Crítica | O Sequestro – Suspense tosco com Halle Berry

Crítica | O Sequestro – Suspense tosco com Halle Berry

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Mirou no thriller, acertou na comédia

A bela Harry Berry iniciou sua carreira em 1989, quando participou da série Living Dolls. No entanto, o reconhecimento e o pulo para o time A de Hollywood chegou após X-Men (2000), primeiro filme da retomada do gênero super-heróis no cinema, no qual conquistou o papel de Tempestade.

Depois disso, Berry se tornou uma estrela, participando de blockbusters como A Senha: Swordfish (2001) e 007 – Um Novo Dia para Morrer (2002), além das sequências do filme dos mutantes da Fox (2003 e 2006). Graças a este status recém-adquirido, Berry conseguia se tornar protagonista e carregar com seu nome filmes como Na Companhia do Medo (2003), Mulher-Gato (2004), A Estranha Perfeita (2007) e Coisas que Perdemos Pelo Caminho (2007).

Independente do resultado de tais filmes, a carreira da atriz sofria uma bem-vinda guinada, importante para a representatividade em tal mercado, afinal Berry, uma atriz afrodescendente, se tornava uma estrela do nível das maiores de sua geração. Justamente por isso, pensando unicamente por um viés de maior aceitação social, teria sido muito interessante se tais filmes, digamos, fossem bons.

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É claro que neste meio tempo a atriz marcou seu nome na história como a terceira mulher negra a vencer o Oscar, depois de Hattie McDaniel, por E O Vento Levou… (1940) e Whoopi Goldberg, por Ghost – Do Outro Lado da Vida (1991). O que ocorre é que depois disso, a carreira de Berry parece ter sido afetada pela conhecida lenda urbana da maldição do Oscar, e desde então a atriz tem se metido em furadas consecutivas.

Pode-se dizer também que este O Sequestro é uma das maiores furadas na qual Halle Berry já se meteu. O longa é tão errático que brincadeiras já surgem sobre ser uma cartilha do que NÃO fazer caso seu filho, parente ou qualquer conhecido, seja sequestrado. Deveria ser exibido para pais e filhos. Berry, porém, é uma atriz talentosa e o problema aqui está longe de ser ela. A atriz se esforça e tem bons momentos dramáticos inclusive.

Em resumo, aqui temos dois grandes empecilhos: o roteiro escrito por Knate Lee e a direção de Luis Pietro. Na trama, Berry é Karla Dyson, uma garçonete lutando para conseguir a guarda do filho pequeno. Seu ex-marido, um homem rico e poderoso, por alguma razão quer tirar a criança da mãe. Esse é apenas um dos detalhes apenas pincelados pelo longa, deixando no ar e soando muito mais como uma história incompleta do que algo propositalmente deixado em branco para que completemos as lacunas por conta própria. Ao contrário de nos dar tais respostas que seriam importantes, o filme prefere perder tempo com inúmeras perseguições de carros inúteis e completamente inverossímeis.

Na cena de abertura, a protagonista enfrenta a fúria de clientes irritantes, sem educação e noção. O estranho é que ela age como se isso fosse uma grande surpresa. Se esta profissão é o que faz desde sempre, deveria estar acostumada a lidar com clientes mala e tirar de letra – outro tópico apenas pincelado pelo longa, sem que recebamos as dicas necessárias para tirar nossas conclusões aqui. Ao mesmo tempo em que lida com advogados para conseguir a guarda de sua cria, o pequeno Frankie (Sage Correa), esta “mãe exemplar” arruma tempo para perder o menino em questão de segundos num parque enquanto se afasta para atender o telefone, justamente para discutir se manterá a criança sob seus cuidados – por falar em ironia extrema!

Começa então o pesadelo supremo para qualquer mãe e sua busca implacável para achar os sequestradores de seu filho. Berry então se transforma, de uma mãe carinhosa (mas não tão zelosa), que mal consegue acertar os detalhes para manter a guarda do filho, em um dos integrantes da franquia Velozes e Furiosos, no comando de sua minivan – seria legal vê-la no próximo filme ao lado de Vin Diesel e companhia.

A garçonete acelera nas estradas, atravessando o estado, e realizando as proezas mais audaciosas, desafiando a gravidade, e no caminho causando mais estorvo, acidentes e até mortes do que um caso de sequestro realmente deveria valer. Não me leve a mal, perder um filho desta forma, para criminosos, é algo terrível, mas a partir do momento que em seu caminho, para recuperar o mesmo, se faz mais vítimas inocentes, perde-se totalmente o propósito.

O Sequestro é um filme que preza o egoísmo, o individualismo e se torna apenas reflexo do mundo atual. O lema é: “irei recuperar meu filho, custe o que custar – não importando quantos corpos pelo caminho iremos deixar”. O pior é que a mulher desvairada põe em risco o próprio filho também.

O roteiro de Knate Lee, também produtor aqui, que surpreendentemente trata do roteiro de X-Men: Novos Mutantes (o que já me faz temer por este filme neste exato momento), apresenta soluções risíveis para todos os obstáculos da trama. A protagonista, apesar de heroica, depende de tremenda sorte, mesmo cometendo todas as decisões equivocadas que poderia (é sério, a maioria beira o inacreditável – só vendo para crer).

A direção de Luis Pietro (do remake de Pusher, que teve o diretor original Nicolas Winding-Refn como produtor, e no Brasil se chamou Contra o Tempo) faz o feijão com arroz, bambeando de trechos aceitáveis para outros no qual seu talento é posto à prova, deixando a desejar em consequência. Apesar de todos os seus defeitos, e são muitos, vejo O Sequestro se tornando um filme cult daqui a alguns anos, correndo o risco de ser celebrado como algo histriônico, que de tão ruim se torna algo imensamente divertido. Eu e meus colegas encontramos boas risadas. Ou seja, se quiser algo do tipo, garanta seu ingresso.


Cenas Pós-Créditos de Liga da Justiça


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