Avatar é um daqueles filmes cujo sucesso parece ser irreplicável. Lançado numa época de redes sociais ainda não tão difundidas globalmente e sem integrar uma franquia famosa, o longa contraria praticamente todas as receitas de sucesso adotadas pelos estúdios na atualidade. Ainda assim, a ficção científica de James Cameron sobre a importância da preservação da natureza e da manutenção dos povos indígenas se tornou a maior bilheteria de todos os tempos.

Com um fandom apaixonado, o longa virou franquia e segue firme e forme nos cinemas até hoje, com direito a um novo capítulo programado para estrear em breve. Enquanto ele não chega, o CinePOP separou dez curiosidades sobre os bastidores do filme original para você conhecer ou relembrar. Confira!
Más escolhas
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Quando você pensar que fez escolhas ruins na vida, lembre-se de Matt Damon. O ator era a escolha original do diretor James Cameron para interpretar o protagonista de Avatar, Jake Sully. E não era um convite para fazer testes, Cameron já havia definido que o papel seria do ator. Mais do que isso, o contrato incluía uma cláusula que renderia a Damon o equivalente a 10% da bilheteria final do filme. O ator, porém, recusou o papel porque estava no meio das filmagens de O Ultimato Bourne e não queria deixar a equipe na mão. No fim das contas, por conta da bilheteria recorde de Avatar, ele teria recebido um salário aproximado de 290 milhões de dólares, algo em torno de 1.5 bilhão de reais na cotação atual.
Mudou a vida

Com a recusa de Matt Damon, o papel de Jake Sully acabou indo para Sam Worthington, um ator australiano que era praticamente desconhecido neste lado do mundo. E isso mudou sua vida para sempre. Quando foi chamado para fazer o teste, Sam tinha uma carreira honesta nas produções da Austrália, mas enfrentava uma grave crise de fé. Ele se sentia frustrado com a própria vida e como não se conectava com a religião que seguia por conta da rotina. Diante dessa crise pessoal, ele vendeu todos os seus pertences e passou a morar em um carro. Após o sucesso de Avatar, ele deu a volta por cima e conseguiu uma rotina que o permitiu buscar rumos que desejava.
Reaproveitamento

Uma das coisas mais fascinantes da mitologia de Avatar são as criaturas fantásticas que habitam Pandora. São animais pensados para serem críveis naquele ambiente único, estando de acordo com a lei da evolução. E para criar esses bichos, Cameron apostou em um outro grande sucesso do cinema: Jurassic Park – O Parque dos Dinossauros (1993). Embora os visuais não tenham nada a ver, os sons dos dinossauros foram reaproveitados e remixados, principalmente os efeitos sonoros da T-Rex e dos Velociraptores.
Projeto antigo

A ideia de fazer Avatar já habitava a cabeça de James Cameron há muito tempo. A primeira tentativa de realizar o projeto previa sua finalização em 1999, mas ele queria fazer o filme com efeitos revolucionários, cujo custo era estimado em aproximadamente 400 milhões de dólares, o que fazia do filme algo simplesmente impossível de ser realizado, já que nenhum estúdio queria apostar essa fortuna em um projeto sem perspectiva de retorno. Porém, o sucesso de Titanic (1997) acabaria dando a ele uma certa ‘moral’ de bons retornos financeiros.
Efeitos

Mais do que “apenas” o valor absurdo da produção, James Cameron temia que a tecnologia da época não era avançada o suficiente para construir esse mundo fictício com a perfeição que ele planejava, então não se chateou em esperar. Ele mudou de ideia após assistir os filmes da trilogia O Senhor dos Anéis e se encantar com a técnica da Captura de Movimento, que trouxe o Sméagol (Andy Serkis) para as telonas. A partir daquele momento, o diretor soube que seria possível fazer Avatar como ele sempre planejou.
Na’Vi
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A criação de universo de Avatar realmente foi muito complexa e exigiu esforços incríveis da produção. Mas o caso mais impressionante desse filme é que Cameron contratou o linguista Dr. Paul R. Frommer para criar a língua Na’Vi do zero. O profissional foi instruído a criar um idioma que não remontasse a qualquer língua terrestre existente, mas que ainda assim soasse de forma aprazível para o público e o elenco. Ele criou sintaxes e mais de mil palavras para compor o vocabulário. No fim das contas, Sam Worthington revelou que Na’Vi foi mais fácil de aprender do que o sotaque americano.
Divino

Inclusive, a palavra “Na’Vi”, que é usada para designar a raça dos habitantes humanoides de Pandora, é derivada do hebraico e significa “povo que fala diretamente com Deus”. No caso, isso faz muito sentido, já que os Na’Vi consideram a natureza como sua principal divindade, fazendo conexões com ela por meio das tranças em seus cabelos. Mais do que isso, a própria conexão com Eywa, a principal divindade Na’Vi, é mostrada como algo palpável no filme.
Brasil

Além de cineasta, James Cameron é também um apaixonado pelo meio ambiente. Durante a produção de Avatar, o diretor visitou o Norte do Brasil algumas vezes, principalmente a região do Xingu. Em suas visitas, ele estudou e aprendeu costumes indígenas, além de se encantar com o Festival de Parintins. Anos mais tarde, ele assumiu a influência da cultura brasileira na produção, tendo retornado ao país mais algumas vezes para novas visitas e para apoiar projetos de preservação.
Escolhido
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A criatura mais fantástica do filme é o predador lendário conhecido como Toruk Makto. Seu nome significa “última sombra” em Na’Vi, porque costuma ser a última sombra que alguém vê na vida, já que ele é um predador letal. Ele é associado a grandes líderes, e apenas cinco indivíduos foram capazes de montá-lo na história. É um criatura mítica. No filme, Jake deu uma explicação ‘racional’ para como ele fez para conseguir fazer a conexão. Porém, James Cameron fez com que a criatura perseguisse apenas Jake Sully. Quando ele está sozinho, o Toruk Makto o persegue. Quando ele está acompanhado, isso não acontece. Essa escolha se deu para mostrar que mesmo com a ciência, o folclore e tradições Na’Vi estavam corretos, fazendo com que a criatura escolhesse os dignos de se aproximarem dela.
Recordista

Avatar foi um fenômeno de bilheteria. Em sua primeira passagem, a ficção de James Cameron arrecadou aproximadamente US$ 2,788 bilhões, fazendo dela a maior bilheteria da história. E assim permaneceu por uma década, até ser superada por Vingadores: Ultimato, em 2019. O filme da Marvel conquistou US$ 2,797 bilhões nas bilheterias, o que foi muito comemorado pela Disney. Porém, esse título duraria pouco tempo. Com os dez anos da estreia, Avatar foi relançado nos cinemas naquele mesmo ano e teve grande bilheteria na China, fazendo com que a bilheteria final aumentasse para US$ 2,923 bilhões. No fim, quem sorriu com essa disputa foi a própria Disney, que é dona das duas franquias.

