A Mostra de Cinema de Fama vem se consolidando como um dos mais acolhedores festivais de cinema do nosso país. Nessa oitava edição não está sendo diferente: se mantendo como um espaço que preza pelo cinema brasileiro e um local de encontros de apaixonados pela sétima arte. Um grande exemplo disso é a atriz Paula Braun, uma das apresentadoras do festival. Com muitos trabalhos no teatro, televisão e no cinema, a artista catarinense conversou conosco sobre o mercado audiovisual, suas referências no processo de criação de personagens, além de comentar sobre seu próximo longa-metragem:

1) Qual a importância dos festivais de cinema para vocês realizadores, artistas? E fale também da sua relação de grande carinho com a Mostra de Cinema de Fama.
Paula Braun: “Eu gosto muito dos festivais pequenos, porque eles descentralizam. Os grandes festivais também são maravilhosos: o Festival do Rio, a Mostra de SP, Festival de Cannes, eu já estive em muitos festivais com filmes. Mas os pequenos descentralizam, você leva produções menores – que às vezes não tem espaço nos maiores festivais para serem exibidos – para cidades que não tem cinema, com uma população que muitas vezes não está acostumada com essa linguagem. Nos festivais menores, por exemplo, você tá levando cinema para uma praça, democratizando produções e colocando em contato com o público, isso causa emoções e identificações. A Mostra de Cinema de Fama é nutrida por muito afeto. Todas as vezes que venho, faço amigos e encontro pessoas muito queridas. Eu espero o ano inteiro para poder estar aqui, trocar experiências e isso me dá um gás pra produzir, aumenta minha vontade de fazer cinema.”

2) O que você está achando do atual momento do cinema brasileiro?
Paula Braun: “Eu tô animada, acho que estamos retomando uma produção bem bacana. Esse segundo semestre está bem melhor do que já foram os últimos anos: estamos começando a tirar do papel os projetos que estavam engavetados ou que precisam de leis, etc. Por um lado isso dá um gás, junto com a visibilidade dos filmes brasileiros recentes lá fora, inclusive pra olharem e saberem sobre o que estamos fazendo por aqui. Sempre fizemos coisas interessantes, temos uma história de cinema bem bonita e a gente tem uma coisa no nosso cinema que acho muito bacana: a identidade. Você assiste a um filme brasileiro e você sabe que ele é um filme brasileiro. A gente tem essa marca, que agora está correndo mais pelo mundo, então é um momento animado nesse sentido. Por um outro lado, precisamos tomar muito cuidado com o mercado de streaming: é necessária regulação, precisamos que nossas produções não percam em nada para as produções internacionais. A gente tá vivendo dois momentos opostos, um momento de brilho muito bonito e um momento de muito cuidado. Precisamos que as leis para o audiovisual brasileiro sejam devidamente regulamentadas.”

3) Como é o seu processo de estudo para suas personagens? Eu tenho uma teoria que assistir a filmes, peças de teatros, já é um grande estudo, que vocês artistas tem. Concorda comigo?
Paula Braun: “Concordo. Um ator tem que ter o maior número possível de histórias, nós somos contadores de histórias. Quanto mais filmes você assiste, mais peças você vê, mais livros você lê, mais vai ter dentro de você para usar em seus personagens, nas histórias que você vai criar. Então é tudo muito rico, uma troca importante. Faz parte do processo, não podemos deixar isso de lado.”

4) O que você pode falar sobre seu novo trabalho no cinema?
Paula Braun: “É uma produção de Santa Catarina. Esse estado vem vivendo um momento bem interessante no cinema, com muitas histórias sendo contadas por uma galera que vem remando contra uma maré há muito tempo e que agora começa a colher os frutos. Esse filme chegou pra mim como um grande presente: é uma personagem tão bacana e uma história tão bonita. A diretora é a Cíntia Domit Bittar, que trabalhou muito com cinema de terror. É um filme bem contemporâneo, carrega humor, drama e suspense. Vou rodar o filme agora no segundo semestre. O título é Um Dia Extraordinário, uma história que se desenrola num encontro familiar.”
