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10 Filmes que apagamos de nossas mentes por inteiro – e não temos culpa!


Em um mundo saturado de lançamentos constantes e superproduções, alguns filmes simplesmente desaparecem da memória do público, mesmo tendo estreado há menos de uma década. Essas obras, por mais que tenham tido atores conhecidos, orçamentos consideráveis ou grandes campanhas de marketing, acabam caindo no limbo do esquecimento — vítimas de roteiros genéricos, falta de originalidade ou de um apelo que realmente conecte com o espectador. São títulos que, apesar de sua existência, parecem não ter sido assistidos por ninguém, virando quase lendas urbanas do cinema contemporâneo.

Esse fenômeno mostra como a indústria cinematográfica pode ser implacável e como o público, cada vez mais exigente e bombardeado por opções, acaba rejeitando o que não consegue prender sua atenção. Filmes que deveriam ter marcado a década acabam esquecidos, relegados a pastas em serviços de streaming, enquanto a cultura pop segue em frente, sem olhar para trás. Revisitar essas produções é um exercício curioso, que revela tanto as tendências passageiras quanto as armadilhas do mercado audiovisual moderno. Confira abaixo.

Sob o Mesmo Céu



Sob o Mesmo Céu (Aloha) é um daqueles casos curiosos de filmes com tudo para dar certo — grande elenco, diretor prestigiado, cenários paradisíacos — mas que simplesmente não funcionam… e acabam esquecidos. Escrito e dirigido por Cameron Crowe (de ‘Quase Famosos), o longa reunia Bradley Cooper, Emma Stone, Rachel McAdams e até Alec Baldwin em uma trama que mistura romance, drama militar e questões culturais no Havaí. Mas o resultado foi um tanto bagunçado e desajeitado.

O filme foi criticado por sua narrativa confusa, ritmo irregular e principalmente pela escalação de Emma Stone como uma personagem havaiana com ascendência asiática — o que gerou uma grande controvérsia na época. Apesar de todo o brilho de Hollywood envolvido, ‘Sob o Mesmo Céu não encontrou seu tom e tampouco seu público, rapidamente caindo no limbo dos filmes que “existem”, mas ninguém lembra de ter assistido. Hoje, é mais citado como exemplo de casting problemático do que por qualquer valor cinematográfico real.

American Ultra – Armados e Alucinados

Esse filme parecia querer desesperadamente se tornar um cult instantâneo ao misturar ação insana, comédia maconheira e romance improvável, com Jesse Eisenberg como um agente secreto letal que nem sabia que era agente secreto — e Kristen Stewart como sua namorada cúmplice. Mas a mistura não emplacou: o tom irregular, os clichês estilizados e a tentativa forçada de ser “cool” demais afastaram tanto a crítica quanto o público. Mesmo com boas ideias e uma dupla carismática, o filme acabou perdido entre gêneros e hoje é mais lembrado como uma curiosidade de streaming do que como uma produção marcante.

O Franco-Atirador

Calma, não estou falando do clássico da década de 70 com Robert De Niro e Meryl Streep, e sim de seu “imitador de título” em português. The Gunman (no original) foi a tentativa de transformar Sean Penn em um novo herói de ação no estilo “homem maduro e perigoso” que fez sucesso com Liam Neeson em ‘Busca Implacável. Dirigido por Pierre Morel, o mesmo do filme de Neeson citado, este longa tinha tudo para repetir a fórmula: tiroteios internacionais, conspiração geopolítica e um protagonista durão com passado sombrio. Mas o resultado foi genérico, sisudo e pouco empolgante, com um roteiro arrastado e sem o menor traço de carisma. O público não comprou a ideia de Penn como astro de ação, e o filme rapidamente sumiu da memória coletiva.

Música, Amigos e Festa

Esta produção tentou capturar, sem sucesso, o espírito da juventude moderna, com festas eletrônicas, ambição artística e muita vibe californiana. Zach Efron interpreta um aspirante a DJ tentando “estourar” no mundo da música eletrônica enquanto equilibra amizade, romance e dilemas existenciais. O problema é que o filme soava mais como um videoclipe estendido do que uma narrativa envolvente, com diálogos rasos e personagens pouco carismáticos. Lançado com muita pose de “filme de geração”, acabou falhando tanto de crítica quanto de bilheteria — e hoje é mais lembrado como um meme ou uma piada do que como um retrato legítimo da cena EDM.

Mistress America

Greta Gerwig e Noah Baumbach já fizeram muitos filmes juntos, o mais famoso deles sendo o fenômeno ‘Barbie‘. Porém, um que temos certeza que ninguém lembra é ‘Mistress America‘. Escrito pela dupla, a obra prometia ser uma comédia indie espirituosa e cheia de afeto sobre identidade, ambição e relações femininas pouco convencionais – seguindo os passos do elogiadíssimo ‘Frances Ha‘. Gerwig vive uma nova-iorquina excêntrica e falante que arrasta a jovem meia-irmã por um turbilhão de ideias mirabolantes e devaneios boêmios. Apesar do estilo verborrágico e da energia cativante de Gerwig, o filme acabou sendo celebrado apenas em nichos muito específicos — principalmente o público que já era fã do cinema indie nova iorquino. Fora desse circuito, passou quase despercebido, ficando com cara de “filme alternativo que você nem ouviu falar e muito menos viu”.

Victor Frankenstein

De tempos em tempos Hollywood tira da cartola ideias mirabolantes que tentam reinventar a roda. Quer um exemplo? Que tal modernizar o clássico de Mary Shelley com uma abordagem mais “radical”, cheia de ação e efeitos, centrando a história na perspectiva de Igor, o assistente corcunda do Doutor Victor Frankenstein? Para o papel de Igor, que tal Daniel Radcliffe, enquanto James McAvoy assume o papel do cientista obcecado. A intenção era dar um ar mais pop e empolgante à trama gótica, quase como um Sherlock Holmes steampunk, mas o resultado foi uma mistura desequilibrada de tom e estilo. Nem o talento da dupla principal salvou o roteiro confuso, repleto de excessos e pretensões. Lançado com barulho, acabou não gerando faísca nenhuma — e logo virou só mais uma tentativa esquecida de “reimaginar um monstro famoso”.

Lugares Escuros

Sabe aquela história de tentar capitalizar em cima do time que está ganhando? Pois bem, Lugares Escuros (Dark Places) chegou com pedigree: baseado no livro de Gillian Flynn, autora de Garota Exemplar, e estrelado por Charlize Theron. A premissa era sombria e intrigante, envolvendo uma mulher traumatizada que revisita um massacre familiar décadas depois, em busca da verdade. Mas, ao contrário da adaptação anterior de Flynn, este filme não teve o mesmo impacto. A narrativa morna, o ritmo irregular e a direção sem brilho tornaram o suspense pouco envolvente. Mesmo com um elenco forte, o longa acabou caindo no esquecimento — uma daquelas produções que prometiam muito, mas entregaram pouco e sumiram rápido das conversas.

Cavaleiro de Copas

Terrence Malick não é para todos. Depois de ter voltado aos radares com ‘A Árvore da Vida‘ (2011), o diretor sumiu de novo, e o culpado foi este ‘Cavaleiro de Copas‘. Estrelado por Christian Bale, o longa parecia destinado a ser uma obra poética e contemplativa sobre os vazios da alma em meio ao brilho de Hollywood. E realmente foi — talvez até demais. Com sua narrativa fragmentada, vozes sussurradas, belíssimas imagens e quase nenhum diálogo direto, o filme fascinou alguns poucos fãs de Malick, mas alienou o público geral. Para muitos, foi como assistir a um longo comercial de perfume existencialista. A intenção era profunda, mas a recepção foi morna, e hoje é lembrado mais como uma experiência estética curiosa do que como um drama marcante – pela mesma meia dúzia de fãs do diretor.

Pais e Filhas

Esse é um teste de cinefilia, pois até mesmo os maiores fãs de cinema terão dificuldade de saber que filme é este. Um drama emocional, a produção explora as complexas relações entre pais e filhas através de duas gerações. Com Russell Crowe no papel de um escritor traumatizado que luta para criar sua filha (Amanda Seyfried) após uma tragédia familiar. O filme busca tocar em temas como perda, redenção e os laços profundos da família. Apesar das boas intenções e do elenco talentoso, a narrativa por vezes se torna arrastada e previsível, o que dificultou a conexão com o público. Lançado sem grande alarde, ‘Pais e Filhas acabou ficando esquecido.

Carta Selvagem

Jason Statham possui muitos filmes de ação em seu currículo, alguns muito bons e outros nem tanto. Mas você já tinha ouvido falar nesse ‘Carta Selvagem‘? E o pior, ele foi lançado nos cinemas há 10 anos apenas. O longa trouxe Jason Statham de volta ao universo dos anti-heróis durões, interpretando um guarda-costas com passado turbulento que luta para proteger uma amiga em Las Vegas. O filme apostava em cenas intensas de ação, lutas coreografadas e o estilo típico “tough guy” de Statham para atrair o público fã do gênero. Contudo, apesar da presença carismática do ator, o roteiro genérico e a direção pouco inspirada deixaram o filme morno e previsível. ‘Carta Selvagem acabou não se destacando nem para os fãs do ator, tornando-se mais um título esquecido entre as muitas produções de ação da década passada.

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