Primeiro prêmio do Festival de Cannes é brasileiro: ‘Cinema Novo’

Primeiro prêmio do Festival de Cannes é brasileiro: ‘Cinema Novo’

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O Brasil levou o primeiro prêmio da 69º edição do Festival de Cannes, o mais importante evento do cinema mundial de autor.

Cinema Novo‘, filme-ensaio do brasiliense Eryk Rocha, foi premiado com o L’Oeil D’Or (Olho de Ouro) – entregue ao melhor documentário de todo o festival.

O documentário investiga poeticamente o principal movimento cinematográfico latino-americano, o Cinema Novo, através do pensamento dos seus principais autores, dentre os quais está o seu pai, Glauber Rocha.




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Entre outros diretores analisados no documentário estão Cacá Diegues, Ruy Guerra, Nelson Pereira dos Santos e Paulo César Saraceni.

O filme foi exibido na mostra oficial Cannes Classics.




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Sobre o Festival de Cannes

A seleção desse ano, especialmente, impressionou os cinéfilos em geral por trazer para competição nomes como Pedro Almodóvar (Fale com Ela), Paul Verhoeven (RoboCop – O Policial do Futuro), Jim Jarmusch (Amantes Eternos), Chan-Wook Park (Oldboy) e outros talentos do nível. Dentre estes está Kleber Mendonça Filho (O Som ao Redor), com o seu novo filme Aquarius, o cineasta pernambucano que impressionou público e crítica em seu longa de estreia. A produção é aguardada até mesmo pela imprensa internacional, a exemplo da Variety que a colocou como indispensável na lista de seus três críticos. Resta então a nossa torcida.

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No entanto não é de hoje que o cinema brasileiro aparece no festival, desde o final dos anos de 1940, com Sertão, de João G. Martin, competimos na categoria principal. E até vencermos a Palma de Ouro com O Pagador de Promessas (1962), foram mais de dez indicações. Em 1963 – assim como em 1954 com Feitiço do Amazonas e O Canto do Mar – chegamos a ter dois filmes na mesma competição, os já clássicos Vidas Secas e Deus e o Diabo na Terra do Sol, respectivamente de Nelson Pereira dos Santos e o genial Glauber Rocha. Ainda na década de 1960 tivemos mais quatro indicações, duas delas comandadas pelo próprio Glauber, Terra em Transe (1967) e O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro (1968) – por este último, inclusive, o baiano foi o único brasileiro a conquistar o prêmio de Melhor Diretor.

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Outros cineastas também tiveram três de suas obras concorrendo na categoria principal: o alagoano Cacá Diegues, por Bye Bye Brasil (1979), Quilombo (1984) e Um Trem para as Estrelas (1987); o carioca Walter Salles, com Diários de Motocicleta (2004), Linha de Passe (2008) e On the Road (2012); além do argentino radicado no Brasil, Héctor Babenco, pelos filmes O Beijo da Mulher-Aranha (1986), Coração Iluminado (1998) e Carandiru (2003). Ainda que após a década de 1980 tenhamos tido um jejum de participações, devido a problemas políticos e cortes de verbas culturais, o Brasil vai aos poucos recuperando os seu prestígio. Mesmo levando em conta que há oito anos um filme falado em português não competia.

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Na mostra Um Certain Regard tivemos inúmeros longas canarinhos exibidos como Eu Tu Eles (2000), Madame Satã (2002), Cidade Baixa (2005), Cinema, Aspirinas e Urubus (2005), O Banheiro do Papa (2007), A Festa da Menina Morta (2008) e muitos outros. Assim como atores nacionais concorreram em suas devidas categorias, até mesmo, duas conquistaram o prêmio de Melhor Atriz: Fernanda Torres (Eu Sei que Vou Te Amar) e Sandra Corveloni (Linha de Passe). E como é sabido, dentro de Cannes existem outras competições, por exemplo, Terra em Transe venceu o prêmio da Crítica FIPRESCI, Cidade Baixa o da Juventude e Cinema, Aspirinas e Urubus o da Educação Nacional; já Vidas Secas conquistou os prêmios do OCIC e Cinemas de Arte, assim como Nelson Pereira dos Santos ganhou o FIPRESCI por Memórias do Cárcere (1984).

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Vivemos atualmente uma excelente safra no nosso cinema, que é repleto de produções ricas artisticamente e bastante importantes em temas sociais. Até em gêneros diversos temos lançado bons filmes por aqui. Outros festivais espalhados pelo mundo premiam todos os anos trabalhos feitos no Brasil. O Oscar ainda é algo distante, até mesmo pelo lobby necessário, mas certamente não ficamos atrás de cinematografia de país nenhum. Temos qualidade e identidade, e isso é o que realmente importa. Uma vitória em Cannes agora seria apenas a cereja do bolo.

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