Robert Wilson, aclamado diretor de teatro, dramaturgo e artista visual, morreu nesta quinta-feira (31) em sua casa em Water Mill, Nova York. Ele tinha 83 anos.
Sua morte foi confirmada por Chris Green, executor testamentário de seu espólio e presidente da Fundação de Artes Robert Wilson. Ele não especificou a causa, afirmando apenas que o Sr. Wilson faleceu após uma breve e aguda enfermidade.
“Robert Wilson faleceu em paz hoje em Water Mill, Nova York, aos 83 anos, após uma doença breve, mas aguda”, afirmou um comunicado divulgado em seu site. “Enquanto enfrentava o diagnóstico com clareza e determinação, ele ainda se sentia impelido a continuar trabalhando e criando até o fim.”
Bob Wilson, como ficou conhecido no cenário artístico, quebrou as normas teatrais com encenações impressionantes de suas próprias obras imaginativas, e realizou colaborações inovadoras com uma lista diversificada de artistas, de Philip Glass a Lady Gaga.
No início da carreira, Wilson estabeleceu um método de trabalho no qual as novas peças começavam não com linhas de texto, mas com imagens visuais ricamente detalhadas, que ele desenhava ou descrevia em um livro-razão de bolso.
Conhecido por uma variedade de trabalhos aclamados, respeitados e emulados ao longo das décadas, Wilson encontrou em meio aos franceses um “lar”, como declarou em uma entrevista de 2021.
Na Cidade-Luz, ele havia dirigido o espetáculo inaugural da Ópera da Bastilha em 1989, mas foi em 1976 que Wilson foi impulsionado para o cenário internacional com ‘Einstein on the Beach’, uma ópera de quase cinco horas encenada diversas vezes desde sua criação, com música de Philip Glass.
A produção quebrou todas as convenções da ópera clássica — não há uma narrativa linear, mas sim temas relacionados à vida de Einstein. O objetivo não é explicar a teoria da relatividade, mas transmitir a revolução introduzida pela noção de “espaço-tempo”, notadamente por meio da dança.
Wilson também se apresentou na cidade de São Paulo em 1974, no Teatro Municipal, com uma remontagem da peça ‘The Life and Times of Joseph Stalin’ que recebeu o nome de ‘The Life and Times of Dave Clark’, em virtude da censura promovida pelo Regime Militar no Brasil.
