Berlinale 2026 – Dias 5 e 6 – Amy Adams decepciona, Ethan Hawke brilha e Juliette Binoche emociona

Desde 12 até o dia 22 de fevereiro, a 76ª edição da Berlinale apresenta 22 filmes em competição pelo Urso de Ouro e quase 200 títulos em sua programação total. Já na segunda metade do evento, nos dias 5 e 6 da cobertura, a competição se mostra mais fraca em comparação aos últimos cinco anos, com nenhuma obra impressionante e muitas medianas ou ruins.

Em 16 de fevereiro, o tapete vermelho do Berlinale Palast recebeu o drama At the Sea, dirigido pelo húngaro Kornél Mundruczó e estrelado por Amy Adams. Este era um dos mais aguardados da competição. Apesar do nome de peso, o filme acabou se tornando um dos mais rejeitados do festival até agora e Amy Adams coleciona mais um papel ruim e atuação desconfortável em sua carreira. A prometida carga emocional não se sustenta ao longo da narrativa, resultando em uma obra irregular e distante.

Ethan Hawke na Berlinale 2026Etha,

Em contraste, The Weight, do diretor irlandês Padraic McKinley, trouxe um cinema mais clássico e estruturado. Protagonizado por Ethan Hawke, o longa aposta na jornada do herói tradicional, com uma construção dramática sólida e uma atuação segura de Hawke. O filme, entretanto, está apenas em Especial Gala. Esta é a primeira vez de Ethan em Berlim sem o seu amigo e parceiro de longos anos, Richard Linklater. Ambos estiveram na mostra competitiva no ano passado com Blue Moon, indicado a dois Oscars neste ano.

Entre os títulos europeus, My Wife Cries, da alemã Angela Schanelec, mantém o minimalismo radical e uma abordagem austera. A linguagem é difícil de digerir por adotar uma abordagem experimental que a torna excessivamente maçante. Já Nina Roza, da canadense Geneviève Dulude-De Celles, oferece um olhar delicado sobre identidade e pertencimento, enquanto o australiano Wolfram, de Warwick Thornton, leva o público ao deserto para refletir sobre colonização e preconceito contra comunidades aborígenes.

Ali Ahn e Anna Sargent em Take Me Home

O filme, no entanto, é maniqueísta e apresenta montagem e roteiro confusos, além de atores medianos. Ainda assim, o título chega ao festival por transmitir uma reflexão política sobre colonização e genocídio de povos nativos.

No campo mais íntimo, Queen at Sea, estrelado por Juliette Binoche, emociona ao abordar o envelhecimento e a demência, além dos conflitos familiares e a reflexão sobre cuidadores. 

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Tema que também aparece em Take Me Home, da diretora coreano-americana Liz Sargent, exibido na mostra Perspectives. Protagonizado por Anna Sargent, irmã da diretora e que está dentro do espectro autista, este é um dos filmes mais delicados do festival até agora, ao tratar o autismo com humanidade e respeito.

Com poucos dias restantes até o encerramento em 22 de fevereiro, a Berlinale 2026 aponta alguns favoritos a prêmios, como Rose — apresenta no primeiro resumo — e Queen at Sea. A cobertura completa da reta final continua aqui no CinePOP

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Letícia Alassë
Letícia Alassë
Crítica de Cinema desde 2012, jornalista e pesquisadora sobre comunicação, cultura e psicanálise. Mestre em Cultura e Comunicação pela Universidade Paris VIII, na França e membro da Abraccine, Fipresci e votante internacional do Globo de Ouro. Nascida no Rio de Janeiro, mas desde 2019, residente em Paris, é apaixonada por explorar o mundo tanto geograficamente quanto diante da tela.