Estudo revela como as gerações Z e Alpha estão mudando o cinema e exigindo mais personagens neurodivergentes

As novas gerações estão mudando a forma como histórias são consumidas — e também o que esperam ver nas telas. Segundo um estudo do Center for Scholars & Storytellers, da UCLA, jovens entre 10 e 24 anos querem representações mais fiéis de suas experiências e não estão sendo ouvidos o suficiente pela indústria do entretenimento.

A pesquisa, que ouviu mais de 1.500 adolescentes, apontou o YouTube como o principal meio para contar histórias: 72,9% dos participantes escolheram a plataforma. Quase quatro em cada cinco entrevistados também afirmaram que vídeos curtos podem transmitir uma narrativa completa.

O levantamento indica ainda que o público jovem não exige necessariamente a presença de celebridades. Cerca de 40% dos participantes disseram preferir atores desconhecidos, enquanto 16,8% afirmaram que não gostariam de ver influenciadores escalados para produções de ficção.

A diversidade também aparece entre as principais demandas. Aproximadamente 55% dos jovens querem ver mais personagens neurodivergentes nas telas, e 57,3% gostariam de encontrar mais relações de amizade — sem envolvimento romântico — nas histórias.

A pesquisa também identificou uma divisão geracional em relação à inteligência artificial. Entre os participantes de 19 anos, 27,4% disseram sentir “medo” ou pessimismo diante da forma como a tecnologia é retratada na mídia. Já 44,2% dos entrevistados entre 10 e 13 anos descreveram a IA como “fascinante”.

“Adultos estão criando histórias que imaginam que vão ressoar com os jovens, mas não estão conversando com muitos deles para descobrir o que realmente querem”, afirmou Yalda T. Uhls, fundadora do centro e professora do departamento de psicologia da UCLA, à Variety.

Para Uhls, executivos e criadores precisam abandonar ideias antigas sobre o que caracteriza uma história. O público jovem enxerga narrativas em diferentes formatos, incluindo vídeos curtos de redes sociais, e procura conteúdos com os quais possa se identificar.

A pesquisadora também ressaltou que Geração Z e Geração Alpha não formam um grupo homogêneo. Por isso, o estudo defende que a indústria ouça jovens de diferentes regiões e origens, em vez de basear suas decisões apenas na visão de adolescentes de Los Angeles.

As conclusões serão debatidas no sexto encontro anual Teens & Screens Summit, organizado pela UCLA em 22 de outubro. A produtora Higher Ground, de Barack e Michelle Obama, receberá durante o evento o segundo prêmio Greg Berlanti de Impacto Social.

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