Artigo | Os fantasmas do passado: o final explicado de ‘Them: The Scare’


Cuidado: muitos spoilers à frente.

Três anos depois do que acreditávamos ser o fim de uma breve série de terror, o Prime Video resolveu nos presentear com a segunda temporada da ambiciosa Them.

Subtitulada ‘The Scare’, a trama nos apresenta a uma narrativa antológica que leva o público quase quatro décadas depois dos eventos da iteração predecessora. Aqui, acompanhamos a detetive Dawn Reeve (Deborah Ayorinde) e sua investigação de um brutal assassinato em Los Angeles que pode estar vinculado à sua própria história. Conforme os episódios se desenrolam, percebemos que o homicídio, na verdade, é apenas o princípio de uma comunhão de acontecimentos medonhos que envolvem uma força sobrenatural inexplicável e que começa a ter como alvo sua família.

Durante o enredo, também somos convidados a conhecer o insano Edmund Gaines (Luke James), um aspirante a ator que navega entre a insanidade e a loucura ao ser constantemente rejeitado de todos os sonhos que sempre teve – não apenas no âmbito profissional, mas nas outras esferas. A priori, não entendemos de que forma as duas tramas se conectam; porém, conforme o horror cresce, as coisas começam a se encaixar da maneira mais angustiante possível e guiada por uma brincadeira cronológica que não poderíamos ter previsto em nenhum momento.

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Como Dawn percebe, não existe nenhum serial killer físico tirando as vidas de pessoas inocentes em Los Angeles, e sim uma criatura demoníaca que parece estar atrás de uma vingança inexplicável. O que ela não imaginava é que um compilado de segredos obscuros viria à tona pouco a pouco – como o fato dela, na verdade, ter sido adotada por Athena (Pam Grier) do orfanato em que vivia desde bebê, em que era maltratada pela cuidadora (a qual, por sua vez, a maltratava dia e noite com ameaças e punições condenáveis). Mas isso não é tudo: Dawn havia sido adotada por Athena junto ao irmão gêmeo, que foi devolvido ao sistema após apresentar um comportamento estranho e beirando a psicopatia; sua mãe adotiva, dessa forma, os separou em uma decisão precipitada e que daria origem à trama principal. Afinal, o irmão gêmeo de Dawn em questão era ninguém menos que Edmund.

A verdade é que a temporada divide-se em duas linhas temporais que só começam a fazer sentido quanto a iteração entra em seu terceiro ato e somos levados a 1989, quando Edmund e Dawn se reencontram. Todavia, após todo o trauma sofrido, Dawn acabou por recalcar o que passou ao lado do irmão e no orfanato, construindo uma vida nova ao lado do até então marido e do filho. Não é surpresa, pois, que a protagonista não o reconheceu de imediato, mas Edmund sabia exatamente quem ela era e utilizou aquele encontro apenas como um último gatilho para se suicidar e transformar-se na implacável e rancorosa criatura que precisa caçar e punir aqueles que representam seus assuntos inacabados.

E isso não é tudo: os gêmeos provêm de uma linhagem que é marcada por traumas e que já foi perseguida por monstros bastante semelhantes. Como é-nos revelado no capítulo de encerramento, Edmund e Dawn são filhos de Ruby Lee Emory (Shahadi Wright Joseph), a filha mais velha de Lucky (Ayorinde) e Henry (Ashley Thomas) na temporada de estreia – que, levando em consideração o que a família passou confinada em um horrível subúrbio dominado por brancos nos anos 1950, resolveu dar a melhor chance possível para os filhos recém-nascidos sem que eles precisassem carregar os fardos de algo que não lhes pertencia.

Ao descobrir quem é sua mãe biológica, Dawn crê que está livre de todas as amarras que borravam sua genealogia – mas, o que ela não esperava, é que os fantasmas de um remoto passado voltariam a assombrá-la em uma espetacular cena final que traz o retorno do Tap Dance Man (Jeremiah Birkett), um dos demônios que assolava os Emory (em especial, Henry, ao emergir como um algoz que o induzia a se render às angústias e à impotência de proteger a família). A sequência em questão pode, inclusive, nos preparar para uma merecida terceira temporada que deve finalizar esse arco multigeracional e muito bem-vindo.

Lembrando que as duas temporadas estão disponíveis no Prime Video.

Thiago Nolla
Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.

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