Tendo suas raízes nos anos 1940 e 1950, o rock como o conhecemos hoje é nada mais que uma incrível evolução musical que o mantém vivo das mais diversas maneiras – sendo redescoberto, revisitado, desconstruído e reerguido em diversos suis generis. Ao lado do pop, o gênero em questão é um dos mais mutáveis e flexíveis da indústria fonográfica e, a cada ano, abre as portas para artistas dispostos a fornecer sua própria perspectiva.
Pensando nisso, preparamos uma breve lista elencando as melhores músicas de rock da década (até agora).
Veja abaixo as nossas escolhas:
“DEATH BY ROCK AND ROLL”, The Pretty Reckless (2020)
Já fazia um tempo desde que The Pretty Reckless lançava músicas originais, mas nos presenteou no começo de 2020 com a divulgação de “Death By Rock and Roll”. O lead single do vindouro álbum homônimo (com estreia agendada para 2021) é uma ode ao hard rock e mistura sensualidade e acidez – além de ser guiado pelos potentes vocais de Taylor Momsen.
“ABLAZE”, Alanis Morissette (2020)
“Ablaze” é uma das canções mais emocionantes do ano e, infelizmente, não ganhou a atenção que merecia. Performada pela voz inconfundível de Alanis Morissette, a balada soft-rock brinca com os conceitos de empatia, memória e maternidade, mostrando que essa lenda da música ainda tem muito a nos contar.
“WITCHES BURN”, The Pretty Reckless (2021)
A tríptica viagem oitentista de “Witches Burn”, um dos ápices do álbum ‘Death By Rock and Roll’, se guia pelos vocais de Taylor Momsen e pela restrição da guitarra e do baixo ao atmosférico segundo plano. Na trama, a cantora vive uma mulher sem escrúpulos e que não será diminuída pelas outras pessoas e que tem um poder destrutivo cataclísmico – refletido por um abrangente e bem estruturado alcance vocal.
“DESTROYER”, Of Monsters and Men (2021)
Em “Destroyer”, canção lançada sem muito apoio promocional e acompanhada apenas de um bem articulado lyric video, os vocalistas Nanna Bryndís Hilmarsdóttir e Ragnar Þórhallsson, da banda Of Monsters and Men, calcam uma jornada bastante simbólica, recheada de elementos que ressoam a produção anteriores, mas que se jogam de cabeça no chamber rock e na progressão explosiva de uma narrativa sobre não ter medo de enfrentar seus medos, por mais que caiamos várias vezes.
“HOLD MY HAND”, Lady Gaga (2022)
Lady Gaga foi escalada para escrever a música-tema do elogiado ‘Top Gun: Maverick’ e, sem muitas surpresas, a faixa emerge como uma das mais belíssimas entradas de sua gloriosa carreira. Seguindo os passos de “Take My Breath Away”, que comandou o filme original de 1986, a track se volta à estética oitentista e, ao mesmo tempo, se mantém fiel à identidade única da performer, erguendo-se em formosura envolvente e apaixonante, misturando elementos do arena-rock e do power-rock em um mergulho ao passado que reafirma o lugar atemporal da artista no cenário fonográfico.
“BALLAD OF A HOMESCHOOLED GIRL”, Olivia Rodrigo (2023)
Ainda que se afaste da imagética arquitetada em ‘SOUR’, Rodrigo pega os melhores aspectos de seu début e as transforma em força-motriz de sua nova obra. Em “ballad of a homeschooled girl”, o fraseamento irrompe como característica marcante, com cada um dos versos pronunciado de formas infinitas que dialogam com as angústias jovens-adultas. Mas, como a cereja do bolo, ela mergulha num anacronismo encantador que bebe do post-grunge, do rock e do pop-punk.
“RUNNING OUT OF TIME”, Paramore (2023)
Em “Running Out of Time”, a banda Paramore traz o math rock de volta e se alia a um experimentalismo conceitual que parte desde o fraseamento vocal ao vibrante emplastro sonoro que não segue quaisquer regras – e que critica a efemeridade do tempo, cujo conceito foi, de fato, inventado por um capitalismo predatório que nos mantém reféns do relógio e da produtividade exacerbada. Aqui, a vocalista Hayley Williams inclusive aproveita para quebrar a quarta parede em uma reflexão metalinguística, convidando o ouvinte agente ativo da própria experiência fonográfica.
“BROKEN MAN”, St. Vincent (2024)
Três anos depois de sua última incursão no cenário fonográfico, St. Vincent voltou com força total com o lançamento de ‘All Born Screaming’, um dos melhores álbuns do ano e uma das melhores entradas de sua fabulosa e encantadora carreira. Dentro desse exuberante compilado de originais, a cantora e compositora deu início à era com o potente art-rock e rock industrial de “Broken Man”: aqui, as impactantes e dissonantes notas da guitarra são acompanhadas de versos angustiantes que preza por uma roupagem punk e pós-industrial de tirar o fôlego.
“DIE WITH A SMILE”, Lady Gaga & Bruno Mars (2024)
“Die With a Smile”, parceria entre ninguém menos que Bruno Mars e Lady Gaga, foi a cereja do bolo que todos precisávamos para um ano que vem se provando um dos mais fabulosos para o cenário fonográfico. Seja com as potentes e apaixonantes rendições dos performers, seja com um comprometimento aplaudível para com a cristalina produção (pela qual os dois também ficam responsáveis), cada uma das engrenagens se encaixa com perfeição e nos engolfa em uma escapista epopeia romântica por pouco mais de quatro minutos que passam em um piscar de olhos.
