InícioDestaqueA guardiã do cinema fantástico: uma conversa com Monica Trigo na Mostra...

A guardiã do cinema fantástico: uma conversa com Monica Trigo na Mostra de Cinema de Fama


O nosso audiovisual reúne artistas maravilhosos e também profissionais competentes que estão atrás das câmeras, nos bastidores, lutando pelos avanços dessa indústria que está em pleno vapor. Entre essas pessoas está a gestora cultural Monica Trigo. Com ampla experiência à frente de secretárias de cultura e na presidência de associações ligadas ao Cinema Fantástico, essa baiana carismática e super simpática, vem se consolidando, nos últimos anos, como uma das grandes forças na defesa do nosso audiovisual.

Durante a 8ª Mostra de Cinema de Fama, na qual atuou como júri e consultora, tivemos a oportunidade de bater um papo descontraído e muito enriquecedor com essa verdadeira batalhadora da sétima arte brasileira:

 



1) Como você está vendo o mercado do audiovisual brasileiro na atualidade?

Monica Trigo: Estamos voltando para a produção audiovisual brasileira, com obras e narrativas cada vez mais criativas, mas tem a questão de oportunizar. Cinema a gente faz no fluxo, é muito importante a existência de editais, a lei Paulo Gustavo, Aldir Blanc, que se construam políticas públicas de investimento. Esse é um ponto importantíssimo. Também vejo um gargalo no processo de exibição, especialmente nos festivais, que representam a primeira janela de uma obra. Um filme premiado em festival tem sua trajetória comercial completamente transformada. Sinto que precisamos construir uma política pública de investimento para os festivais, que são lugares onde as pessoas se encontram: os criativos estão juntos, o olhar de quem realiza tá lá, mas o de quem compra também.

Abertura da 8a edição da Mostra de Cinema de Fama. Foto: divulgação do festival
Abertura da 8a edição da Mostra de Cinema de Fama. Foto: divulgação do festival

2) Como foi sua experiência lá no Festival de Cannes este ano?

Monica Trigo: Eu e Javier Fernandez (coordenador do programa Blood Window na Ventana Sur) fazemos muitas coisas juntos, sempre fomos procurados por projetos que estão em fase de desenvolvimento e por outros que estão em pós-produção. Montamos uma consultoria para construir estratégias para essas pessoas que nos procuram, uma consultoria argentina/ brasileira, e fizemos o lançamento no Marché du Film, em Cannes. Nós levamos 15 obras pra lá, inclusive um filme da diretora Eva PereiraO Barulho da Noite, que saiu de lá com uma distribuição internacional. Fizemos também um showcase de cinema fantástico com cinco obras em pós-produção da América Latina e nove projetos de Minas Gerais.

Abertura da 8a edição da Mostra de Cinema de Fama. Foto: divulgação do festival
Abertura da 8a edição da Mostra de Cinema de Fama. Foto: divulgação do festival

3) Vejo você muito associada ao Cinema Fantástico. Da onde veio essa relação com esse universo?

Monica Trigo: Venho de uma atuação no cinema brasileiro, desde a época de Paulínia (Festival). Em relação ao cinema fantástico, me dei conta que muitas obras que gostava pertenciam a esse universo. Bacurau, por exemplo, é um filme de horror e ficção cientifica. O universo fantástico que tem a característica de reflexão social é algo que me interessa. Durante muito tempo tive preconceito com o cinema de gênero, acreditava que o terror era construído majoritariamente por homens que objetificavam as mulheres. Hoje, porém, reconheço a força e a presença de tantas roteiristas mulheres, como Juliana Rojas e Gabriela Amaral Almeida, que desmentem essa visão. Passei, então, a olhar com muito mais atenção. Atualmente, o cinema fantástico que mais me interessa é justamente aquele feito por mulheres.

Abertura da 8a edição da Mostra de Cinema de Fama. Foto: divulgação do festival
Abertura da 8a edição da Mostra de Cinema de Fama. Foto: divulgação do festival

4) Quais os festivais que você mais está ligada dentro desse universo fantástico? O que você já ajudou a construir?

Monica Trigo: Tive a alegria de construir a Aliança Latino-Americana de Festivais de Cinema Fantástico (FantLatam). Fui presidente por muitos anos e, hoje, já somos 33 festivais em 12 países da América Latina. A grande vantagem de manter uma relação associativa é a possibilidade de circularmos como júri nesses festivais, acompanhando de perto toda a produção latino-americana. Além disso, indicamos obras e estamos presentes nos mercados internacionais. Em Cannes, por exemplo, o maior pavilhão que existe no Marché du Film é o Fantastic Pavilon – espaço dedicado ao cinema fantástico – que promove gala de filmes, e exibições de produções do gênero. Acho um universo muito criativo.

Raphael Camachohttps://guiadocinefilo.blogspot.com.br
Raphael Camacho é um profissional com mais de 20 anos de experiência no mercado cinematográfico. Ao longo de sua trajetória, atuou como programador de salas de cinema, além de ter trabalhado nas áreas de distribuição e marketing de filmes. Paralelamente à sua atuação na indústria, Raphael sempre manteve sua paixão pela escrita, contribuindo com o site Cinepop, onde se consolidou como um dos colaboradores mais antigos e respeitados deste que é um dos portais de cinema mais queridos do Brasil.
MATÉRIAS
CRÍTICAS

NOTÍCIAS