Crítica 2 | Capitão América: Guerra Civil

Crítica 2 | Capitão América: Guerra Civil

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Um filme que demonstra a competência e o equilíbrio da Marvel Studios

Apesar da quantidade de produções envolvendo super-heróis que se faz hoje, parece que nem tão cedo os mascarados ficarão longe das telas. Primeiro por outros grandes estúdios também ansiarem pegar uma parte desse filão e já programarem um cronograma extenso; depois porque as marcas já experientes na vertente, até com alguns dando sinais de exaustão, não demonstram cansaço e anunciam anualmente seus próximos exemplares. Principalmente por estes ainda causarem alvoroço dentre o público.

No topo da pirâmide está a Marvel Studios, que mesmo trabalhando em cima de formulas estabelecidas há quase uma década, consegue inserir elementos capazes de despertar a euforia dos fãs e entusiastas. É o caso deste Capitão América: Guerra Civil, um dos títulos de maior equilíbrio do estúdio, justamente por pegar características eficazes de seus predecessores e adicionar pontos que, no final de tudo, se tornam fundamentais.

A trama é livremente inspirada na saga de quadrinhos também chamada de Guerra Civil, de Mark Millar e Steve McNiven, onde devido a vários casos de catástrofes envolvendo heróis e tendo como estopim um fato ainda maior com um grupo inexperiente, o governo americano junto à S.H.I.E.L.D. e as nações unidas decidem registrar as identidades dos encapuzados a fim de responsabiliza-los por seus atos, dessa forma podendo supervisiona-los mais afundo. Já no filme o caso se dá pela própria opinião pública não suportar os antecedentes e a ONU intervir, pedindo que toda a equipe dos Vingadores e filiados sejam praticamente seus funcionários.




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Em ambos os casos temos um racha entre os super-heróis, que enxergam de maneiras opostas a situação. Que será mais interessante você descobrir ao ver o filme e assim finalmente escolher de que lado está. O que realmente importa nisso tudo é o fato dos realizadores impetrarem a façanha de que ambos os lados possuem motivos plausíveis, tornando o embate entre eles completamente admissível. E isso não se dá apenas por já conhecermos o perfil dos personagens explorados, também porque a fita possui um texto interessante que se preocupa em discutir os pontos da questão. Veja que até mesmo a ideia de vingança do vilão Zemo, bastante humanizado pelo espanhol Daniel Brühl, tem um significado particular e é justificada.

Do ponto de vista narrativo o longa também é eficaz por saber mesclar bem os momentos de tensão, investigação e ação. Este último, aliás, parece ser mesmo a área dos Irmãos Russo, pois os cineastas possuem uma noção muito interessante na realização de cenas grandiosas mais agitadas. Assim como vimos no ótimo Capitão América 2: O Soldado Invernal (2014), temos aqui momentos eletrizantes, cheios de impacto e planos pontuais. Por sinal, uso dos planos abertos e pequenas passagens panorâmicas são cruciais para formar a geografia das cenas, deixando o espectador atento ao que está vendo e tendo a noção de onde aquilo se passa.

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Outro tópico a se destacar é o fato de trabalharem com tantas figuras importantes e saberem dosar o tempo de tela de cada um. Vemos aqui a adição de dois novos grandes heróis, logo pensamos que faltará identificação por parte da plateia, mas a situação é exatamente oposta. Após vê-los em ação queremos de imediato que estes ganhem suas aventuras solos. E no que se refere às aventuras propriamente ditas e algumas gags cômicas, Guerra Civil não faz feio, pois traz o clima empolgante notado no sucesso Os Vingadores (2012), bem como insere piadas sutis e naturais dentre os diálogos dos personagens.

Talvez o ponto fora da curva esteja na duração do filme, que ainda no primeiro ato possui certa gordura e faz o espectador ficar apenas na expectativa pelos acontecimentos futuros, tendo a sensação de que nada acontece. Ou até tenha faltado uma consequência mais trágica no episódio, que poderia trazer uma dramaticidade maior ao evento. No mais não há problemas que afetem a visão macro da obra. De um modo geral, nem esses tópicos levantados o empalidecem, já que tudo parece fluir bem: trama, estética, elenco (todos se doando, com destaque especial para Robert Downey, Jr) e proposta. Ou seja, a casa das ideias marca mais um golaço e deixa sua rival ainda mais atrás da tabela, pelo menos no que se refere a cinema.

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