As Atuações Marcantes e a Despedida para Rutger Hauer

As Atuações Marcantes e a Despedida para Rutger Hauer



Hoje, o mundo do cinema ficou mais triste. Nos despedidos do veterano Rutger Hauer, que faleceu em sua casa aos 75 anos. Mais conhecido pelo papel do replicante Roy Batty no cult de ficção científica Blade Runner: O Caçador de Androides (1982), Hauer era holandês e começou a carreira trabalhando em filmes europeus, ainda na década de 1960. Nesta época, colaborou quatro vezes com o diretor Paul Verhoeven (Robocop e Instinto Selvagem), se tornando seu ator preferido.

Hauer foi inclusive a primeira escolha de Verhoeven para viver o robô policial, que terminou nas formas de Peter Weller. Além disso, também é dito que a autora Anne Rice tinha Hauer em mente ao criar o vampiro Lestat no livro Entrevista com o Vampiro. Na versão para o cinema, de 1994, o personagem foi vivido pelo bem mais jovem Tom Cruise.

Hauer ficou conhecido por seu tipo intenso nas telas, geralmente associado a vilões. Mas o ator transitava, e tinha facilidade, também com heróis de ação e até mesmo personagens guiados pelo amor, vide O Feitiço de Áquila (1985) – outro ponto alto em sua carreira. Hauer tem mais de 170 créditos como ator, entre cinema, produções para a TV, séries e minisséries. Em 1998, ele levou o Globo de Ouro como melhor ator coadjuvante pelo filme feito para a TV Fuga de Sobibor, no qual interpretou um militar num campo de concentração.

Como forma de homenagear o ator, o CinePOP relembra alguns de seus trabalhos mais marcantes. Vem conhecer.

Blade Runner: O Caçador de Androides (1982)

Visionário em todos os sentidos, o autor Philip K. Dick já tratava de assuntos como a relação do homem com a máquina, muito antes da série Black Mirror sonhar (com ovelhas elétricas) em ser criada. O filme de Ridley Scott não fez por menos e entrou para a história como obra cult estudada até hoje. No longa, Rutger Hauer vive Roy Batty uma máquina “humana”, que aprendeu a desenvolver sentimentos. Ele lidera uma rebelião rumo à liberdade, mesmo sabendo que seus dias estão contados. Seu discurso na chuva é um dos momentos mais tocantes da sétima arte.

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O Feitiço de Áquila (1985)

Da tecnologia, passamos para a magia. Dois amantes separados pelo dia e pela noite, numa maldição. Após as muitas camadas dadas a seu “vilão” de Blade Runner, Hauer seguia derrubando as barreiras do estereotipo. A produção o queria como o antagonista Marquet (Ken Hutchison), mas o ator recusou e insistiu no papel do protagonista – um sujeito movido pelo amor. Navarre (Hauer) e Isabeau (Michelle Pfeiffer) são amantes, mas não podem se encontrar. De manhã, ela vira a Ladyhawke do título, uma águia, e de noite, ele se transforma num lobo – até que a maldição seja quebrada.

A Morte Pede Carona (1986)

Deixando correr seu lado mais psicótico, completamente desapegado de qualquer valor ou humanidade, Hauer incorporou um dos vilões mais gélidos dos anos 1980. Esta produção B ganhou status de cult devido a suas exibições na TV aberta (na época sequer existia TV a cabo afinal), fazendo morrer de medo toda uma geração. Na trama, um sujeito que pede carona em estradas transforma a vida de um jovem num verdadeiro inferno. Quem poderia esquecer da namorada amarrada a dois caminhões ou os dedos na batata fritas? Cenas que mancharam nossa mente e nunca mais a deixaram. E nós adoramos!

Fúria Cega (1989)

Imagine se o Rambo fosse cego e treinado com uma espada de samurai. Esta é basicamente a premissa deste filme de ação imperdível, que traz Hauer como um veterano da Guerra do Vietnã cego, que volta aos EUA para proteger o filho de um colega militar. A produção é dirigida por Phillip Noyce (O Colecionador de Ossos).

Aliança Mortal (1991)

Um dos atrativos da carreira de Rutger Hauer estava em escolher projetos diferentes, criativos e ousados. É seguro dizer que o ator holandês fez de tudo um pouco. Aqui, mais uma vez no terreno da ficção científica, apesar de em menor escala, ele vive um prisioneiro encarcerado num inovador sistema de prisão. O cárcere não conta com grades e sim com uma tecnologia na forma de colar que liga cada prisioneiro a outro. Se eles se afastarem por mais de alguns metros, explodem. O lance é: ninguém sabe quem é seu contraponto, portanto, a ideia é permanecerem todos sempre juntos.

Buffy – A Caça-Vampiros (1992)

Antes de se tornar uma série de muito sucesso no fim dos anos 1990, estrelada por Sarah Michelle Gellar, a patricinha exterminadora de mortos-vivos dentuços teve as formas de outra loira, Kristy Swanson. Escrito pelo mesmo Joss Whedon, o longa viveu para se tornar um fracasso, um tempo depois se tornando obra cult. Whedon por outro lado, viu potencial na coisa, insistiu e alguns anos mais tarde a ideia virava série na Fox. No longa, Hauer vive o líder dos vampiros, o caricato Lothos. Bem, vale mencionar que Buffy, o filme, é uma comédia.

O Destruidor (1992)

Slipt Second, em seu título original, é mais uma ficção científica passada no futuro. No filme, Hauer vive o policial durão Harley Stone, que entre passar fogo num bandido aqui e outro ali, ainda precisa lidar com a realidade de uma Londres alagada. Neste cenário surge o maior desafio do sujeito: uma ameaça extraterrestre jantando humanos no melhor estilo O Predador (1987). O longa conta com a presença da atriz Kim Cattrall, que mais tarde ficaria famosa como a Samantha da série Sex and the City. Nem é preciso dizer que hoje é item cult.

O Sequestro de Heineken (2011)

O famoso sequestro do holandês criador da cerveja que leva seu nome viu sua história ser contada neste filme de mesma nacionalidade. Hauer vive o ricaço magnata cervejeiro Alfred Heineken. Anos mais tarde, em 2015, a mesma história foi contada numa versão americana, que teve Sir Anthony Hopkins vivendo o papel do protagonista.

Hobo with a Shotgun (2011)

Parte do conceito trash revivido por Quentin Tarantino e Robert Rodriguez em seu projeto Grindhouse, este longa seguiu nesta mesma esteira. Um conceito absurdo, ultraviolência, senso de humor e muito nonsense. Pense em Machete (2010), mas ao invés de um mexicano com uma peixeira, um mendigo (Hauer) com uma arma calibre 12. Esse não precisou se esforçar muito para virar cult, já que era esta sua intenção.

Em 2005, o ator faria participações pontuais, mas essenciais, em duas superproduções. Primeiro, Sin City – A Cidade do Pecado, de Robert Rodriguez e Frank Miller (adaptando sua própria história ao cinema), no qual viveu o pedófilo Cardeal Roark numa das histórias do longa. Depois, veio Batman Begins, de Christopher Nolan, no qual interpretou o empresário calculista Earle, a quem a família Wayne deixou o comando dos negócios, até seu filho Bruce (Christian Bale) retornar à cidade.

Entre os últimos trabalhos lançados de Hauer estão a ficção espacial Valerian e a Cidade dos Mil Planetas (2017), de Luc Besson, e o faroeste Os Irmãos Sisters (2018), com Joaquin Phoenix, John C. Reilly e Jake Gyllenhaal, ainda inédito no Brasil.

Rutger Hauer ainda possui ao menos 5 projetos em fase de pós-produção a serem lançados em breve de forma póstuma, entre eles, uma participação na minissérie A Christmas Carol, baseado na obra clássica de Charles Dickens, na qual interpreta o fantasma do Natal Futuro; e a produção russa Viy 2, na qual participa ao lado de figuras icônicas como Arnold Schwarzenegger e Jackie Chan.

Fica registrada aqui nossa homenagem a este grande intérprete e astro internacional.



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