Crítica | “I Love It”, de Kylie Minogue, é a música mais alto-astral do ano

Kylie Minogue recuperou as rédeas de sua identidade artística há alguns anos, quando resolveu se afastar do costumeiro pop chiclete explorado em obras como Fever e Aphrodite e investir em novas facetas de suas iterações musicais – como o subestimado Golden, era durante a qual ficou responsável pelos intimistas discursos e pelas poderosas letras que a aproximavam do country-pop. Entretanto, Minogue parece ter entendido, ainda mais de ter visitado o Brasil em março deste ano com um dos melhores shows de sua carreira, que retornar às raízes era uma boa ideia quando o assunto é “reinventar-se” – afinal, revisitar clássicos perdidos no tempo e homenagear aqueles e aquelas que lhe inspiraram é sempre uma ótima pedida.

É por isso que o anúncio de seu novo compilado de originais, Disco, não veio com tanta surpresa: Kylie já anunciava que voltaria ao passado há bastante tempo, fosse com colaborações que passaram longe do radar mainstream, fosse com suas visitas ao estúdio e suas parceria recém-firmadas com produtores apaixonados pela nostalgia musical. O início desse sonho se tornou realidade com o saudosismo de “Say Something”, lead single oficial da nova era, e pela perfeição nu-disco de “Magic” (uma faixa que definitivamente não pode ficar fora das nossas playlists). Agora, através de um anúncio surpresa, Minogue abraçou de vez as divas que regem e abençoam sua discografia, bem, desde sempre.

“I Love It” foi revelado como a terceira música promocional do vindouro CD há poucos dias – e Minogue, na verdade, não preparou um marketing pesado para colocá-la nos holofotes (aliás, nunca nem se preocupou com isso). A ideia era dar à sua legião de fãs mais um gostinho do que está por vir e do que os aguarda na primeira semana de novembro. Mais do que nunca, a artista parece feliz com os resultados de uma mimética honraria a si mesma, passando longe da egolatria desmedida e se rendendo ao divertimento e ao alto-astral em um período que clama pelo escapismo – e a track é um chamativo convite para deixar as preocupações de lado e se jogar numa pista de dança improvisada em nossas casas.

Para a nova canção, Kylie deixou bem explícito que o simples e claro título do álbum é a atmosfera pela qual busca – graças aos deuses da música. Retomando parceria com Richard Stannard, que emprestou seus versos para a supracitada “Say Something” e para icônicas iterações como “In My Arms” e “In Your Eyes”, a narrativa tangencia tons confessionais ao ser acompanhada por batidas sintéticas e por dinâmicos violinos que drenam inspiração de Gloria Gaynor e até mesmo do euro-disco de ABBA (vide “Gimme! Gimme! Gimme! (A Man After Midnight)”).

“Dance pela escuridão, juntos eternamente” é a elegíaca premissa que sintetiza essa jornada ultrarromântica, que soa familiar o bastante para nos cativar pela narcótica nostalgia, mas não se perde numa datada construção – muito pelo contrário: é notável o modo como a produção de Duck Blackwell é solidamente coesa para criar lacunas preenchidas por melodias contemporâneas representativas do melhor de 2020 (e o que, no final das contas, a transforma em uma das mais dançantes e evocativas dos últimos meses).

Notícias

‘Sobrenatural 6: Agora Entre Nós’ ultrapassa US$ 150 milhões nas bilheterias mundiais

Sucesso! A sequência 'Sobrenatural: Agora Entre Nós' conseguiu ultrapassar...

‘Barbie 2’ vai acontecer? Produtora da Mattel Studios responde!

Durante sua passagem pelo Toronto Film Festival, Robbie Brenner,...

David Corenswet vive jogador de futebol americano AZARÃO no trailer de ‘Mr. Irrelevant’

A Paramount Pictures divulgou o trailer oficial de 'Mr. Irrelevant', drama...

10 DICAS DE SÉRIES para transformar a noite de casal em um programão

Ter sempre anotado ótimas dicas de séries para assistir...

‘Tudo em Família’ ganhará SEQUÊNCIA com Claire Danes e Rachel McAdams

A Searchlight Pictures anunciou recentemente que a clássica comédia dramática...
Thiago Nolla
Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.