A Morte de um Unicórnio | Conheça a comédia SOMBRIA fantástica da A24 disponível no Prime Video

A A24 é lar de alguns dos títulos mais aclamados das últimas décadas no cenário cinematográfico – como ‘Lady Bird’, o múltiplo vencedor do Oscar ‘Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo’ e a recente dramédia esportiva ‘Marty Supreme’, que se tornou uma das produções mais prestigiadas do ano passado. E, enquanto boa parte do catálogo da produtora independente acerta ao escalar a equipe criativa e o elenco certos para trazerem à vida projetos ambiciosos e originais, alguns escorregam em não conseguir entregar exatamente o que propõe, mesmo ficando acima da média quando comparados a incursões semelhantes.

Esse é o caso de ‘A Morte de um Unicórnio’: o longa-metragem estrelado por Paul Rudd (‘Homem-Formiga’) e Jenna Ortega (‘Wandinha’) chegou ao circuito norte-americano há dois anos, quietamente sendo lançado nas plataformas de streaming ao redor do planeta e sendo ofuscado por obras até mesmo da mesma companhia que encontraram sucesso mais considerável de bilheteria e de crítica. Todavia, a sombria comédia de terror fantástica acerta em vários pontos e, em meio a uma exagerada atmosfera que se desenrola por pouco mais de uma hora e quarenta minutos, entrega uma metáfora contundente e incisiva sobre o capitalismo predatório e sobre a infindável e perigosa ambição humana perante a forças incontroláveis.

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A trama é centrada em Elliot Kintner (Rudd), um advogado viúvo que viaja para a imponente casa de campo de seu chefe, Odell (Richard E. Grant), ao lado da filha única Ridley (Ortega). Preparando-se para auxiliar a poderosa família com documentos que envolvem inclusive a iminente morte do patriarca, que padece em estágio terminal de câncer, Elliot e Ridley atropelam inadvertidamente um animal que cruzava a rodovia – uma criatura que ninguém acreditava existir até então: um unicórnio. A jovem, tentando entender como aquilo é possível, acaba por forjar uma conexão com o esplêndido ser mitológico ao tocar em seu chifre, sendo bombardeada por visões a princípio não muito claras, e que são interrompidas quando Elliot coloca um fim no sofrimento da criatura, colocando o cadáver em seu porta-malas.

O que eles não imaginavam é que esse seria o início de uma luta pela sobrevivência. Afinal, como descobrem, o sangue do unicórnio possui propriedades mágicas inexplicáveis, cujas habilidades incluem desde a cura da acne que açoita o rosto de Ridley até a necessidade dos óculos de Elliot. Mais do que isso, Odell, movido por uma mentalidade empreendedora que o transformou em um magnata temido e impiedoso, reúne o restante de sua família – a esposa Belinda (Téa Leoni) e o filho Shepard (Will Poulter) – e um time de cientistas para não apenas colher amostras do DNA do animal, como ofertando-o a preços inimagináveis para outras pessoas do meio, almejando a um lucro que colocará o nome deles para sempre nos livros de história.

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É claro que as coisas não saem como o planejado e, ignorando os constantes alertas de uma preocupada Ridley, todos da propriedade começam a ser caçados por dois outros unicórnios que galopam em uma fúria ensandecida com sede de sangue e de vingança, dando início a um massacre que não parece ter fim. Como podemos ver, toda a ambientação arquitetada pelo diretor e roteirista Alex Scharfman em sua estreia oficial no circuito de longas-metragens é uma mistura dos tropos de ficção científica, terror, comédia e fantasia, aglutinados em um cobiçoso e interessante cosmos que esquadrinha a problemática da ganância humana.

O projeto de Scharfman nos chama a atenção por trazer um novo espectro a criaturas muito conhecidas da cultura pop, apoiando-se em lendas mais obscuras que denotam a ferocidade e a periculosidade dos unicórnios. É claro que isso já havia sido feito em uma breve sequência do subestimado ‘O Segredo da Cabana’, mas aqui o realizador se apropria de histórias milenares para construir uma narrativa que, em boa parte, nos agrada. Não é surpresa que, apesar do escopo panfletário que acompanha esse palanque, suas investidas sejam transpostas para uma exploração restrita que, em última análise, coloca o indivíduo subjugado a uma natureza descomunal e irrefreável (materializada, é claro, pelas criaturas mitológicas).

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De certa maneira, a condução da obra é previsível – ou seja, é possível imaginar quem sairá ileso e quem perecerá em meio a uma caçada sem fim. Porém, é possível encarar esses convencionalismos de forma propositalmente anticlimática, nos preparando pouco a pouco para uma conclusão em aberto que, caso tenhamos prestado atenção na história, faz sentido dentro do objetivo principal do filme. E, é claro, nada funcionaria sem o sólido comprometimento de um elenco que já demonstrou uma grande versatilidade performática em outras produções – e que, aqui, mergulha na despojada construção de seus respectivos personagens.

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Lembrando que ‘A Morte de um Unicórnio’ está disponível no catálogo do Prime Video.

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Thiago Nolla
Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.