Lançado em 2014, Interestelar se tornou um daqueles sucesso geracionais. Até mesmo quem não era fã de cinema arrumou um tempinho para conferir o que aquele filme tinha de tão especial para fazer com que todo mundo falasse dele. Inspirado fortemente por conceitos científicos precisos, o longa ajudou a consolidar o IMAX e acabou virando o filme favorito de muitos.

O sucesso foi tanto que anualmente esse filme volta às rodas de debate, além de estar sendo reexibido nos cinemas do mundo inteiro com uma certa frequência, sempre esgotando as sessões muito rapidamente. Neste fim de semana, o CinePOP separou dez curiosidades sobre Interestelar que você talvez não conheça. Confira!
Irmandade

Originalmente, o diretor que estava escalado para comandar esta ficção espacial era o célebre Steven Spielberg. Isso lá para 2006. Na época, ele convidou Jonathan Nolan para escrever o roteiro, que fez um bom trabalho. No entanto, os anos foram passando e Spielberg decidiu abandonar o projeto para trabalhar em Ponte dos Espiões. Para não deixar o filme ser engavetado, Jonathan sugeriu dar uma chance para seu irmão, Christopher Nolan, que estava com muito prestígio por conta da trilogia do Batman. E o resto é história.
Inspiração no passado

O filme começa com uma sociedade em declínio, na qual tempestades de poeira assolam o cotidiano das pessoas. Por mais impressionante que possa parecer, isso foi inspirado em um evento histórico que aconteceu de verdade nos EUA, durante a década de 1930, paralelamente à Grande Depressão. Chamada de “Dust Bowl”, essa catástrofe natural foi considerada a mais longeva da história americana. Com a alta procura por trigo, os fazendeiros transformaram as planícies em grandes pastos. Porém, com a vinda da seca e a terra revirada, a camada superficial do solo acabou se soltando e virando poeira. Os ventos carregavam essa poeira, destruindo pastagens e matando o gado. O mais assustador é que isso só foi terminar lá para os anos 40, deixando um rastro de destruição e epidemias de problemas respiratórios, como pneumonia e Febre do Vale, que era causada por um fungo que vinha do solo revirado.
Cenários reais

Como de costume nos filmes do Nolan, houve um compromisso muito grande do diretor em trabalhar com o máximo de efeitos práticos possíveis, o que incluiu construir o máximo possível de cenários, evitando as telas verdes. Isso incluiu a icônica sequência do Tesseract. Mais do que isso, o filme registrou o maior uso de câmeras IMAX da carreira de Nolan, que tentou registrar um visual único para o longa. Sua ideia era construir uma experiência de total imersão para que o público conseguisse viajar junto com a tripulação em uma jornada inesquecível.
Reinvenção

O lendário compositor Hans Zimmer fez um de seus trabalhos mais impressionantes neste filme. E a forma que ele foi abordado por Nolan fez total diferença para o sucesso da trilha. O diretor afirmou que precisaria de uma completa reinvenção do compositor. Então, em vez de entregar um roteiro ou detalhes do filme a ele, Chris entregou apenas uma página que relembrava partituras e grandes etapas da carreira de Zimmer para que ele refletisse e buscasse criar algo completamente novo.
Milharal

Essa aqui é bastante conhecida, mas é sempre bom relembrar que o compromisso da equipe com os efeitos práticos foi tão grande que o famoso milharal da família, que é mostrado no início do filme, não foi construído digitalmente. A equipe do filme plantou mesmo 500 acres de milho (cerca de 1.175 campos de futebol) para as filmagens. Ao fim das gravações, a plantação foi vendida por um valor bem alto, incrementando o orçamento final do filme.
Cientista

O longa também teve um compromisso muito intenso com a ciência. O conceito de viagem espacial do filme foi baseado nos estudos do físico Dr. Kip Thorne. O físico, inclusive, foi figurinha carimbada nos bastidores, porque ele estabeleceu duas diretrizes que deveriam ser seguidas à risca: o primeiro era que as principais ideias criativas do filme deveriam vir das teorias da ciência, não da criatividade dos roteiristas. A segunda era a lei que deveria ser seguida era da física. Se alguma ideia fosse cientificamente incorreta, deveria ser descartada, porque ele não queria ter seu nome atrelado a um filme errôneo. Isso rendeu um bate-boca curioso entre o cientista e o próprio Nolan, que queria trazer um momento em que seu protagonista viajaria mais rápido do que a luz.
Livro

Paralelamente ao lançamento do filme, o Dr. Kip Thorne lançou o livro “A Ciência de Interestelar”, em que contava mais detalhadamente sobre os conceitos abordados no filme, além de contar um pouco mais dos bastidores da obra de sua vida. Em 2017, ele veio ao Rio de Janeiro para dar uma palestra na PUC-RJ, onde, diante de um auditório abarrotado de gente, ele celebrou o sucesso do filme, afirmando que via “com enorme satisfação” o “impacto positivo do filme entre os mais jovens”, comemorando o interesse da juventude pelo mundo da física.
Buraco Negro

Uma das maiores dores de cabeça de Nolan era o bendito Buraco Negro. Ele temia que adotar uma versão cientificamente correta não seria bem compreendida pelo público. No entanto, ele compreendeu que retratando o fenômeno por um ponto de vista, sem buscar diferentes ângulos, deixava tudo bastante compreensível. O resultado foi tão impressionante que rendeu elogios de toda a comunidade científica, que afirmou que aquela representação do filme era extremamente realista.
Naves

Para conseguir os ângulos e efeitos que achava mais adequados, Nolan apostou na construção de duas versões das espaçonaves utilizadas no filme (Ranger, Endurance e Lander). As primeiras versões eram em tamanho normal, ou seja, gigantescas, e o elenco podia entrar nelas. As segundas versões eram em miniatura, permitindo que eles captassem ângulos diferenciados de cenas de mais ação, por exemplo.
Sucesso

Com custo de 165 milhões de dólares, Interestelar foi considerado um sucesso absoluto. Além de ter arrecadado mais de 750 milhões de dólares, o longa foi um fenômeno de críticas e ajudou a consolidar as salas IMAX ao redor do mundo. Não fosse o bastante, o filme colecionou prêmios internacionalmente, tendo conseguido cinco indicações ao Oscar, levando a estatueta na categoria de Melhores Efeitos Visuais.

