Ontem, foi realizada a 71ª edição do Festival de Cinema de Berlim, também conhecido Berlinale, e um dos destaque do evento foi o filme brasileiro ‘A Última Floresta‘.

Dirigido por Luiz Bolognesi, o único longa brasileiro foi agraciado com o disputado Prêmio do Público da mostra Panorama.

Mesclando documentário e ficção, ‘A Última Floresta‘ cumpre o papel de denúncia ao acompanhar a rotina de indígenas da tribo Yanomami que vivem isolados e tentam afastar garimpeiros invasores da floresta amazônica.

Para quem não sabe, a tribo compõe a maior reserva indígena em extensão territorial do Brasil, com quase 10 milhões de hectares.



Localizada entre os estados de Roraima e Amazonas, há pelo menos 360 comunidades com cerca de 27 mil indígenas espalhados pela região, que sofre com invasão de garimpeiros em busca da extração ilegal de ouro.

Com um elenco composto inteiramente de nativos, o longa também co-escrito por um xamã e ativista da tribo, Davi Kopenawa.

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Em entrevista ao RFI Brasil, Bolognesi contou que a história do longa nasceu enquanto filmava seu filme anterior, que também explora a temática indígena: ‘Ex-Pajé’.



O cineasta sempre foi um admirador da cultura nativa brasileira e a motivação para ‘A Última Floresta veio depois que ‘Ex-Pajé‘ foi vencedor do Prêmio Especial do Júri, na Berlinale de 2018.

“Há aldeias e povos que ainda possuem um xamã muito forte, que luta e resiste para manter o centro deles de política, saúde e conhecimento independentes do mundo exterior. Eu quis fazer um filme que retratasse também este outro lado, a vitória da resistência contra a influência do mundo lá fora.”

O cineasta contou que ficou interessado pelo projeto desde que leu o livro ‘A queda do céu‘, escrito por Kopenawa a partir de diálogo com o antropólogo francês Bruce Albert.

Publicado no Brasil pela Cia das Letras em 2015, a obra influenciou Bolognesi a entrar em contato com o xamã e convidá-lo para escrever o roteiro do longa.

“Na minha opinião, além de tudo, como valor literário, esse é o grande livro que eu li no século 21. No século XX, o livro que mais me impressionou foi o ‘Grande Sertão Veredas’ (de Guimarães Rosa, 1956). Para mim, ‘A Queda do Céu‘ é o ‘Grande Sertão’ do século 21″, afirmou Bolognesi.

Para os interessados em conhecer a trama do filme, a estreia nos cinems nacionais está prevista para o segundo semestre deste ano, ainda sem data definida.



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