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Artigo | Por que ‘Invocação do Mal 2’ é o MELHOR filme da icônica franquia de terror


No mundo como o conhecemos, o sobrenatural sempre nos chamou a atenção – e serve de inspiração para diversas histórias no cenário da sétima arte, sejam verdadeiras ou fictícias. E, dentro desse espectro, produções como ‘O Exorcista’ e ‘A Cidade do Horror’ roubam os holofotes por se basearem em eventos reais, chocando qualquer um que ouse singrar por essas narrativas arrepiantes. Em 2013, o aclamado realizador James Wan, que já havia se aventurado nos meandros do subgênero gore com ‘Jogos Mortais’, mostrou que o terror ainda tinha muito a nos contar ao encabeçar o aplaudido Invocação do Mal – discorrendo sobre os assombrosos casos investigados por Ed e Lorraine Warren.

Trazendo Patrick Wilson e Vera Farmiga como o casal protagonista, o longa se tornou um sucesso de crítica e de público ao resgatar os classicismos do gênero ao prestar homenagem a ícones do terror e do suspense através de um sólido e caprichoso projeto que surpreendeu a todos. E, em 2016, Wan regressou a esse expansivo universo (que, à época, contava com o primeiro capítulo da franquia ‘Annabelle’) com Invocação do Mal 2’ – que levou Ed e Lorraine em uma perigosa jornada que se eternizaria como uma das mais mortais enfrentadas pelos demonologistas: o poltergeist de Enfield.

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A trama, inspirada em eventos reais assim como o filme anterior, nos leva de volta para 1977, para o bairro que ficaria conhecido pela assombração em questão. No sobrado dos Hodgson, a filha mais nova, Janet (Madison Wolfe), se torna alvo de uma poderosa aparição que deseja consumi-la pouco a pouco até transformá-la em nada mais que um cadáver – e uma vítima de uma maligna e impiedosa presença que, em pouco tempo, chama a atenção dos Warren. Apesar de terem se aposentado do trabalho de campo, principalmente após Lorraine ter visões perturbadoras que envolvem a morte de Ed, os demonologistas resolvem ajudar a família após serem contatados pela matriarca Peggy (Frances O’Connor).



A princípio, acredita-se que a aparição é um mero caso de um espírito desgarrado que ainda se prende à casa e acredita que os Hodgson são intrusos. Porém, através de possessões da jovem Janet, que posa como o membro mais frágil e vulnerável da família, mensagens crípticas mostram que o espírito, na verdade, serve de conduíte para um eminente demônio que esconde seu verdadeiro nome para impedir que os Warren tenham poder sobre ele – mas que logo tem sua identidade revelada: Valak, a entidade que ataca a própria fé de Lorraine ao se mostrar como uma blasfema representação de uma freira (e que ganharia seu próprio spin-off dois anos mais tarde).

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Através de pouco mais de duas horas, Wan não apenas arquiteta um ótimo filme de terror, mas reafirma o potencial do gênero como obra de arte: seja ao aliar-se ao competente roteiro de Chad Hayes e Carey W. Hayes, seja na exímia condução cênica, Invocação do Mal 2’ é delineado como uma profunda exploração sobre a vida e a morte, trazendo tropos conhecidos do terror psicológico e sobrenatural com fundações na sinestesia atmosférica à medida que os remodela em uma declaração de esperança e desespero, de fé e descrença, do bem e do mal (manchando as divisões maniqueístas entre conceitos tão impalpáveis e abstratos). O diretor mostra-se disposto, sem presunção alguma, a homenagear aqueles que o inspiram como realizador cinematográfico, garantindo um encontro entre passado e presente que nos envolve do começo ao fim.

Enquanto o capítulo inicial dessa memorável saga teve um claro enfoque no purismo do terror, a segunda investida garante que essa ambientação seja transmutada em um angustiante e claustrofóbico vórtice que se equilibra entre o crível e o incrível, entre o divino e o profano, de modo a nos arrebatar em uma arrepiante história que torna impossível a tarefa de desviar os olhos da tela – e, nesse meio tempo, temos a dilacerante e opressora fotografia de Don Burgess, que se adensa conforme Valak se entranha cada vez mais na família e deixa um rastro de destruição por onde passa; a tétrica trilha sonora assinada por Joseph Bishara; e uma montagem sublime de Kirk Morri que traz elementos do melodrama e do suspense em um emocionante tour-de-force.

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O resultado não poderia ter sido outro: além de surpreendentes US$321,8 milhões arrecadados mundialmente, o projeto recebeu aclame por parte dos especialistas e reiterou o poder de um time estelar que sabe exatamente o tipo de história que se propõe a contar – e que, no final das contas, deu origem a diversos projetos derivados que refletiram seu claro impacto dentro desse universo e dentro de um gênero por vezes saturado pela mesmice e pela falta de originalidade.

Neste final de semana, chegou aos cinemas o capítulo final da franquia: Invocação do Mal – O Último Ritual.

Crítica | Ed e Lorraine Warren se despedem com o ótimo ‘Invocação do Mal 4: O Último Ritual’

Lembrando que a franquia Invocação do Mal está disponível na HBO Max.

Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.
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