Não é novidade que Gal Gadot, que ganhou fama mundial ao interpretar a Mulher-Maravilha no agora extinto DCEU, nunca posou como uma grande atriz – sendo constantemente criticada por atuações esquecíveis e forçadas, como vimos em ‘Morte em Nilo’, ‘Alerta Vermelho’ e, mais recentemente, o remake em live-action de ‘Branca de Neve’. E, em sua nova parceria com o Prime Video, a atriz israelense está de volta em mais uma personagem que se assemelha a tantas outras que interpretou nos últimos anos com a ação ‘Corrida Contra o Tempo’ – que chegou recentemente ao catálogo da plataforma de streaming e já desponta como um dos piores títulos do ano.
Na trama, Gadot interpreta Maia Marten, uma advogada promotora que também é mãe solo do jovem Noah (Rory Wilmot). Morando na efervescente capital inglesa, os dois vivem um dia após o outro – sem imaginar que, muito em breve, o que conhecem será totalmente desmantelado quando um estranho (cuja voz é dada a Damian Lewis) liga para Maia e revela que raptou o filho. A princípio recusando-se a acreditar, a advogada percebe que está em um beco sem saída ao receber a missão de assassinar Radian Tafa (Phoenix Di Sebastiani), uma das testemunhas-chave de um vindouro julgamento que está sendo mantido sob forte segurança em um dos hotéis mais prestigiados da cidade.

Munida com um revólver e com apenas uma hora para chegar ao seu destino e matá-lo, Maia deve cruzar quase dez quilômetros a pé para que seu algoz consiga monitorá-la, desviando de transeuntes e vizinhos para impedir que o filho, que sofre de diabetes, faleça – visto que o misterioso homem o colocou em um coma induzido para dar a ela algo pelo que lutar. E é claro que, nesse meio-tempo, a protagonista tenta reverter a situação, mas se vê cada vez mais em um complexo jogo de gato e rato que a transforma, inclusive, em um alvo ambulante da polícia local – colocando um ponto de interrogação no próprio futuro.
Como podemos imaginar, o filme não apresenta nada de novo no gênero e faz questão de deixar isso claro desde os primeiros minutos. O diretor Kevin Macdonald, que outrora foi condecorado com o Oscar de Melhor Documentário por seu trabalho em ‘Munique, 1972: Um Dia em Setembro’, soa cansado demais para oferecer qualquer tipo de originalidade a um enredo que já foi emulado diversas vezes no cinema e na televisão. Ao sequer procurar o valor de entretenimento em meio a tantas fórmulas previsíveis e datadas, o projeto começa a se levar a sério demais e, justamente por essa razão, não chega a divertir os assinantes da plataforma e nos deixa frustrados por não acreditar na própria razão de existir – apoiando-se em um insosso roteiro assinado por Mark Gibson, que despeja um amontoado de frases prontas e uma backstory sem muito sentido para fingir que há mais na história a ser descoberto.

Felizmente, o longa não se estende por mais que 84 minutos de tela e, mesmo assim, desenrola-se num ritmo que oscila entre uma tristonha fadiga e um frenesi incansável que destitui o projeto de qualquer ritmo e dinamismo – e boa parte desse erro é direcionado à inexplicável montagem de Anthony Dod Mantle. Em outras palavras, os crassos equívocos cometidos pela equipe criativa e técnica provêm de uma desejo pedante de dar um passo maior que a perna, atirando para todos os lados e trazendo elementos do drama psicológico e do suspense de ação em uma ambientação que definitivamente não foi feita para essas incursões (e que nos arranca algumas risadas inadvertidas de vergonha).
Gadot tenta fugir um pouco da curva ao tentar explorar o tormento de uma mãe que teve seu filho sequestrado, mas não consegue transmitir qualquer emoção palpável em toda a atuação, rompendo como um conduíte de sua própria ruína. Na verdade, a falta de preparo da atriz apenas serve para reiterar sua fraquíssima versatilidade performática, fazendo-a ser engolida pelas longas cenas em que apenas corre pelas ruas de Londres. E, acompanhando-a nessa jornada, Lewis, Wilmot e até mesmo Alfred Enoch são apagados em construções tão convencionais que nos fazem perder a atenção mais de uma vez.

Tudo culmina em uma reviravolta tão fora da realidade que eleva a máxima da “suspensão da descrença” à enésima potência, apresentando uma resolução que não faz o menor sentido e que apenas alimenta nosso desgosto de ter selecionado o filme para assistir. No final das contas, ‘Corrida Contra o Tempo’ emerge como uma produção bastante irônica, considerando que o título não nos prepara para o quão maçante e cansativa ela é.


