O Grammy Awards foi instituído em 1959 para honrar as maiores produções da indústria fonográfica e, desde então, já foram realizadas nada menos que 61 edições, premiando os melhores dos melhores em dezenas de categorias – ou ao menos essa é a premissa.

A verdade é que, enquanto algumas vitórias são incontestáveis, outras carregam consigo uma controvérsia considerável – principalmente quando nos referimos à principal categoria do evento, Álbum do Ano (comumente chamado de AOTY). Ao longo das décadas, diversos LPs e discos chegaram perto de levar o gramofone dourado para casa e, na visão de grande parte do público, eram certeiros de alcançar a vitória. Entretanto, várias incógnitas são levadas em consideração para que a academia vote e, por mais que vários digam que vendas e charts não implicam o resultado final, sabemos que isso é mentira.

Para se ter uma noção, diversos titãs da música que revolucionaram o cenário mainstream nunca levaram a estatueta para casa – incluindo Madonna, Beyoncé e Lady Gaga. Por essa razão, separamos dez produções femininas que nunca levaram o Álbum do Ano para casa e, sem sombra de dúvida, mereciam (tendo sido indicadas na categoria ou não) – por sua contribuição para a música e pelo impacto que causaram na época de seus respectivos lançamentos.

Confira abaixo a nossa lista:



RAY OF LIGHT, Madonna

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Quem venceu: The Miseducation of Lauryn Hill, Lauryn Hill

Ray of Light é, inquestionavelmente, o melhor álbum de Madonna. A rainha do pop apenas trouxe a música eletrônica para o cenário estadunidense e foi aclamado pela crítica por sua progressão evolutiva e por seu íntimo retrato de uma das figuras mais importantes de todos os tempos. Apesar de ter levado quatro prêmios para casa em 1999, nenhum deles computou nas quatro categorias principais – incluindo Álbum do Ano.

THE EMANCIPATION OF MIMI, Mariah Carey

Quem venceu: How to Dismantle an Atomic Bomb, U2



Mariah Carey fez um glorioso retorno para a música com The Emancipation of Mimi’, tornando-se seu álbum mais vendido nos Estados Unidos em uma década. Colaborando com artistas como Pharrell Williams, Nelly e Snoop Dogg, a icônica artista optou por seu apelido para fornecer um espectro pessoal à produção, mergulhando de cabeça no dance-pop e subestimado pela crítica profissional – eventualmente sendo redescoberto com importância majestosa.

THE FAME MONSTER, Lady Gaga

Quem venceu: The Suburbs, Arcade Fire

Lady Gaga parou o mundo e ascendeu à fama com rapidez incrível, dominando as paradas e ganhando aclame por sua original perspectiva para o cenário musical. Com The Fame Monster, Gaga se abriu sobre seus medos e seus traumas e compôs tramas belíssimas e memoráveis, aclamadas pela crítica e adoradas pelo público. Mais do que isso, credita-se a ela o retorno do electro-dance à indústria e uma influência de enorme impacto em artistas como Katy Perry e Beyoncé à época de seu lançamento.



THE ARCHANDROID, Janelle Monáe

Quem venceu: The Suburbs, Arcade Fire

A estreia de Janelle Monáe no cenário fonográfico passou batido pelo circuito das principais premiações, apesar de ter sido indicado à categoria de Melhor Álbum Contemporâneo R&B. Com recepção massivamente positiva da crítica, Monáe utilizou conceitos afrofuturistas para dar vida a uma amálgama irretocável de neo-soul e psyh-pop, com discussões sobre temas como amor, identidade e autorrealização.

BORN THIS WAY, Lady Gaga



Quem venceu: 21, Adele

Em 2011, o mundo parou mais uma vez para ouvir as dissertações sobre amor, respeito e igualdade de Born This Way, a melhor produção da carreira de Gaga. Apesar das polêmicas acerca da imagética religiosa e de suas letras cruas e chocantes, é inegável o impacto que o CD teve à época de seu lançamento, servindo como um grande hino LGBTQ+, cujas explícitas menções se misturaram com a extravagância do electro-rock e resgatando as incursões europeias.

RED, Taylor Swift



Quem ganhou: Random Access Memories, Daft Punk

Tudo bem, sabemos que Taylor Swift já tem duas estatuetas de Álbum do Ano em seu currículo – e, discordâncias e controvérsias à parte, houve uma produção da artista que não teve o reconhecimento merecido. Red foi lançado em 2013 e iniciou a transição de Swift do country para o pop, dando o pontapé inicial, também, em seu crescente amadurecimento. Das duas categorias em que foi indicado, o álbum não foi escolhido em nenhuma.

BEYONCÉ, Beyoncé

Quem venceu: Morning Phase, Beck

O primeiro álbum visual de Beyoncé revolucionou a indústria da música para sempre: falando sobre temas de importância social e antropológica, como feminismo, sexo, amor monogâmico e uma busca constante pela liberdade artística, Queen B não realizou nenhuma divulgação em massa e resolveu lançá-lo de surpresa, alcançando sucesso comercial e crítico que viria a influenciar nomes como Drake, Kanye West e Kendrick Lamar.


LEMONADE, Beyoncé

Quem venceu: 25, Adele

Se até mesmo Adele reconheceu que o prêmio de Álbum do Ano deveria ter ido para Beyoncé, quem somos nós para discordar? Lemonade trouxe a artista de volta para as incursões visuais com uma produção requintada, crítica, extremamente bem pensada e envolvente do começo ao fim, honrando suas raízes africanas e entregando clássicos instantâneos como “Formation”, “Hold Up” e “Daddy Lessons”.

MELODRAMA, Lorde

Quem venceu: 24K Magic, Bruno Mars

Melodrama é um dos álbuns mais injustiçados de todos os tempos – e sua derrota no Grammy Awards apenas prova isso. Produzido por Jack Antonoff e supervisionado pela sempre irretocável Lorde, a simples construção de pop e electropop levou os críticos internacionais ao delírio, que elogiaram as rendições vocais da cantora e, até hoje, é considerado como um dos melhores álbuns do século.

NORMAN FUCKING ROCKWELL, Lana Del Rey

Quem venceu: When We All Fall Asleep, Where Do We Go?, Billie Eilish

Lana Del Rey foi a mais recente “vítima” da categorização inexplicável do Grammy Awards. Aliando-se ao supracitado Antonoff, a cantora lançou o impecável Norman Fucking Rockwell, que foi citado pelos especialistas mundiais como o melhor álbum do ano passado. Eventualmente, foi indicado a apenas duas categorias – perdendo as duas e causando comoção generalizada entre seus fãs.

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