Crítica | Corrente do Mal

Crítica | Corrente do Mal

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Uma carta de amor aos 70´s

O terror é o gênero mais marginalizado do cinema. Um gênero essencialmente jovem, que por essa razão apenas esporadicamente investe na criatividade. Pequenas obras-primas aparecem de tempos em tempos, e muitas vezes não são reconhecidas por seu público-alvo, que espera sempre mais do mesmo (afinal é formado quase que exclusivamente por adolescentes). É curioso notar que quando essas preciosidades aparecem, quem as aponta são pessoas não necessariamente aficionadas pelo gênero.

Também não é difícil constatar que a originalidade no gênero reside em produções independentes, nas quais o cineasta (na maioria das vezes o autor da obra) possui toda liberdade para fazer o filme que deseja, seja o resultado qual for. David Robert Mitchell se encaixa neste quesito. O cineasta é o responsável pelo roteiro e direção do criativo Corrente do Mal, tido por muitos como um dos melhores filmes deste ano, que chega finalmente ao Brasil neste fim de semana após alguns meses de atrasos e adiamentos.

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Na trama, a bela Jay Height (Maika Monroe) sonha em conhecer um belo rapaz para chamar de namorado, assim como todas as adolescentes. Ela conhece Hugh (Jake Weary) e os dois começam a sair. Depois de se entregar ao sujeito e perder a virgindade, surge a primeira e estarrecedora reviravolta na trama. Hugh a droga e a prende numa cadeira. Ele não está atrás de tortura ou vingança, simplesmente passar uma maldição. Para que a menina não duvide de sua história, o rapaz decide mostrá-la o que acontece, para que ela veja com os próprios olhos.

A trama é a seguinte: existe uma maldição passada através do sexo. Ela é passada de pessoa para pessoa, e se você foi “contagiado” deverá passar adiante para a próxima pessoa. O terror vem na forma de “criaturas” ou “entidades” idênticas a seres humanos, que poderão ser pessoas que você conhece, pessoas de seu passado, ou inclusive ilustres desconhecidos. Mas você sempre saberá pela forma que tais “pessoas” agem, caminhando de forma vagarosa em sua direção – sendo visíveis somente a você – e só parando quando conseguirem de fato te matar.

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Se você “pegou”, passe adiante e espere que a pessoa para quem passou faça o mesmo, assim te deixando no final desta fila macabra. Podemos perceber somente por esta premissa que o cineasta Mitchell se empenhou e colocou mais pensamento do que a maioria dos roteiristas do gênero fazem. Mas o filme vai além, subvertendo as próprias regras, além de brincar bastante com seus próprios conceitos. Não é só na narrativa e roteiro que Corrente do Mal surpreende com um sopro de originalidade dentro do cinema do gênero. A obra vai além caprichando em outros itens.




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O que Mitchel faz além de entregar um produto novo e refrescante é homenagear o cinema antigo também. Corrente do Mal é uma baita veneração aos filmes da década de 1970, em especial Halloween: A Noite do Terror (1978), de John Carpenter. A trilha criada por Rich Vreeland (sob o pseudônimo de Disasterpeace) pulsa a criada por Carpenter para o clássico Halloween. Além disso, as longas tomadas sem cortes, privilegiando a reação dos atores, e as cenas que mostram simplesmente adolescentes caminhando por uma rua desértica de um calmo bairro americano enquanto um grande mal espreita, é referência imediata ao filme do psicopata Michael Myers.

Para os verdadeiros apreciadores do cinema como arte (e não pessoas que buscam distração para ocupar suas vidas durante duas horas) são esses pequenos detalhes, que os cineastas se dão ao trabalho de confeccionar, que contam no conjunto geral. Fora isso, Mitchell tem tempo de criar personagens adolescentes interessantes, não sendo apenas as vítimas costumeiras que mais se assemelham a bonecos prontos para o abate. Todos possuem camadas e pequenos arcos dramáticos aqui. O destaque fica para a gracinha Maika Monroe (mistura entre Dakota Fanning e Brittany Murphy), que entre este filme e o ainda inédito The Guest vem sendo considerada a nova “rainha do grito” no gênero e possui um futuro promissor.

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