InícioDestaqueArtigo | Relembrando o CLÁSSICO 'De Volta para o Futuro', que faz...

Artigo | Relembrando o CLÁSSICO ‘De Volta para o Futuro’, que faz quarenta anos


A história da sétima arte é marcada por filmes ruins, filmes bons e filmes clássicos – tão clássicos que chegam a se tornar emblemas da criação humana audiovisual. Em mais de cem anos, diversas produções alcançaram esse imponente status, como foi o caso do ícone do expressionismo alemão ‘Nosferatu’, o irretocável drama de máfia ‘O Poderoso Chefão’ e o primeiro blockbuster do cinema ‘Tubarão’. E, nesse seleto grupo, existe um popular e prestigiado longa-metragem que chegou aos cinemas há quarenta anos e que, mesmo hoje, continua influenciando realizadores e artistas por sua incrível mistura de ficção científica e aventura, eternizando uma das maiores narrativas da cultura pop: De Volta para o Futuro.

Dirigido por Robert Zemeckis, o longa-metragem é centrado no jovem Marty McFly (Michael J. Fox), que mora na cidade de Hill Valley, Califórnia, com a mãe alcoólatra Lorraine (Lea Thompson), o pai covarde e submisso George (Crispin Glover), e os irmãos Dave (Marc McClure) e Linda (Wendie Jo Sperber). Sonhando com o momento em que deixará a cidade para trás e começará sua vida de verdade – e jurando não cometer os mesmos erros que seus pais -, Marty é amigo do excêntrico cientista conhecido como Doutor Brown (Christopher Lloyd), que tem um apreço significativo por viagens no tempo e realiza diversos experimentos malucos para provar seu valor para a comunidade científica.



Em uma determinada noite, o Doutor pede a ajuda de Marty para uma experiência que mudará a história – e que, surpreendendo a todos, funciona: o cientista transformou um carro DeLorean em uma máquina do tempo, e tem não apenas o jovem como sua testemunha, mas uma gravação que prova que romper o limite cronológico que conhecemos é possível. Porém, o momento de conquista se transforma em tragédia quando a dupla é interceptada por um grupo de terroristas do qual o Doutor roubou o plutônio necessário para fazer a máquina funcionar, culminando no assassinato do cientista e numa viagem só de ida de Marty para trinta anos no passado.

Após entrar no DeLorean para salvar sua vida, Marty viajou três décadas no tempo, de volta para 1955, onde foi recepcionado por uma Hill Valley bastante diferente da que conhecia – incluindo uma versão mais jovem e feliz da mãe (que bizarramente desenvolve uma quedinha pelo “estranho” recém-chegado à cidade); e uma versão ainda submissa do pai, que enfrenta a valentia constante e insuportável de Biff Tannen (Thomas F. Wilson), que se tornou chefe de George no futuro e continua a tratá-lo como um zé-ninguém. O problema é que a chegada de Marty deu início a um efeito cascata que impediu que os pais se conhecessem e colocou o futuro dele e da família em xeque – compelindo-o a procurar o Doutor para corrigir o erro.

Responsável também pelo roteiro ao lado de Bob Gale, Zemeckis não apenas arquitetou um dos melhores filmes dos anos 1980, mas um dos títulos seminais que definiram o gênero sci-fi do cinema contemporâneo e que, através de um enredo espirituoso e despojado, influenciou diversos realizadores que mergulharam no gênero. Afinal, quando pensamos nas múltiplas incursões que esse tipo de história esquadrinha, títulos desde ‘O Exterminador do Futuro 2’, ‘Bill & Ted: Uma Aventura Fantástica’ e ‘Palm Springs’ se beneficiaram das explorações promovidas por Zemeckis, colhendo os frutos plantados pelo diretor tantas décadas atrás.

O sucesso do longa, entretanto, não se deve apenas à imortalização dos tropos da ficção científica sob uma perspectiva nova e bastante original, mas à temática e aos arquétipos que Zemeckis e Gale construíram para fundar as bases desse épico cinematográfico: de um lado, Marty representa a essência do herói mítico analisado por Joseph Campbell, colocado frente a frente com uma realidade a que não está acostumada e que o lança em uma jornada heroica para reparar os danos causados e trazer ordem de volta ao mundo; Brown, emergindo como o mentor, é pincelado com as fórmulas dos “cientistas loucos” sem deixá-lo cair nos convencionalismos, e sim garantindo um encontro certeiro de drama e comédia que o torna complexo e envolvente; e, permeando esses dois conduítes, as ramificações exploram o conceito de família e conflitos intergeracionais que reverberam entre passado e presente como um contínuo inescapável.

O filme encontrou uma sólida recepção crítica e de público assim que chegou aos cinemas, arrecadando impressionantes US$398,2 milhões ao redor do planeta e angariando diversos elogios por parte dos especialistas. Tais conquistas deram origem a duas sequências diretas de qualidade muito similar, sagrando a trilogia como uma das melhores do cinema, e arquitetou uma sólida estrutura parassocial que, assim como outros clássicos, o retira de rótulos cronológicos. Em outras palavras, é inegável o apelo estético que De Volta para o Futuro carrega consigo entre as várias gerações que descobrem ou redescobrem essa obra-prima – tornando-o atemporal mesmo quarenta anos depois de seu lançamento.

Lembrando que a trilogia completa está disponível no catálogo da HBO Max.

Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.
MATÉRIAS
CRÍTICAS

NOTÍCIAS