Ari Aster, cineasta conhecido por seus aclamados trabalhos em ‘Midsommar – O Mal Não Espera a Noite’ e ‘Hereditário’, revelou um de seus maiores medos atuais envolvendo a indústria de Hollywood: o avanço da inteligência artificial.
Segundo o Deadline, o cineasta admitiu sentir “muito medo” em relação ao uso crescente da tecnologia no setor. Ele observa como muitos já a tratam “como um deus”, mesmo sabendo que “não temos voz” sobre como ela será implementada à medida que evolui.
“Obviamente, já é tarde demais. Estamos em uma corrida agora”, disse Aster. “É assim que a história da inovação tecnológica sempre funcionou: se podemos, vamos fazer. Tenho perguntas maiores, sabe? O que o Marshall McLuhan dizia? ‘O homem é o órgão sexual do mundo das máquinas’, certo? Essa tecnologia é uma extensão nossa? Ou nós somos extensões dela? Ou estamos aqui apenas para trazê-la à existência?”.
Aster ainda comentou que muitos dos profissionais envolvidos no desenvolvimento da IA “não falam sobre ela como uma nova mídia ou tecnologia”.
“Eles falam sobre isso como se fosse um deus. Falam como discípulos. Eles são extremamente devotos a essa coisa. O espaço que existia entre a nossa realidade vivida e essa realidade imaginária está desaparecendo — estamos nos fundindo. E isso é muito assustador”, destacou.
Essa preocupação revisita no momento em que o Senado dos EUA retirou de um projeto de lei proposto por Donald Trump uma cláusula que proibiria os estados de regulamentar a IA pelos próximos dez anos. Enquanto isso, algumas partes da indústria do entretenimento estão abraçando a tecnologia e tentando estabelecer padrões éticos para o que chamam de “IA limpa”.
Mesmo assim, Aster considera a tecnologia desconcertante — não por parecer artificial, mas justamente por parecer natural demais.
“O mais perturbador na IA é que ela é menos perturbadora do que eu gostaria que fosse”, afirmou. “Vejo vídeos gerados por IA que parecem a vida real. Simplesmente parecem reais. Isso nos leva à nossa incrível capacidade de adaptação. Quanto mais estranhas as coisas ficam, e quanto mais tempo vivemos com elas, mais normais elas se tornam. Mas algo muito grande está acontecendo agora, e não temos controle nenhum sobre isso”.
E ele finaliza: “Vamos lá. Não posso acreditar que vamos realmente viver isso e ver no que vai dar. Santo Deus”.
