Watson), que a adotam como filha. O irmão de Liesel morre antes de chegar na nova casa. Durante o enterro, a menina vê um livro cair da mão do coveiro e esse se torna seu objeto de afeição, o primeiro livro “roubado”.

A Menina que Roubava Livros (The Book Thief) é baseado no best-seller de mesmo nome, que conta a vida da órfã Liesel e sua adoração por livros. O filme é ambientado no período que antecede a 2ª Guerra Mundial, e traz um Hitler que emociona pessoas e gera ódio entre humanos.

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Liesel aprende a ler com a ajuda de seu pai, um pintor desempregado, enquanto vive de levar broncas de sua mãe, Rosa, uma mulher de temperamento rude e um tanto amargurada com a vida.

A ambientação do filme é perfeita, até mesmo os figurantes parecem realmente estar participando da cena. Em épocas de guerra, o diretor Brian Percival conseguiu passar o que era ser um perseguido de Hitler ou uma vítima de seu próprio país. Um lugar pobre, onde tudo era vigiado e até o conhecimento era restrito. E era justo o conhecimento dos livros que fazia com que Liesel “pegasse alguns exemplares emprestados” por onde os visse. As histórias trazidas por eles confortavam seus momentos de tristeza na vida.

O judeu Max (Ben Schnetzer) e o garoto Rudy (Nico Liersch) são os únicos amigos da garota, chamada de “porquinha” pela maneira como se apresentou quando chegou: suja e com maus hábitos.

A trajetória sofrida de Liesel em tempos de guerra fará o telespectador pensar sobre os conflitos de uma geração, além do verdadeiro significado de liberdade.

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O filme é sério em sua abordagem, mas consegue ser algo que flui com um pouco de humor e divertimento. Apesar de não ter sido indicado ao Oscar, vai significar muito para os que apreciam uma boa história.

Ótima atuação dos pais adotivos de Liesel, Geoffrey Rush e Emily Watson, além de uma trilha sonora encantadora. Quase impossível não se emocionar com a narrativa da Morte e o destino que ela dá a cada personagem. Resumindo, um bom blockbuster que fará aos que ainda não leram o livro, como eu, querer conferir mais de perto todo o teor da narrativa.

EXCLUSIVO: Velório é alvo de piadinhas em clipe de ‘Tudo por um Furo’

O CinePOP divulga, com EXCLUSIVIDADE, um clipe legendado de ‘Tudo Por um Furo‘ (Anchorman: The Legend Continues), sequência da comédia ‘O Âncora: A Lenda de Ron Burgundy’.

A irreverência de Steve Carrel no papel de Brick Tamland está de volta. Na cena, os telejornalistas Ron Burgundy (Will Ferrell), Brian Fantana (Paul Rudd) e Champ Kind (David Koechner) lamentam a morte do parceiro em seu funeral, até que o próprio Brick surge fazendo um discurso sobre sua triste passagem.  Surpreso, o trio tenta a todo custo convencê-lo de que ele está vivo.

A Paramount Pictures do Brasil lança a comédia nos cinemas dia 28 de Fevereiro.

Assista, com os trailers dublado e legendado:

Adam McKay, que dirigiu o primeiro, retorna. “O Âncora é um filme que marca um fenômeno que estamos vivendo, e a cada ano torna-se mais e mais relevante. Parte do que inspirou o filme era o quão ridículo a notícia tinha se tornado. As pessoas foram ficando cada vez melhores e com melhor aparência. As mulheres do tempo foram ficando absurdamente bonitas. Era tudo sobre a voz e os cabelos. Então, sim, infelizmente, o personagem ficou mais e mais relevante”, revelou o diretor recentemente.

Judd Apatow produz.

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Shia LaBeouf vai à première com cabeça coberta e causa no Festival de Berlim

Shia LaBeouf parece ter pirado de vez. Durante a première de ‘Ninfomaníaca – Volume I‘ no Festival de Berlim, que aconteceu no último domingo, 9, o ator surgiu no tapete vermelho com um saco de papel cobrindo sua cabeça. O saco de papel trazia o seguinte slogan: “Eu não sou mais famoso”.

Durante a coletiva de imprensa, o ator saiu do local antes das entrevistas serem encerradas e soltou a frase: “Quando as gaivotas seguem a traineira, é porque pensam que as sardinhas serão lançadas ao mar. Muito obrigado“.

O ator já havia anuncia em seu Twitter em Janeiro que estava se “aposentando de toda vida pública”. LaBeouf disse que tomou essa decisão “considerando os recentes ataques contra a minha integridade artística”, informação que depende de alguma contextualização.

O diretor Lars Von Trier também causou no festival de Berlim após a exibição de seu filme. Sua participação não foi citada pelos produtores, e ele surpreendeu a todos ao surgir no término da sessão com uma camiseta preta, estampada pela palma dourada e a o slogan “Persona non Grata – Official Selection”. Ele foi banido de Cannes em 2011.

 

Em maio de 2012, LaBeouf lançou seu quarto curta-metragem como diretor, intitulado Howard Cantour.com, no Festival de Cannes. Com Jim Gaffigan (‘Amor à Distância’) no papel principal, o curta é centrado em um crítico de cinema que é consumido por sua própria influência enquanto escreve uma resenha de um diretor que admirava. LaBeouf passou mais de um ano divulgando e dando entrevistas sobre sua suposta criação, até dezembro de 2012.

Foi então que uma polêmica explodiu. O curta era claramente inspirado em ‘Justin M. Damiano’, uma novela gráfica de Daniel Clowes lançada em 2007.

O problema foi que os créditos do filme não traziam nenhuma menção ao seu autor original. Pior ainda: LaBeouf utilizou diálogos inteiros e aspectos visuais da obra de Clowes, tornando difícil a defesa de que aquela era apenas uma “fonte de inspiração”.

Após bloquear o vídeo, o ator-diretor se desculpou publicamente: “Em minha empolgação e ingenuidade como um cineasta amador, eu me perdi no processo criativo e negligenciei [o processo] apropriado de creditar [a fonte de inspiração]. Eu tenho vergonha de ter deixado de creditar Daniel Clowes por sua novela gráfica original ‘Justin M. Damiano’, que serviu como minha inspiração. Eu fiquei verdadeiramente tocado por sua obra e sabia que se tornaria um curta emocionante e relevante. Eu peço desculpas a todos que assumiram que eu o escrevi. Eu me arrependo profundamente da maneira como esses eventos se desdobraram e quero que Daniel Clowes saiba que eu tenho um grande respeito por seu trabalho. Eu fiz uma cagada.”

Mesmo assim, o texto de desculpas começa com uma declaração muito mais defensiva: “Copiar não é um trabalho criativo. Ser inspirado pela ideia de alguém para produzir algo novo e diferente É trabalho criativo.”

Como nada é tão ruim que não pode piorar, alguns acreditam que partes dessa resposta foram copiadas de um comentário do Yahoo! Answers sobre plágio. Não seria a primeira vez, já que o ator explicou sua saída da peça da Broadway ‘Orphans’ com frases copiadas diretamente de uma coluna publicada na Esquire, em 2009.

Para completar, LaBeouf ainda ameaçou copiar outro trabalho de Clowes em um projeto futuro. Isto levou o advogado do autor a mandar uma carta legal ao astro, que a publicou em seu Twitter.

Como o astro ainda tem dois filmes ainda inéditos, a segunda parte de ‘Ninfomaníaca’ e um drama de guerra sem título com Brad Pitt, ele ainda deve aparecer nas telonas. Parece, por outro lado, que sua figura pública tirará férias por bons motivos e, talvez, de uma vez por todas.

Alexandre e o Dia Terrível, Horrível, Espantoso e Horroroso

(Alexander and the Terrible, Horrible, No Good, Very Bad Day)

 

Elenco:

Steve Carell, Jennifer Garner, Bella Thorne, Burn Gorman, Dylan Minnette, Jennifer Coolidge, Dick Van Dyke, Megan Mullally, Kerris Dorsey.

Direção: Miguel Arteta

Gênero: Comédia

Duração: 81 min.

Distribuidora: Walt Disney

Orçamento: US$ 28 milhões

Estreia: 23 de Outubro de 2014

Sinopse:

Alexandre e o Dia Terrível, Horrível, Espantoso e Horroroso‘ segue as proezas de Alexander, de 11 anos, enquanto ele atravessa o dia mais terrível e horrível de sua jovem vida: um dia que começa com chiclete grudado no cabelo e continua com uma calamidade atrás da outra. Mas quando Alexander conta as desventuras de seu dia desastroso para sua família otimista, ninguém parece compreendê-lo e ele começa a se perguntar se as coisas ruins só acontecem com ele. Logo ele descobre que não está sozinho, quando sua mãe (Jennifer Garner), pai (Steve Carell), irmão (Dylan Minnette) e irmã, (Kerris Dorsey) também começam a se ver no mais horrível, terrível e pior dos dias. Qualquer um que diga que não há dias ruins simplesmente nunca viveu um.

Curiosidades:

» ‘Alexandre e o Dia Terrível, Horrível, Espantoso e Horroroso’, foi publicado em 1972, escrito por Judith Viorst, ilustrado por Ray Cruz e inspirado nos filhos de Viorst: Alexander, Anthony e Nicholas. Com mais de 2 milhões de cópias impressas, ele foi consagrado como livro infantil de destaque pela ALA (American Library Association), além de receber o prêmio de Recognition of Merit outorgado pelo George G. Stone Center, um prêmio Georgia Children’s Book e uma distinção de livro de destaque do Reading Rainbow. Viorst escreveu duas sequências: Alexander, Who Used to Be Rich Last Sunday (1978) e Alexander, Who’s Not (Do You Hear Me? I Mean It!) Going to Move (1995).

»  Em 1990, o livro original de 1972 foi adaptado para a televisão em um musical de animação de meia hora de duração da HBO. Em 1998, Viorst colaborou com os compositores Charles Strouse (música) e Shelley Markham (trilha sonora) para dar vida a uma versão teatral musical no Kennedy Center de Washington, capital.

»  Alexander and the Terrible, Horrible, No Good, Very Bad Day é a primeira adaptação cinematográfica live-action do clássico infantil.

Trailer:

Cartazes:

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Fotos:

 

 

Trapaça (2)

Nem Martin seria tão Scorsese quanto David O. Russel foi em Trapaça.

Vindo do chocante O Vencedor e do delicado O Lado Bom da VidaDavid O. Russell parece mesmo ter achado seu caminho. Em seu mais novo trabalho, Trapaça, o cineasta mantém o bom nível, entregando algo que, certamente, fará muitos cinéfilos, órfãos de uma época inesquecível, sentir forte nostalgia. Digo isso porque, logo em sua abertura, identificamos, de cara, qual é sua principal intenção: homenagear, em forma e estilo, o trabalho de uma das figuras mais icônicas da história da sétima arte, o mito Martin Scorsese.

O fazer do filme é tão comparável que poderia, facilmente, se entender como um competente exercício narrativo ou uma pura imitação – nunca barata. Elementos figurativos como narração em off, personagens caminhando num leve slow-motion, em ângulos laterais, enquanto se ouve ao fundo uma antiga canção estadunidense e, principalmente, as gags e diálogos tão marcantes nos personagens de Scorsese, são fatores presentes que comprovam a óbvia finalidade do diretor.

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Devo confessar que isso não me incomodou. Aliás, senti-me realizado por conferir, novamente, características tão marcantes que me fascinaram em títulos como Os Bons Companheiros e Cassino. Pois, como é sabido, Martin Scorsese é um homem que tem fases bem definidas em sua carreira. E, felizmente, não volta ao passado, nesse sentido, está sempre se reinventando. Logo, provavelmente, jamais veríamos algo do tipo sendo realizado pelo próprio.

Mas antes que este texto, assim como o filme, torne-se mais reflexo que imagem, entremos, então, em Trapaça. Um conto que, mesmo se passando na década de setenta, e contando a história de um real trapaceiro, bebe muitíssimo da fonte mafiosa americana. E, em meio a este ar costumado, fica fácil embarcar no universo do figurão Irving Rosenfeld (Christian Bale). Um golpista que, junto a sua sensual sócia e amante, Sydney Prosser (Amy Adams), é obrigado a colaborar com o intrépido agente do FBI, Richie DiMaso (Bradley Cooper), onde acabam se envolvendo, até mesmo, com a política nacional, através do candidato Carmine Polito (Jeremy Renner). Mas com aparição e envolvimento da esposa de Irving, a histérica Rosalyn (Jennifer Lawrence), o trem acaba saindo dos trilhos e o plano tomando novos rumos.

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Trazendo, como primeiro plano, o close de um Christian Bale (Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge) irreconhecível, com 18 quilos a mais e uma barriga gigantesca – outra das várias metamorfoses físicas do ator –, somos, de pronto, fisgados pelos personagens apresentados. E é justamente aí que está toda força do longa: suas figuras dramáticas. Que, sim, são perfeitamente bem desenvolvidas, com seus defeitos e encantos, mas que, acima de tudo, imprimem uma hiper-realidade. Fazendo com que o espectador compre o que está sendo exposto em tela e se envolva, ainda mais, com a trama, que se mostra deveras interessante, no que refere às intrigas.

Até mesmo porque, o título é detentor de inúmeras atuações absolutamente competentes. Como é o caso de Amy Adams (O Homem de Aço), que com sua Sydney está mais sexy do que nunca. Ou na figura surtada criada por Jennifer Lawrence (Jogos Vorazes – Em Chamas), que teve inspiração para Rosalyn ao ver The Real Housewives of New Jersey. Bale também confere um ar desajeitado e, ao mesmo tempo, nobre à Irving. Fechando o ensejo temos Bradley Cooper (O Lugar Onde Tudo Termina), que vive um agente esquisito, e é a grande surpresa do novo cinema norte-americano.

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Como já foi dito, David O. Russell emula o estilo Scorsese para construir sua narrativa, que flui de forma orgânica, no primeiro e segundo ato, contando, com naturalidade e bom ritmo, a história explanada de formato linear. Porém, com o tempo, começamos a sentir um pouco de peso na mão do diretor. Que no intuito de explicar, detalhadamente, como será feito a estratégia do plano armado e em tomadas expositivas de romances, que nada acrescenta a trama, deixa a fita com um aspecto inchado.

O roteiro, também assinado por O. Russell, ao lado de Eric Warren Singer (Trama Internacional), possui diálogos espertos e uma estrutura elegante. Tem uma enorme gama de personagens, com falas precisas que são fundamentais para construção de perfis. Como é o caso dos papéis vividos por Louis C.K. e Robert De Niro, que desempenham perfeitamente bem suas funções. Este último, não por coincidência, é caracterizado como o próprio Scorsese – ou, pelo menos, um de seus personagens –, com óculos de enorme armação e lentes de grau forte. Porém, é evidente salientar que o roteiro não apresenta o mesmo poder contagiante dos que Martin teve em mãos. Ou mesmo a montagem do trio Alan BaumgartenJay Cassidy e Crispin Struthers não se aproximar do dinamismo de Thelma Schoonmaker – antiga montadora do Scorsese, em todos os seus títulos.

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Por outro lado, a sempre empolgante trilha dos filmes de O. Russell, assinada pelo experiente Danny Elfman (O Estranho Mundo de Jack), ganha, novamente, grande destaque na película, pois acompanha e narra, em segundo plano, todo seu andamento. E conta no cast com nomes como Elton JohnDuke EllingtonThe Bee GeesAmericaJack Jones, entre outros. A fotografia envelhecida de Linus Sandgren (Terra Prometida), repleta de grãos estourados e tons intensos, auxiliada pela excelente direção de arte de Jesse Rosenthal (Rocky Balboa), também impetra êxito por nos transportar à época referida.

Elogiado pela crítica e vencedor de inúmeros prêmios ao redor do mundo, Trapaça é o principal candidato a conquistar o Oscar de Melhor Filme, batendo de frente com o petardo contemporâneo do próprio Martin ScorseseO Lobo Wall Street. Se David O. Russell merece o prêmio? Acredito que não, pois, ainda que, de um modo geral, seja eficiente, não é uma obra completamente original, em sua essência. E, mesmo sendo ele visto sem ação comparativa, é um filme que possui problemas em seu corte final, montagem e execução, soando prolixo após os créditos finais. E, no ano de obras-primas como Gravidade e Ela, seria quase uma afronta se este os vencesse – claro, num mundo justo, onde o Oscar fosse sinônimo de qualidade artística e não campanha de marketing.

Quatro pessoas são presas pela morte de Philip Seymour Hoffman

O ator Philip Seymour Hoffman, 46, foi encontrado morto no banheiro de sua casa no domingo, 2 de Fevereiro, após uma overdose de heroína.

Os investigadores prenderam ontem, 4 de fevereiro, quatro pessoas supostamente ligadas com a venda das drogas que causaram a morte do ator. Segundo o New York Daily News, três homens e uma mulher foram detidos durante uma batida policial em um imóvel do bairro de Chinatown, em Manhattan. A polícia suspeita que a heroína encontrada na casa de Hoffman foi vendida pelos indivíduos, e ainda encontrou 350 pacotes de heroína no prédio que as quatro pessoas foram detidas.

O ator foi encontrado com uma seringa espetada no braço, e 20 papelotes de heroína. Uma testemunha viu o ator sacar US$ 1.200 em um caixa eletrônico horas antes da fatalidade.

Philip Seymour Hoffman nasceu em Nova York, no dia 23 de julho de 1967. Filho de uma juíza e de um executivo da Xerox, o futuro astro de Hollywood, desde os tempos de colégio, sabia o que faria para se sustentar. Após terminar o ensino médio, frequentou o programa de Verão do Teatro Square e, posteriormente, conseguiu se graduar em Artes Dramáticas.

O ator chamou atenção dos produtores longo início da carreira com participações em filme, como Perfume de Mulher (1992), Boogie Nights – Prazer Sem Limites (1997) e Felicidade (1998). Seu reconhecimento, no entanto, ocorreu em 2005, ao interpretar o jornalista Truman Capote, dirigido por Bennett Miller, no longa Capote, pelo qual ganhou o Oscar de Melhor Ator.

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Hoje, aos 45 anos, Hoffman colecionava prêmios no cinemas e no teatro. Ele ganhou dois Tony, o Oscar da Broadway, de Melhor Ator pela montagem True West (2000) e de Melhor Ator Coadjuvante por Long Day’s Journey into Night (2003). Obrigado por tudo o que fizeste pelo mundo mágico do cinema, não vamos esquecê-lo e teremos seus filmes sempre em nossa lembrança. Segue abaixo os 10 grandes filmes de Seymour Hoffman:

Perfume de Mulher (Martin Brest, 1992)

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Neste elogiado trabalho, Hoffman começou a aparecer para a indústria cinematográfica. Já Al Pacino ganhou muitos prêmios pelo o protagonista Frank Slade, que parece ter sido escrito exclusivamente para o ator. A saga do tenente coronel deve estar em sua prateleira de DVDs. A obra emociona e é sempre lembrada pela espetacular cena da dança de tango.

Boogie Nights – Prazer Sem Limites (Paul Thomas Anderson, 1997)

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Este é um dos filmes mais famosos e polêmicos de Paul Thomas Anderson, amigo de longa data de Hoffman. A obra é sobre a indústria do cinema pornô em 1970. Na trama,  um jovem sem objetivo na vida se torna, de repente, astro do segmento. Conflitos, vícios e ganância leva-o à ruína existencial. O elenco é composto por Mark Wahlberg (Ted), Julianne Moore (Amor a Toda Prova), Burt Reynolds (Dois Vendedores Numa Fria), Don Cheadle (Homem de Ferro 3), William H. Macy (As Sessões) e Heather Graham (Se Beber, Não Case! Parte III). Hoffman faz uma pequena participação.

Felicidade (Todd Solondz, 1998)

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Em um filme extremamente polêmico, o diretor Todd Solondz (A Vida Durante a Guerra) explora as fragilidades de diversas famílias culminando em um retrato nu e cru sobre a classe média norte-americana. Hoffman é a grande estrela do elenco. Os personagens causam todo tipo de reação do público e ajudam a contar essa forte história sem deixar nenhum tipo de argumento de lado. É o clássico filme chamado de cult.

 

Com Amor, Liza (Todd Louiso, 2002)

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Em um dos seus papéis mais difíceis no cinema, Philip Seymour Hoffman interpreta Wilson Joel, um homem que tem sua vida completamente alterada após o inexplicável suicídio de sua mulher. O hiper dramático Com Amor, Liza conta também com Kathy Bates (Louca Obsessão). O personagem de Hoffman se desenvolve de maneira poderosa, o ator nova-iorquino pinta e borda nesta produção pouco conhecida entre o público. Vale a pena conferir!

Capote (Bennett Miller, 2005)

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A grande interpretação da carreira de Hoffman sem dúvidas é no filme Capote. O ator dá vida ao famoso e polêmico protagonista, extremamente peculiar no seu modo de falar e agir. Na trama, dirigida, o protagonista investiga o assassinato de alguns moradores de uma pequena cidade do Kansas, que serve de trama para o romance-reportagem A Sangue Frio (1966). Hoffman ganhou seu primeiro e único Oscar por este filme.

Antes Que o Diabo Saiba Que Você Está Morto (Sidney Lumet, 2007)

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Na trama, ambientada em Nova York, dois irmãos em grande dificuldade financeira resolvem executar um louco plano: assaltar a loja da família para pagar suas dívidas. Obviamente o projeto não dá certo e a tensão familiar só cresce. Hoffman compartilha as sequências mais interessantes deste suspense com o ator Ethan Hawke (Antes da Meia Noite) intérprete do seu irmão.

A Família Savage (Tamara Jenkins, 2007)

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Impressiona o entrosamento entre Laura Linney (O Enviado) e Philip Seymour Hoffman neste ótimo longa. O humor sarcástico toma conta dos excelentes diálogos e transformam a história dramática de dois irmãos, que precisam cuidar de seu afastado pai, em uma ótima dica para se divertir. A versatilidade de Hoffman é uma das grandes qualidades do artista.

Dúvida (John Patrick Shanley, 2008)

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Ao abordar a igreja e alguns temas polêmicos, John Patrick Stanley envolveu Meryl Streep, ao lado de Philip Seymour Hoffman, numa trama de suspense e mistério. Uma freira suspeita (Streep) do relacionamento do padre (Hoffman) com um dos alunos da escola e arma um modo de tirar o sacerdote da instituição. Hoffman brinca com o público, expõe seu personagem ao limite e mesmo assim muita gente ainda tem dúvidas sobre o polêmico desfecho da narrativa. Confira e tire suas próprias conclusões. O ator foi indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por este trabalho.

Os Piratas do Rock (Richard Curtis, 2009)

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A comédia reúne um elenco de grandes astros do cinema para contar nas telonas como foi a revolução das rádios piratas britânicas na década de 1960. No filme, conhecemos um grupo de amigos que monta uma emissora e cria uma programação de rock 24 horas por dia. É o tipo de filme que você chora e ri. O ator Hoffman aparece pouco e, mesmo assim, diverte o público! Imperdível!

O Mestre (Paul Thomas Anderson, 2012)

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Quando Philip Seymour Hoffman aceitou o convite para interpretar Lancaster Dodd sabia que era a sua chance de conquistar o seu segundo Oscar, não levou, mas chegou perto. Com foco nos conflitos emocionais de um veterano da marinha, Paul Thomas Anderson brinda os espectadores com um drama complexo e verdadeiro. O Mestre criou polêmica antes do lançamento por falar da cientologia, conjunto de crenças e práticas criadas por L. Ron Hubbard, que sugere que os seres são imortais. O destaque do filme são as atuações impecáveis de Hoffman e Joaquin Phoenix.