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Artigo | O arauto do Apocalipse: o final explicado de ‘Quarteto Fantástico: Primeiros Passos’


Cuidado: muitos spoilers à frente.

A espera acabou: a primeira família da Marvel finalmente chegou ao MCU com o lançamento de Quarteto Fantástico: Primeiros Passos’, longa-metragem que abre a Fase 6 do expansivo panteão super-heroico e que, após décadas de tentativas, faz jus ao impacto e ao legado desse time incrível de metahumanos.

O filme traz Reed Richards/Sr. Fantástico (Pedro Pascal), Sue Storm/Mulher-Invisível (Vanessa Kirby), Johnny Storm/Tocha-Humana (Joseph Quinn) e Ben Grimm/O Coisa (Ebon Moss-Bachrach) enfrentando a agourenta presença de Shalla-Bal/Surfista Prateada (Julia Garner) no planeta Terra e a subsequente chegada de Galactus, o Devorador de Mundos (Ralph Ineson) para destruir o mundo em que habitam e consumi-lo por completo em uma fome insaciável.



Com o desenrolar da história, o time de heróis consegue encontrar a localização de Galactus através dos rastros deixados por Shalla-Bal, viajando em uma dobra no tempo-espaço para convencê-lo de deixar a Terra em paz ao apelar pela razão. Todavia, a inescapável maldição que transformou Galactus na mortal e cosmológica entidade como a conhecemos (e que data de bilhões de anos), apenas o impulsiona a fazer um acordo: Reed e Sue, que estão grávidos de seu primeiro filho, devem entregá-lo às mãos de Galactus. O motivo? O infante Franklin, por ter sido gestado através do DNA mutante dos pais, é dotado de uma força inexplicável que vem se manifestando antes mesmo de seu nascimento – e essas habilidades inenarráveis e poderosas o tornam o único capaz de “vestir o manto” de Galactus para que ele possa, enfim, encontrar paz e descanso.

É claro que, como qualquer boa história de super-heróis, o Quarteto encontra uma maneira de impedir que a Terra seja destruída e que Galactus coloque as mãos em Franklin, construindo torres de energia ao redor do mundo para envolvê-lo em um campo de força capaz de transportá-lo para um outro lugar do universo que tenha condições similares às que conhecem. Porém, Shalla-Bal desmantela esse plano cautelosamente arquitetado, levando o grupo a usar Franklin como isca para impedir que a vilanesca entidade alcance seus diabólicos objetivos.

Mas por que Franklin é tão importante?

Além de ser filho de dois pais com o DNA rearranjado por causa das explosões cósmicas que enfrentaram em uma viagem espacial, o personagem é recorrente nos quadrinhos da saga Quarteto Fantástico e poa como um ser poderoso com habilidades de distorcer a realidade, mesmo desde pequeno. Nas HQs, ele é conhecido por manipular a realidade, criar universos compactos e até mesmo restaurar o multiverso – ou, como vemos em uma das cenas em que Sue usa suas últimas forças para empurrar Galactus pelo portal e acaba falecendo, ele usa essas distorções para trazê-la de volta à vida, imbuindo-a com um poder milenar que agora lhe pertence.

Originalmente, Franklin tem a habilidade de distorcer a realidade, ou seja, de fazer qualquer pensamento ou desejo se concretizar, mesmo em uma escala cósmica. Ele é capaz de reorganizar a estrutura molecular da matéria e da energia à vontade – e, certa vez, o jovem criou inconscientemente seu próprio universo de bolso, abrangendo uma réplica virtual da Terra-616. A partir de então, entidades cósmicas, incluindo Galactus, começaram a notar os tremendos dons de Franklin, chegando a descrevê-lo como um “ser que os Celestiais sentiam estar no mesmo nível deles”.

Além da realidade e da manipulação molecular, Franklin possui vastos poderes psiônicos que se manifestaram como telepatia, telecinese, rajadas de energia de força concussiva, precognição e projeção astral. Sendo uma criança, as habilidades de Franklin são limitadas, por assim dizer, deixando incerto quais níveis de poder ele alcançará na idade adulta, já que diversas encarnações futuras de realidades alternativas, bem como do universo principal da Marvel, demonstraram variar em poder.

E de que forma isso se conecta a ‘Primeiros Passos’?

Após derrotarem Galactus e voltarem à normalidade, a primeira cena pós-créditos do longa-metragem apresenta Franklin um pouco mais velho, sentado ao lado de sua mãe enquanto se divertem um livro. Sue, então, percebe que o filho não está interessado na história e o deixa sozinho por alguns momentos para pegar outro romance e, quando volta, percebe que alguém entrou em sua casa: segundos antes do black-out, Sue percebe que ninguém menos que Victor Von Doom/Doutor Destino (Robert Downey Jr.), já confirmado como o grande vilão da Saga do Multiverso e antagonista dos próximos dois filmes da franquia ‘Vingadores’, está ajoelhado à frente do garoto, como se estivesse tentando convencê-lo de alguma coisa.

Considerando as habilidades psiônicas de Franklin e sua propensão a curvar a realidade à seu bel-prazer, é muito provável que Victor tenha sido atraído pela quantidade inimaginável de poder emanada de Franklin, enxergando nele a possibilidade de concretizar planos malignos que incluem sua chegada à Terra-616 (a realidade principal do Universo Cinemático Marvel). Mais do que isso, é sempre bom lembrarmos que Victor e Richard eram amigos antes de um trágico acidente que os transformou em rivais – premeditando o confronto entre os dois e uma provável vingança pessoal que o vilão vem alimentando há muito tempo. A rixa, inclusive, reafirmada em uma breve cena em que o Quarteto conversa com os líderes mundiais antes de enfrentar Galactus – e um breve shot mostra a cadeira de Latvéria, país natal de Victor, vazia. Logo, que maneira melhor de retaliar Reed que se aproximar de Franklin e torná-lo parte de seu plano?

Ainda que nada tenha sido confirmado, é possível que Franklin tenha sido a chave para que Victor conseguisse borrar os limites entre as realidades e que culminou na chegada do Quarteto Fantástico à Terra-616, como visto na cena pós-créditos de ‘Thunderbolts*’. E isso não é tudo: em ‘Capitão América: Admirável Mundo Novo’, somos anunciados, de maneira indireta, da colisão dos multiversos e de versões alternativas dos heróis que conhecemos quando Samuel Sterns/O Líder (Tim Blake Nelson) afirma, de maneira quase apocalíptica, que “os outros estão chegando” – tendo, possivelmente, confirmado os planos de Victor.

Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.
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