As Duplas Mais Inusitadas dos Anos 80 no Cinema

As Duplas Mais Inusitadas dos Anos 80 no Cinema



Os anos 1980 estão de volta! Os anos 1980 são agora! A cultura desta época fanfarrona nunca esteve tão em voga (bem, sem contar na própria década em si). Franquias e propriedades nascidas no período são revitalizadas a todo momento, seja no mundo do cinema, desenhos e música. Atualmente, um dos grandes responsáveis por dar novo gás aos 80´s para esta geração é fruto de um canal de streaming. Stranger Things, da Netflix, surfou na popularidade da época para se tornar um fenômeno.

No programa, os realizadores já perceberam que um dos grandes atrativos é a união de duplas ou grupos inusitados de personagens. Assim, desde a segunda temporada, o banguela Dustin (Gaten Matarazzo) tem passado muito mais tempo com Steve (galã fútil reabilitado) – vivido por Joe Keery –  do que com seus companheiros. Na nova temporada, o roteiro ainda tratou de incluir a decidida Robin (Maya Hawke) e a “pentelha” Erica (Priah Ferguson) na mistura. Max (Sadie Sink) e Eleven (Millie Bobby Brown) esqueceram a rivalidade da temporada passada e criaram um forte laço girl power, e até o durão Hooper (David Harbour) precisou passar tempo considerável com o “inimigo”, o cientista russo Alexei “Smirnoff” (Alec Utgoff).

Pensando nisso, o CinePOP resolveu relembrar algumas das uniões mais inusitadas que ocorreram durante os anos 1980 no cinema. Vem com a gente conhecer.

Sylvester Stallone & Pelé

Começamos a lista com uma dupla cujo elo único é o esporte. Esse inusitado encontro ocorreu no drama de guerra Fuga para a Vitória (1981), no qual ambos são prisioneiros – ao lado de Michael Caine – e montam um time de futebol para enfrentar a Alemanha nazista (por favor, queremos este remake). Na época, Stallone ainda não era conhecido como o herói de ação que viria a se tornar (fato cimentado após o lançamento de Rambo 2 – A Missão, de 1985), mas já era famoso pelo papel do pugilista Rocky Balboa.

O ator, inclusive, já havia interpretado o papel do lutador duas vezes a esta altura – no segundo filme, dirigido pelo próprio. Pelé, considerado o maior jogador de futebol de todos os tempos, também ensaiou uma carreira como ator de cinema, lançando filmes nas décadas de 1970 e 1980 (incluindo Os Trapalhões e o Rei do Futebol – sucesso nacional de 1986).

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Superman & Richard Pryor

Bem, devemos dizer Christopher Reeve e Richard Pryor. Mas a verdade é que o ator ficou imortalizado pelo papel e parece se transformar numa entidade própria ao protagonizar a franquia. Aqui, em Superman III (1983), infelizmente, foi onde esta série de filmes começou a apresentar desgaste, culminando no desastroso Superman IV (1987) – considerado um dos piores blockbusteres de todos os tempos.

Não deixa de ser pra lá de estranho ver um filme do maior super-herói de todos os tempos voltado para a comédia. E praticamente protagonizado por Pryor, um dos maiores nomes do humor na época, que tem tanto tempo de tela (ou até mais) do que o próprio Superman. A decisão curiosa começou a tomar forma quando Pryor foi a um talk show e começou a se derreter em elogios aos filmes do Superman. Não deu outra, um tempo depois, os executivos da Warner motivados pela paixão do humorista resolveram colocá-lo para estrelar o terceiro filme do Homem de Aço. Fato parecido ocorreria no terceiro filme do Batman no cinema, quando Jim Carrey pôde usar e abusar do seu repertório exagerado como o Charada no filme de 1995.

Michael J. Fox & Joan Jett

Os anos 1980 foram salpicados por diversas participações de artistas da música arriscando sua vez nas telonas. Prince, Madonna, Michael Jackson, David Bowie, Cher, Tina Turner, entre outros, tentaram a sorte, com variados níveis de sucesso. A roqueira Joan Jett já recebeu sua própria biografia com The Runnaways – As Garotas do Rock (2010), interpretada por Kristen Stewart. Mas em 1987, a morena cheia de atitude protagonizou seu único filme com Luz da Fama.

E não para por aí, Jett protagonizou lado a lado com Michael J. Fox, então saído do sucesso De Volta para o Futuro (1985), no qual coincidentemente interpretava um jovem guitarrista de uma banda. No filme, a dupla é dirigida por ninguém menos que Paul Schrader (roteirista de Taxi Driver), que também escreveu o longa. Jett e Fox interpretam irmãos com sonho de sucesso com a música, precisando escolher entre a fama e a família.

Madonna & Sean Penn

Bem, se a ideia de ter a Material Girl e o notório bad boy juntos num filme soa estranho, que tal se eu te contar que eles foram casados na vida real por quatro anos (de 1985 a 1989). E não apenas isso, durante o período ficaram conhecidos como um dos casais mais problemáticos de Hollywood, protagonizando brigas homéricas – e sempre se metendo em encrenca com os paparazzi. Foi na época também que resolveram fazer um filme juntos, e o resultado foi Surpresa em Shanghai (1986), aventura de época passada na década de 1930, na qual Madonna contrata o personagem de Penn para encontrar uma mercadoria. O filme se mostrou reflexo de sua relação: uma bagunça. Nem precisa dizer que se tornou fracasso de crítica e público, e hoje ressurgiu como obra cult, devido ao misticismo em torno dos bastidores.

Isabelle Huppert & Steve Guttenberg

Muitos talvez não estejam associando o nome à pessoa. Bem, Steve Guttenberg ficou famoso pelos filmes canastrões da franquia Loucademia de Polícia, na qual nos quatro primeiros filmes (1984, 1985, 1986 e 1987) interpretou o protagonista Mahoney. Tudo bem que o sujeito tentou arriscar em alguns papeis mais sérios, e até mesmo em comédias menos pastelão, mas não deixa de ser inusitado vê-lo dividindo a tela com a francesa Isabelle Huppert, hoje considerada uma grande dama do cinema.

Huppert, musa francesa adorada pelos cinéfilos, também já teve seus dias de chuva. Ela esteve, por exemplo, em Portal do Paraíso (1980), superprodução considerada um dos maiores flops da história de Hollywood, o épico foi o responsável por falir a MGM na época. O encontro de Huppert e Guttenberg ocorreu não numa comédia, mas num suspense digno de Hitchcock: Uma Janela Suspeita (1987). Ao contrário da maioria dos filmes desta lista, este resulta numa produção eficiente, embora não muito conhecida do grande público.

Meryl Streep & Roseanne Barr

A comediante Roseanne Barr atualmente se tornou uma figura maldita, graças a seu racismo inerente, exaltado numa época delicada e de muita representatividade. A humorista fez carreira com seu estilo desbocado e politicamente incorreto, justamente por isso ficou deslocada nos tempos atuais. No fim da década de 1980, ela era a maior estrela da televisão americana graças ao programa que protagonizava e que levava seu nome: Roseanne. O programa inclusive ganhou um revival, mas foi prontamente cancelado após as infelizes declarações da atriz nas redes sociais.

Na época, aproveitando a popularidade da humorista, nada melhor do que tratar de colocá-la no cinema também. Mas seu par em tê-la para a empreitada foi o que chamou atenção em Ela é o Diabo (1989). Para o papel da “outra”, a mulher por quem o marido de Roseanne a deixa no filme, foi escalada ninguém menos do que a toda poderosa Meryl Streep. A monstra já provou saber se divertir por diversas vezes em comédias, mas Ela é o Diabo foi seu debute no gênero. Streep, na época, já tinha duas estatuetas do Oscar (por Kramer vs. Kramer e A Escolha de Sofia) e outras seis indicações. Ou seja, foi muito inusitado vê-la em uma comédia escrachada ao lado de Roseanne.

Stallone & Dolly Parton

Se acharam a união de Sylvester Stallone e Pelé em Fuga para a Vitória (1981) estranha, ainda não tinham visto nada. Inusitado mesmo foi ver o musculoso astro da ação adentrando o mundo da música country ao lado da icônica Dolly Parton em Rhinestone – Um Brilho na Noite (1984).

Fuga para a Vitória ao menos se tratava de um filme de drama e aventura, gênero com o qual o grandalhão Stallone estava mais acostumado. Rhinestone foi a primeira investida do astro na comédia após o sucesso – nesta época Sly já havia feito três filmes de Rocky e um de Rambo. Dá uma olhada nesta trama: Parton vive uma cantora country que faz uma aposta de transformar um sujeito qualquer num cantor. Eis que cai em seu colo, o troglodita Stallone, que vive um taxista. Stallone cantando?! E você está perdendo esta…

Sting & Jennifer Beals

No panteão dos cantores arriscando como atores na década de 1980, temos também o famoso ex-líder da banda The Police, Sting. O cantor ativista já havia marcado presença no clássico Duna (1984), de David Lynch, na pele de Feyd Rautha – que ganhará reimaginação pelas mãos de Denis Villeneuve. No ano seguinte, Sting resolveu se enveredar em uma obra igualmente ambiciosa, uma releitura do clássico A Noiva de Frankenstein (1935).

Antes de Angelina Jolie ser cogitada para o papel no agora cancelado (até segundo plano) Dark Universe, outra atriz já havia vivido a personagem morta-viva no cinema depois da icônica Elsa Lanchester. Trata-se de Jennifer Beals, musa 80´s recém saída do sucesso de Flashdance (1983). No filme A Prometida (The Bride, 1985), Sting vive o Doutor Frankenstein, criando e se apaixonando por Eva (Beals), uma mulher trazida de volta à vida.

Dennis Hopper & Leatherface

O primeiro Massacre da Serra Elétrica (1974) chocou o mundo com seu realismo cru e se tornou um sucesso cult. Baseado em eventos levemente verídicos, o terror não pedia uma continuação. Mas doze anos depois, o próprio Tobe Hooper, diretor do original, resolveria revisitar o universo da família canibal, num filme de tonalidade totalmente diferente. Afinal, qual a graça de se repetir?

Assim, Hooper mudou o conceito da abordagem em O Massacre da Serra Elétrica 2 (1986), transformando o longa em uma paródia de filmes do gênero. Insano e nonsense, a continuação soa muito como Twin Peaks encontra filmes de terror slasher, colocando no meio desta receita de bolo os psicopatas do original – todos devidamente repaginados. Leatherface, o maníaco que usa máscara feita de pele humana, não podia faltar. E além de uma nova musa, nas formas da estonteante Caroline Williams, Hooper tratou de escalar um ator doido o suficiente para topar a empreitada. Dennis Hopper não só topou, como mergulhou de cabeça. E pôde empunhar ele mesmo uma grande serra elétrica. Algo me diz que todos tinham que se preocupar mais com ele do que com Leatherface

Schwarzenegger & Danny DeVito

E se Sly tentava sem sucesso aderir à sua primeira comédia, deixando um pouco de lado sua estigma de brutamontes, seu maior rival das telas mostrava êxito na mesma empreitada. Enquanto Rhinestone viveu para ser um fracasso, Irmãos Gêmeos (1988), primeira investida do astro da ação Arnold Schwarzenegger num gênero voltado toda a família, se tornava sucesso de crítica e público.

A proposta desta comédia dirigida por Ivan Reitman (Os Caça-Fantasmas) era tirar graça ao ter os irmãos gêmeos mais diferentes possíveis. Assim, quem seria o inverso completo do grandalhão aloirado? O baixinho, gordinho e careca Danny DeVito nunca foi o estereotipo de galã, mas sempre fez sucesso no cinema com seu tipo cafajeste de fala mansa. Assim, estava criada a dupla de irmãos mais incomum do cinema. Por décadas uma sequência vem sendo prometida.



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