Após quase quatro décadas moldando o universo da moda através das páginas da Vogue americana, Anna Wintour está oficialmente deixando o cargo de editora-chefe da edição dos EUA, conforme confirmado pela Variety nesta quinta-feira (26). A decisão marca o fim de uma era para uma das figuras mais influentes da indústria da moda e da mídia.
Wintour anunciou a saída em comunicado interno à equipe, informando que a revista iniciará a busca por um novo(a) chefe de conteúdo editorial para os Estados Unidos — um cargo que faz parte da estrutura global implementada pela Condé Nast desde 2020.
Apesar da saída da editoria norte-americana, Wintour permanece como Chief Content Officer da Condé Nast e diretora editorial global da Vogue, supervisionando a publicação em todos os seus mercados, incluindo Reino Unido, França, Japão, China, Índia, Itália e Oriente Médio.
Ela continuará a influenciar o conteúdo de títulos como Vanity Fair, GQ, AD, Bon Appétit, Allure e Wired — com exceção do The New Yorker, comandado por David Remnick.
Anna Wintour assumiu o posto em 1988, sucedendo Grace Mirabella. Sua primeira capa foi icônica: a modelo Michaela Bercu usando um blazer Christian Lacroix com uma cruz bordada e jeans stonewashed da Guess — uma quebra de paradigma que simbolizava uma nova era editorial.
“Essa capa rompeu todas as regras”, escreveu Wintour em 2012. “As pessoas interpretaram de diversas formas: que era sobre o ‘high-low’, que a modelo estava grávida, ou até uma mensagem religiosa. Mas não era nada disso. Eu apenas senti que os ventos estavam mudando.”
Ao longo de sua carreira, Wintour se tornou sinônimo de poder, elegância fria e olhar apurado para tendências culturais. Sob sua liderança, a Vogue consolidou-se como a bíblia da moda e se manteve relevante em meio às transformações digitais da mídia.
A transição permitirá que Wintour concentre-se ainda mais em seu papel global, estrategicamente alinhando as edições internacionais da Vogue e impulsionando a transformação digital da Condé Nast. A busca por um(a) novo(a) editor(a)-chefe para a edição americana se insere na estrutura atual da editora, onde cada mercado opera com um líder editorial local reportando-se a um diretor global — no caso da Vogue, ainda sob o olhar de Wintour.
