Poucos dias do ano causam tanta comoção quanto a sexta-feira 13.
A mística data possui uma história milenar e as narrativas que a envolvem são rodeadas de misticismo, magia e eventos sobrenaturais. Apesar de não haver uma origem certeira que explana o motivo desse dia ser tão temido pelas pessoas (mais especificamente, por aqueles que fazem parte de uma comunidade judaico-cristã), sabe-se que ela é caracterizada como um momento de cautela que prenuncia o azar e o medo – e que envolve uma simbologia iconográfica gigantesca, desde gatos pretos até escadas.
Pensando nisso, o CinePOP montou uma lista com 13 músicas arrepiantes para ouvir no dia de hoje, incluindo artistas como Lady Gaga, Kim Petras e Michael Jackson.
Veja abaixo as nossas escolhas e conte para nós qual a sua favorita:
“BELA LUGOSI’S DEAD”, Bauhaus
Performada pela banda post-punk Bauhaus, a icônica canção “Bela Lugosi’s Dead” foi lançada em 1979 e é considerada a precursora do goth-rock, tendo impacto considerável e contínuo na cultura gótica contemporânea. O impacto da faixa é reiterado mesmo décadas desde sua estreia, integrando trilhas sonoras de séries como ‘Supernatural’ e ‘American Horror Story’ e construída a partir de um viés ultrarromântico, recheado de descrições belíssimas, arrepiantes e quase agourentas.
“ALL THE GOOD GIRLS GO TO HELL”, Billie Eilish
Billie Eilish vem se mostrando como uma das potências da nova geração da música desde sua estreia há quase uma década – e, ao longo de sua identidade indecifrável e camaleônica, ela mergulhou no dark pop algumas vezes. É o caso da incrível rendição platônica “all the good girls go to hell”, que integra o álbum de estreia da cantora, ‘When We All Fall Asleep, Where Do We Go?’. A faixa se aventura em um terreno perigoso que critica até mesmo a onisciência de Deus (aqui tratado como Deusa em uma belíssima e espetacular contradição).
“DEVIL’S WORST NIGHTMARE”, FJØRA
Em 2020, a adorada série de fantasia e terror ‘O Mundo Sombrio de Sabrina’ se preparava para retornar com novos episódios – e a cantora e compositora FJØRA foi escolhida para integrar a trilha sonora promocional da temporada. Com “Devil’s Worst Nightmare”, a artista se apropria da mitologia católica e até mesmo faz menção à clássica tragédia shakespeariana ‘Macbeth’ para construir uma mistura entre indie-pop e indie-rock que, apesar do escopo vibrante, é marcada por uma sinistra e diabólica atmosfera.
“PURGATORY”, Kim Petras
No irretocável álbum ‘TURN OFF THE LIGHT’, Kim Petras arquiteta a um inebriante escopo que se apoia em alusões à tênue linha que separa o mundo terreno do mundo espiritual, a breves contos de terror e a um agourento espectro que nos chama a atenção logo de cara. Nesse quesito, a faixa de abertura do compilado, “Purgatory”, representa exatamente o que Petras deseja, mergulhando em uma melancólica elegia antes de se voltar para o puro dark-pop, adornado com expansivas batidas que nunca morrem, mas sim servem de base para as outras canções.
“ABRACADABRA”, Lady Gaga
No ano passado, Lady Gaga dominou o cenário musical com o lançamento do aclamado álbum ‘MAYHEM’, que se tornou um sucesso imediato de crítica e de público. E, fazendo parte desse expressivo e vibrante compilado, nossa Mother Monster nos presenteou com o irretocável single “ABRACADABRA”. Lançado de surpresa durante o Grammy Awards, Gaga reuniu elementos do electro-synth e do french house em uma inebriante aventura sinestésica, uma espécie de poesia gótica traduzida para a contemporaneidade com paixão fervorosa e uma imagética que ninguém além dela poderia nos entregar.
“MONSTER”, Lady Gaga
Seguindo o sucesso exponencial de ‘The Fame’, a titânica popstar Lady Gaga mostrou um lado ainda mais versátil e sombrio de sua carreira com ‘The Fame Monster’ – e a faixa “Monster” é uma das grandes rendições do EP. Incorporando elementos do electro-pop e do Europop, a canção tem uma pesada produção que cria uma narrativa centrada em criaturas malignas, criando uma metáfora para relacionamento conturbados à medida que eterniza uma identidade sonora que, hoje, é imediatamente reconhecível.
“TUNNEL VISION”, Melanie Martinez
Em 2023, Melanie Martinez lançou o aguardado ‘Portals’, seu 3º álbum de estúdio – e “TUNNEL VISION”, sem sombra de dúvidas uma das melhores entradas de sua carreira, merece estar na nossa lista. A canção puxa os elementos sinestésicos já explorados ao longo de sua carreira, diabolicamente deturpados em uma teatral rendição e adornados com versos como “eu os faço entrar em pânico, é satânico como eu curvo meu corpo” que destilam uma exploração do toque humano e discorre acerca dos instintos carnais da humanidade.
“THRILLER”, Michael Jackson
Como pensar na Sexta-Feira 13 e deixar de fora uma das músicas mais aclamadas e importantes de todos os tempos? Nos anos 1980, Michael Jackson quebrou recordes com o lançamento de “Thriller”, um curta-metragem exaltando os ícones do terror e consturindo uma narrativa de tirar o fôlego – com descrições quase literárias que fazem menções a Edgar Allan Poe e Mary Shelley com sutileza invejável.
“FRANKENSTEIN”, Rina Sawayama
Com ‘Hold The Girl’, Rina Sawayama fez um glorioso retorno ao mundo da música, entregando pequenas gemas fonográficas que mereciam mais a nossa atenção. Dentre as ótimas canções no compilado de originais, temos a impecável “Frankenstein”, que se respalda no pop-punk e conta com a assinatura certeira do vencedor do Oscar Paul Epworth e da sempre incrível Lauren Aquilina. O refrão é guiado pelos versos “me junte mais uma vez, me ame para sempre, me conserte”, fazendo referência direta ao clássico romance homônimo de Mary Shelley.
“I PUT A SPELL ON YOU”, Screamin’ Jay Hawkins
“I Put a Spell On You” pode ser mais conhecida nas vozes de outros ícones da indústria fonográfica, mas não há qualquer versão – nem mesmo a de ‘Abracadabra’ – que supere a dramática rendição de Screaming Jay Hawkins. A forte composição blues explode em vocais irretocáveis e, desde a produção propositalmente fabulesca até os místicos versos, essa faixa merece nossa atenção não apenas nesta mística e arrepiante data, mas como parte da nossa playlist.
“TEAR YOU APART”, She Wants Revenge
É bem provável que você nunca tenha ouvido falar da canção “Tear You Apart” – a não ser que você tenha uma ótima memória e se recorde dela de ‘American Horror Story: Hotel’. A canção, que fez parte do álbum de estreia da banda de rock She Wants Revenge, não fez um barulho gigantesco, mas merece estar na nossa lista – ainda mais pela rendição propositalmente unidimensional que nos envolve do começo ao fim, cuja letra fala sobre um relacionamento que é movido a sexo e à morte.
“DEATH BY ROCK AND ROLL”, The Pretty Reckless
Taylor Momsen não apenas eternizou alguns dos personagens mais conhecidos da cultura pop no cinema e na televisão, como encontrou sucesso como vocalista da banda de rock ‘The Pretty Reckless’. E, após alguns anos em hiato, o grupo retornou em 2020 com o impecável disco ‘Death By Rock and Roll’, cujo lead single homônimo é uma explosiva ode ao hard rock e mistura sensualidade e acidez – além de ser guiado pelos potentes vocais de Taylor Momsen.
“HEADS WILL ROLL”, Yeah Yeah Yeahs
Como é de costume, inúmeros artistas se baseiam em histórias atemporais para comporem músicas que ficam marcadas na cultura pop – e isso aconteceu com “Heads Will Roll”, do grupo britânico Yeah Yeah Yeahs. Aqui, a trama parte do ponto de vista da Rainha de Copas, antagonista de ‘Alice no País das Maravilhas’, e é acompanhada por um videoclipe superexagerado e que também traz referências a outros contos de fada, como ‘Chapeuzinho Vermelho’.


