Crítica | Ben-Hur

Crítica | Ben-Hur

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Na onda de remakes e reboots que assola Hollywood, era muito difícil imaginar que eles deixariam os clássicos intocáveis. Prova disso é a produção dessa releitura de ‘Ben-Hur‘, que se for bem nas bilheterias, vai iniciar uma nova onda de refilmagens dos grandes clássicos do cinema (algo que havia sido interrompido com a tentativa fracassada de regravar ‘Psicose‘ em 1998).

Ben-Hur‘ é uma adaptação do romance ‘Ben-Hur: Um Conto sobre o Cristo‘, escrito por Lew Wallace em 1880. A adaptação mais conhecida nos cinemas foi dirigida por William Wyler em 1959, se tornando o primeiro filme a ganhar onze Oscars.

O filme de 59 teve o maior orçamento e os maiores cenários construídos na história do cinema até então, passando por vários problemas na produção e se tornando uma das maiores obras do cinema, em termos de produção e duração (222 min).




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O grande acerto dessa releitura foi diminuir a grandiosidade do filme de William Wyler. Com “apenas” US$ 100 milhões de orçamento e duas horas de duração, o novo filme é bem sucedido como uma releitura da obra original.
Apesar de trazer as grandes cenas épicas, o novo ‘Ben-Hur‘ tem suas liberdades criativas e altera trechos da história, trazendo uma mensagem de amor e paz que cai melhor nos tempos modernos.

A história acompanha Judah Ben-Hur (Jack Huston), um príncipe falsamente acusado de traição por seu irmão adotivo Messala (Toby Kebbell), um oficial do exército romano. Destituído de seu título, afastado de sua família e da mulher amada (Nazanin Boniadi), Judah é forçado à escravidão. Depois de muitos anos no mar, Judah retorna à sua pátria em busca de vingança, mas encontra a redenção.

Um dos pontos positivos da produção está na direção de Timur Bekmambetov, que tem altos e baixos em sua carreira – indo do ótimo ‘O Procurado‘ até o tenebroso ‘Abraham Lincoln ‑ Caçador de Vampiros‘. Apesar de sua carreira instável, é inegável que o diretor russo saiba criar cenas visualmente espetaculares, e ele deixa sua marca nas cenas de ação como poucos diretores conseguem fazer.




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Ao tentar condensar a cumprida história em apenas duas horas, o roteiro de Keith R. Clarke e John Ridley deixa vários furos na trama, mas isso não prejudica a mensagem principal do filme, que também é salva pelas boas atuações do elenco de estrelas em ascenção.

Jack Huston e Toby Kebbell estão ótimos no papel dos meio-irmãos Judah Ben-Hur e Messala, trazendo uma ótima química em tela na transição de amor e ódio que um sente pelo outro.

Rodrigo Santoro é um orgulho nacional e brilha no papel de Jesus Cristo, deixando a figura religiosa de lado e pautando sua atuação no homem que ele foi. Uma atuação memorável, diga-se de passagem. Outro destaque no elenco é o sempre ótimo Morgan Freeman, que interpreta Ilderim. Apesar do roteiro não aprofundar seu personagem, Freeman tira de letra e consegue criar uma empatia com o público.

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Sem tentar replicar a grandiosidade do filme ganhador de 11 Oscars, ‘Ben-Hur‘ é uma deliciosa jornada sobre vingança e redenção, que transita entre cenas grandiosas e cafonas, mas entrega exatamente o que promete: uma aventura épica no melhor estilo ‘Gladiador‘.

Se esquecermos a cena final de telenovela embalada por uma música duvidosa, ‘Ben-Hur‘ é uma produção grandiosa que merece ser vista em toda a glória de uma telona IMAX.

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