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Baz Luhrmann revela por que decidiu contar a história de ‘Elvis’ pela perspectiva do Coronel Tom Parker [COLETIVA]


Elvis Presley é considerado, até hoje, como um dos maiores ícones da indústria fonográfica e do entretenimento. Alcunhado como O Rei do Rock, Elvis é conhecido por múltiplas gerações e, ainda que não seja o artista favorito dos ouvintes mais novos, com certeza todos já ouviram algumas de suas canções mais famosas – como “Jailhouse Rock”“Love Me Tender”“Can’t Help Falling in Love”. E, agora, o icônico musicista ganhará uma aguardada cinebiografia comandada por Baz Luhrmann.

Na longa-metragem, Austin Butler interpreta o personagem titular e faz um trabalho magnífico ao absorver todos os trejeitos de Presley, passando por um longo processo laboral e tornando-se rapidamente um dos favoritos para a próxima temporada de premiações – podendo conseguir uma cobiçada estatueta do Oscar de Melhor Ator.



Afastando-se dos convencionalismos de cinebiografias, Luhrmann constrói uma frenética e colorida jornada que explora a ascensão e a queda de Elvis. A trama parte de uma perspectiva do Coronel Tom Parker (interpretado por ninguém menos que Tom Hanks), empresário musical que “descobriu” o cantor e o ajudou a trilha uma meteórica fama que culminaria em sua trágica e precoce morte. E, apesar dos deslizes, o longa-metragem configura-se como uma carta de amor para um dos maiores símbolos musicais do planeta e que estende seu legado até os dias de hoje.

Recentemente, o CinePOP participou de uma coletiva de imprensa com os nomes por trás do projeto – e o nosso Thiago Nolla traz para vocês as principais revelações e algumas curiosidades de bastidores contados pela equipe.

Na coletiva, Luhrmann abriu a sessão de perguntas e respostas ao ser questionado sobre o motivo que o levou a abraçar uma produção tão ambiciosa quanto esta e de que maneira a transformaria em algo seu. Afinal, o cineasta, considerado um dos principais autores do cenário contemporâneo, calcou seu nome com obras instantaneamente reconhecíveis como o musical ‘Moulin Rouge’ e a adaptação ‘O Grande Gatsby’.

“Acho que é mais que apenas uma história sobre a vida de Elvis”, ele contou. “Mas ele tem uma vida tão incrível para ser explorada, os Estados Unidos nos anos 1950, 1960 e 1970. E, para além do relacionamento entre Elvis e o Coronel Tom Parker, [o filme] é sobre show e negócios, sobre gerenciamento e controle e exploração – e também sobre criatividade na solidão e na verdade. Acho que tudo isso está ocorrendo no mundo agora, e pareceu uma forma incrível de pegar uma ótima vida, ótimas músicas e explorar ideias ótimas”.

Em se tratando de uma dramatização cinebiográfica, é sempre um trabalho complicado selecionar os acontecimentos que entrarão para o filme, ainda mais pelo fato de ser impossível condensar tudo em algumas horas (ou, neste caso, em quase três horas de duração). Dessa forma, Luhrmann teve de selecionar com minúcia e cautela o que faria parte do corte final.

“Bom, há coisas sem as quais você não consegue contar a história, [como] não retratar os Estados Unidos nos anos 1950, 1960 e 1970 e não poder falar sobre alguém que é da música sem lidar com os artistas e a música afroamericanas”, o cineasta conta. “Essa jornada em que Elvis mergulhou e os artistas com que ele tinha um relacionamento – esses personagens eram os Estados Unidos. E onde estamos agora? Nós evoluímos, nós crescemos mais? E, no caminho, temos essa experiência íntima de um cara chamado Elvis e um cara chamado Tom Parker. Essa é a verdade. Espero que as pessoas [vejam o filme] e pensem: ‘legal, estávamos lá, mas onde estamos agora? Estamos regredindo?’”.

Como já mencionado nesta breve matéria, ‘Elvis’ parte de uma perspectiva diferenciada dos projetos do gênero, optando guiar a narrativa principal pelos olhos de Tom Parker. Luhrmann também foi questionado sobre o que o levou a fazer essa escolha para o filme.

“Nós poderíamos simplesmente contar: Elvis nasce, ele faz isso, ele tem uma história extraordinária. Mas quando temos que lidar com a venda e a alma do personagem que a maioria das pessoas encara como o vilão. E, nessa história, ele debate e argumenta: ‘eu não sou o vilão’. Dá a nós uma tensão incrivelmente dramática e nos permite ir a lugares e revelar coisas que não poderíamos revelar de outra forma. Creio que nos ajuda a explorar uma ideia maior: como Elvis veio de raízes bastante humildes, da pobreza e enfrentando a perda da mãe, e voou tão alto e então, como Ícaro, tragicamente despencou. Por que isso aconteceu? E ele fala: ‘ah, vocês acham que fui eu, o magnata malvado, quem fez isso?’. Mas o que ele diz no filme é: ‘tudo o que eu fiz foi o meu trabalho’”.

O cineasta continua, revelando um dos vários eventos que não foi incluído no longa-metragem e que reitera a complexidade de Tom Parker.

“Há uma história, que não está no filme, em que, quando Elvis morre e o Coronel fica sabendo, ele pega o telefone e diz: ‘faça mais discos’. E nós pensamos: ‘nossa, que homem sem coração’. Mas o Coronel diria: ‘você queria os discos, não queria? Eu só estava fazendo o meu trabalho. Sempre que um ícone morre, nós corremos para ouvir sua música. Então, eu o estava mantendo vivo para vocês’. E, quando lembramos que ele estava ganhando dinheiro com isso, percebemos que é um relacionamento complicado, um relacionamento entre coração e mercado. É uma das histórias mais memoráveis dos Estados Unidos”.

Lembrando que ‘Elvis’ chega aos cinemas brasileiros no dia 14 de julho.

Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.
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