O texto a seguir discorre sobre o nono e o décimo capítulos da temporada. Spoilers à frente.
Desde sua estreia, ‘American Horror Story’ nos rendeu algumas temporadas icônicas e outras que falharam em resgatar o conhecido sentimento de suspense e de terror promovido pela antologia – e uma delas que pertence ao primeiro grupo foi ‘American Horror Story: Coven’, que nos apresentou a um poderoso clã de bruxas em Nova Orleans. Não é surpresa que o grupo liderado por Cordelia Goode (Sarah Paulson) tenha retornado em ‘American Horror Story: Apocalypse’, enfrentando o Anticristo em uma batalha pelo futuro do planeta e, agora, em mais um glorioso regresso com ‘American Horror Story: 13’ – que, de fato, representa um dos melhores elementos da atual iteração.
Cordelia e suas aprendizes nos foram representadas logo no primeiro capítulo, de maneira breve e um tanto desconjuntada, mais soando como um fanservice barato que algo propriamente sólido. Apesar dos equívocos, Ryan Murphy, Brad Falchuk e o extenso time de diretores e roteiristas conseguiu resgatar a conhecida e bizarra estética da temporada original para lhes dar mais protagonismo, caminhando para outra épica batalha entre as bruxas e os asseclas do próprio Satã, que rompeu como mote principal do décimo terceiro ciclo. E, nos últimos dois episódios exibidos, voltamos a explicações redundantes que já foram inferidas pelos espectadores e que se assemelham a fillers desnecessários em vez de dar dinamismo e continuidade ao enredo.
Com o retorno de Marie Laveau (Angela Bassett) na semana anterior, Cordelia, Fiona (Jessica Lange), Madison (Emma Roberts), Mallory (Billie Lourd) e os outros membros da Academia Robichaux se preparam para enfrentar não apenas o iminente retorno do Anjo Caído, mas a ascensão do novo filho do Rei do Inferno ao trono terrestre – encarnado pela presença de Joey Pollari como o traumatizado Ben DeSoto, que nos é revelado oficialmente como o filho do Sr. Nas/Lúcifer (Paul Anthony Kelly em uma esplendorosa e magnética atuação). Aliando-se ao poderoso Papa Legba (Orlando Jones), que sai de seu eterno reino infernal para ajudar as bruxas a fim de sanar sua dívida, elas descobrem que a única maneira de impedir que o planeta se transforme em um palco de guerra banhado a sangue e a fogo é impedir que Ben se curve à influência do pai.
Murphy e Falchuk colaboram nos roteiros ao lado de Ned Martel e Charlie Carver para explicar algumas pontas soltas. Afinal, já sabíamos que Mallory, a mando de Cordelia, usou o raro feitiço Tempus Infinitus para voltar no tempo e assassinar Michael Langdon, filho de Constance (Lange), e impedir que o apocalipse fosse instaurado. Porém, suas ações tiveram repercussão catastrófica, visto que Nas declarou uma vendeta pessoal contra o Clã após elas terem matado seu herdeiro – revelando a Cordelia e a Fiona que Mallory é a próxima Suprema e que, com isso, elas têm uma chance ainda maior de derrotar as forças das trevas.
O grande problema dos episódios são as explicações repetitivas que se delineiam tanto no núcleo envolvendo as bruxas quanto no restrito núcleo do apartamento do Sr. Nas, optando mais por um espetáculo visual do que pelo conteúdo em si. Kelly faz um ótimo trabalho ao finalmente ganhar mais protagonismo como Lúcifer, dividindo os holofotes com a presença arrebatadora de Lange como Constance – ambos nutrindo de uma química fabulosa e que nos envolve de imediato. O mesmo pode ser dito de Bassett, Paulson e Lange na trama envolvendo a Academia Robichaux, apostando em construções intergeracionais que inclusive une inimigas de longa data para uma causa em comum. Entretanto, não há nada de novo para ser visto além desses pontuais ápices.
Já comentei em textos anteriores que a temporada foi fragmentada em curtíssimos episódios a fim de reiterar toda a mística em volta no número 13 (que foi mencionada em uma constância exaurível nos primeiros capítulos e que procurou por uma sutileza forçada nas semanas seguintes). Por essa razão, não existe espaço o suficiente para que as tramas sejam esquadrinhadas como deveriam, levando os realizadores a correr com o enredo em um ritmo frenético demais para ser saboreado e apostando em ganchos que parecem ter sido pensados de última hora. É claro que a cena final do décimo capítulo finalmente coloca as bruxas em conflito direto com Ben, mas é quase impossível apagar os cansados cliffhangers que pincelam as demais iterações.
Depois de duas semanas relativamente sólidas, ‘American Horror Story: 13’ volta a cometer os mesmos erros de um passado não muito distante, o que levanta dúvidas sobre a qualidade de um iminente encerramento – valendo a pena mais pelas poderosas atuações de um elenco de peso do que pela história em si.
Lembrando que os novos episódios serão exibidos amanhã, 22 de outubro.



