10 Grandes Atuações de Willem Dafoe

10 Grandes Atuações de Willem Dafoe


É claro que você conhece Willem Dafoe! É só dar uma olhada para o ator, que seus traços expressivos farão o resto. Em cartaz atualmente nos cinemas com No Portal da Eternidade, biografia do problemático pintor Vincent van Gogh, Dafoe conquistou sua quarta indicação ao Oscar. O Fato, no entanto, não elimina sua estigma de ser um dos veteranos mais subestimados na indústria de Hollywood em atividade.

Aqui no CinePOP, ninguém duvida de seu talento, que além das nomeações conta com diversos trabalhos de respeito. Justamente por isso, como forma de homenagear este grande e humilde ator, resolvemos criar uma nova lista com dez (dentre tantas) de suas atuações mais interessantes. Vem com a gente conhecer.

Platoon (1986)

Começamos a lista com o trabalho que rendeu ao ator sua primeira indicação para o Oscar. Platoon é um relato real das experiências do diretor Oliver Stone durante a Guerra do Vietnã. O longa venceu 4 dos 8 prêmios aos quais estava indicado, incluindo melhor filme e diretor. Além disso, é considerado um dos 250 melhores filmes de todos os tempos na opinião do grande público no Imdb. Na obra, Willem Dafoe interpreta o idealista Sargento Elis, cuja ideologia “quase zen” bate de frente com a do extremista Sargento Barnes (Tom Berenger). No meio desta disputa está o novato Chris, papel do protagonista Charlie Sheen.

A Sombra do Vampiro (2000)


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Dafoe não foi um fogo de palha ou uma promessa não cumprida, e continuou a entregar boas atuações ao longo das décadas de 1980 e 1990. Chegando no ano 2000, o ator voltou a ser lembrado pela Academia para um Oscar, desta vez por um desempenho, digamos, peculiar. Nesta bizarra história, produzida por ninguém menos que Nicolas Cage (só podia!), o clássico do expressionismo alemão Nosferatu (1922) é revisitado através de um novo prisma. Durante as filmagens do longa, o diretor F.W. Murnau (papel de John Malkovich) e sua equipe começam aos poucos a suspeitar que seu astro Max Shreck tem tendências e gostos no mínimo estranhos – e possa ser um vampiro de verdade. Dafoe vive o “excêntrico” protagonista.

Projeto Flórida (2017)

Pulamos mais 17 anos no futuro, para a terceira indicação deste grande intérprete. No longa intimista e extremamente real do diretor Sean Baker, somos levados a um hotelzinho de beira de estrada, servindo como espécie de conjunto habitacional para os mais desprovidos. Entre os moradores temos uma jovem que não sabe muito bem como ser mãe (papel de Bria Vinaite) e sua pequena e esperta filha (Brooklyn Prince), cujos olhos servem como nossos guias por esta jornada. Dafoe interpreta Bobby, a alma do filme – um doce, amoroso e muito justo funcionário do estabelecimento.

No Portal da Eternidade (2018)

Segundo ano consecutivo que o veterano ator emplaca no Oscar – e como seria bom vê-lo sair vitorioso desta vez. No entanto, se isso de fato ocorrer será uma surpresa, já que o ator não é um dos favoritos na cotação em sua categoria. Aqui, Dafoe tem um desempenho introspectivo na pele do lendário artista van Gogh – que se vivesse nos dias de hoje, certamente seria diagnosticado com diversos problemas psicológicos, entre eles a depressão e a esquizofrenia.

A Última Tentação de Cristo (1988)

Willem Dafoe é um ator virtuoso, cuja coragem jamais o afastou da polêmica. Suas escolhas para filme foram desde cedo audaciosas. Assim, aceitou o desafio de interpretar Jesus Cristo, no controverso filme de Martin Scorsese – e quem deixaria passar uma oportunidade de trabalhar com o diretor? Dafoe cria um dos mais emblemáticos retratos da figura sacra, se tornando um de seus intérpretes mais lembrados. O problema para os fiéis é mesmo o conteúdo da produção do cineasta, que, entre outras coisas, mostra claramente a noite de amor entre Jesus e Maria Madalena (Barbara Hershey) – daí as manifestações, o boicote e os banimentos do filme em determinados países. A Última Tentação de Cristo foi indicado ao Oscar na categoria de melhor diretor.

Homem-Aranha (2002)

Sim, tivemos a audácia de incluir um filme de super-herói de quadrinhos na lista. Mas não é qualquer um, e sim o filme que transformou o subgênero no que ele é hoje. O primeiro Homem-Aranha, de Sam Raimi, é o primeiro blockbuster de verdade no subgênero, que trouxe uma nova onda de produções do tipo, até hoje ininterruptas. Tudo bem que Batman (1989), de Tim Burton, e Superman (1978), de Richard Donner, igualmente criaram estardalhaço, mas de lá pra cá ocorreram grandes hiatos – ao contrário do realizado pelo filme de Raimi. Na história, Dafoe vive o antagonista Norman Osborn, um milionário cientista que termina sofrendo um acidente no laboratório e desenvolvendo uma segunda personalidade homicida, conhecida como Duende Verde. Homem-Aranha foi indicado para melhor som e melhores efeitos especiais no Oscar.

Mississipi em Chamas (1988)

Como dito, Willem Dafoe é um ator que aceita desafios, mesmo que isso signifique colocar o dedo na ferida. Assim, dirigido por Alan Parker (O Expresso da Meia Noite), ele interpreta Ward, um reservado agente do FBI. Ao lado do explosivo Anderson (papel do grande Gene Hackman), ele investiga um caso envolvendo o desaparecimento de figurões ativistas dos direitos civis, no sul dos EUA durante a década de 1960. O preconceito racial, a violência e o perigo da Ku Klux Klan são elementos presentes aqui – tornando este longa superatual e muito essencial ainda nos tempos de hoje. Infelizmente. O longa recebeu 7 indicações ao Oscar, incluindo melhor filme, e saiu com a de melhor fotografia.

Coração Selvagem (1990)

Willem Dafoe também é muito conhecido por seus papeis de vilões – a maioria deles com índoles bem sórdidas. Quanto mais estranho para o ator, parece ser melhor. E aqui, ele interpreta provavelmente um de seus personagens mais bizarros. Na pele de Bobby Peru, um assassino de aluguel contratado para eliminar o protagonista Sailor (Nicolas Cage, ele de novo!), o ator pôde soltar toda a insanidade contida dentro dele. Suas próteses dentárias, que criam dentinhos esquisitos, se tornaram a marca registrada deste papel. O filme, assinado pelo cultuado David Lynch é uma reimaginação pirada de contos de fada e O Mágico de Oz (1939)!? O longa recebeu indicação de melhor atriz coadjuvante para Diane Ladd, que na produção interpreta a mãe de Laura Dern, sua filha na vida real.

O Caçador (2011)

O filme mais desconhecido da lista, e um dos mais obscuros da carreira do ator, esta produção foi exibida em festivais como o do Rio. Esta era uma fase de sua filmografia na qual Dafoe fez muitos papeis coadjuvantes, por isso é uma bem vinda surpresa vê-lo interpretar um protagonista. E um tão conflituoso. Na trama, o ator vive Martin, um frio mercenário, contratado para viajar até a Austrália e caçar o último tigre da Tasmânia, animal tido como extinto, cuja existência se tornou uma lenda. Os dilemas internos deste “homem da morte” são o ponto alto da obra dramática.

Anticristo (2009)

A esta altura sabemos que tipo de ator é Willem Dafoe. Um que adora nos chocar e impressionar com suas escolhas de projetos. Sejam produções independentes (de onde saem a maioria de seus trabalhos), blockbusters ou filmes autorais de estúdio (cada vez mais raros), o ator não tem pudores e dá tudo de si. Um dos maiores desafios de sua carreira foi neste longa – que completa dez anos em 2019 – dirigido pelo cineasta mais controverso da atualidade: Lars von Trier. Em seu filme de terror artístico, o diretor traz Dafoe e Charlotte Gainsbourg como um casal atormentado pela morte do filho pequeno. Os dois se sentem culpados, e resolvem iniciar uma sessão de terapia intensa, isolados. O resultado não é dos mais animadores, e da experiência sai muita dor, psicológica e física (quem esquecerá a cena das genitálias?).

Bônus:

Corpo em Evidência (1993)

Tudo bem. Você me pegou. Este não é um grande filme, ou sequer uma grande atuação na carreira de Willem Dafoe. Mas o fato é: aqui o ator tem a chance de viver o protagonista e o galã do filme – algo inédito em sua carreira. Não apenas isso, ele desempenha cenas pra lá de quentes, com ambas a protagonista Madonna e Julianne Morre (em início de carreira). Aqui, tão marcantes quanto os personagens e a trama, são as gotas de cera quente que a “material girl” despeja no ator, como parte de seu jogo sexual perigoso. O longa explora a sensualidade de Madonna e pega clara e desavergonhada carona no sucesso de Instinto Selvagem, com Sharon Stone e Michael Douglas, lançado no ano anterior.

Velocidade Máxima 2 (1997)

Essa é uma pegadinha. Ao invés dos melhores, este filme se enquadraria como provavelmente o pior da carreira de Willem Dafoe. Justamente por isso, resolvemos brincar e incluí-lo também na lista. Depois do sucesso de Velocidade Máxima (1994), só a atriz em ascensão Sandra Bullock topou voltar para esta tranqueira. O protagonista Keanu Reeves estava bem longe, já treinando para seu novo sucesso: Matrix (1999). Assim, o insosso Jason Patrick é o herói da vez. Mas enquanto Sandy Bullock paga todos os seus pecados ao som de A Namorada, de Carlinhos Brown, Willem Dafoe se diverte de verdade, atingindo o nível 100 de sua performance caricatural na pele do bandido que adora um banho romântico de hidromassagem... com sanguessugas!


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