O lendário roteirista e criador da Marvel, Stan Lee (1922-2018), ganhará em breve mais um documentário, que desta vez abordará os conturbados anos finais de sua vida. De acordo com a Entertainment Weekly, ‘Stan Lee: The Final Chapter’, com estreia marcada para 28 de julho nas plataformas de vídeo sob demanda (VOD), reúne filmagens gravadas ao longo dos quatro últimos anos de vida do autor, antes de sua morte, aos 95 anos.
Embora preste tributo ao legado de Lee, a produção concentra sua narrativa na tumultuada relação do quadrinista com seu ex-gerente de turnês, Max Anderson. Em junho do ano passado, Anderson foi condenado a um ano e um dia de prisão por fraude fiscal, após deixar de declarar US$ 1,2 milhão recebidos por trabalhos realizados para o criador da Marvel.
Um mês antes, J.C. Lee, filha do escritor, encerrou um processo movido contra o ex-gerente, no qual o acusava de desviar mais de US$ 21 milhões pertencentes ao pai.
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Um novo trecho do documentário expõe detalhes do suposto esquema financeiro de Anderson. Em um dos momentos gravados, após uma sessão de autógrafos lotada, o próprio Stan Lee questiona o assistente: “Quanto dinheiro eu ganhei aqui esta noite?”.
“Não o suficiente. Nunca é o suficiente, Stan”, responde Anderson.
O longa também traz depoimentos reveladores de figuras do círculo íntimo do quadrinista, como Alex Barajas, produtor do documentário que trabalhou na área de merchandising de Lee; Jerry Blank, ex-gerente de desenvolvimento de negócios; e Jon Bolerjack, cinegrafista que registrou o cotidiano do autor.
“Quando a sessão de autógrafos terminava, se você fosse uma das poucas pessoas em quem Max confiava, ia para os bastidores contar o dinheiro”, explica Barajas.
O filme exibe registros de Anderson e seus colaboradores contabilizando grandes quantias em notas de US$ 20, US$ 50 e US$ 100 arrecadadas nos eventos com fãs.
“Quando você vê tanto dinheiro sendo obtido com tanta facilidade, nunca esquece. Honestamente, isso muda você. Não havia qualquer fiscalização. Simplesmente nos entregavam pilhas e pilhas de dinheiro para contar, e depois entregávamos tudo ao Max”, desabafa o produtor.
Jerry Blank confirma o procedimento: “Nós sempre fazíamos a contagem. Depois eu ia embora e, dali em diante, o que acontecia com aquele dinheiro já não era da minha conta. Não era algo que eu pudesse questionar”.
A falta de controle financeiro por parte de Stan Lee era evidente para a equipe. Bolerjack relembra uma conversa com o escritor durante o retorno de uma convenção: “Ele virou para mim e perguntou: ‘Quanto dinheiro eu ganhei?’. Eu respondi: ‘Como assim?’. Então ele explicou que queria saber quanto havia faturado em todos aqueles eventos. Ele simplesmente não fazia ideia”.
Segundo o cinegrafista, o criador da Marvel confessou ter feito o mesmo questionamento ao seu gerente. “Perguntei ao Max, mas ele disse que ainda não tinha o valor total. Disse que me contaria depois”.
Bolerjack afirma ter ficado surpreso com a resposta do empresário: “Eu sei que o Max sabia exatamente quanto dinheiro havia sido arrecadado. Eu estava na sala enquanto eles contavam tudo. Aquilo era anotado. O valor existia”.
Em outro depoimento em vídeo presente no longa, o próprio Stan Lee relata uma movimentação atípica aos seus assessores: “Ele estava com uma bolsa cheia de dinheiro. Acho que recebeu algum pagamento em dinheiro. Foi ao banco comigo, demorou cerca de uma hora e depois eu assinei alguns documentos. No dia seguinte ele tirou o dinheiro daquela conta e colocou em outra. Foi tudo muito confuso para mim. Tinha relação com a compra de uma casa. Tudo o que pedi foi que ele escrevesse o que fez para que eu pudesse entender. Mas ele nunca fez isso. Sempre dizia que não tinha tempo”.
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Max Anderson conheceu Stan Lee em 2007 e rapidamente assumiu o controle de quase todas as suas aparições públicas. Com o tempo, passou a atuar também como cuidador, gerenciando compromissos médicos e as finanças pessoais do autor em seus anos de maior vulnerabilidade. Anderson, no entanto, sempre alegou publicamente que nunca recebeu remuneração pelo trabalho que realizava para o quadrinista e negou ter administrado o dinheiro das convenções.
A versão é contestada pela família. No processo judicial, J.C. Lee acusou o ex-gerente de desviar pelo menos US$ 11,1 milhões provenientes de sessões de autógrafos e outros US$ 10,2 milhões referentes a cachês por aparições públicas.
