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Cannes 2025 | As 7 diretoras que disputam a Palma de Ouro – e duas estreias que prometem marcar o festival


Em um cenário historicamente dominado por diretores homens, Cannes segue — ainda que lentamente — abrindo espaço para novas vozes femininas. Pelo segundo ano, o festival atinge um marco simbólico: 7 das 22 obras selecionadas para a Palma de Ouro são assinadas por mulheres. Embora ainda representem apenas 32% da competição oficial, esses números consolidam um movimento crescente de diversidade que tem ganhado corpo desde a vitória de Jane Campion (1993), até o impacto de Julia Ducournau (2021) e Justine Triet (2023).

Entre veteranas e novas apostas, as cineastas de 2025 trazem obras que exploram identidade, corpo, memória e tradição — refletindo a pluralidade do olhar feminino no cinema contemporâneo. E, como reforço desse momento, duas figuras conhecidas do cinema — Scarlett Johansson e Kristen Stewart — estreiam na mostra Un Certain Regard, prometendo unir sensibilidade artística e poder narrativo, agora atrás das câmeras.

Julia DucournauAlpha



Quatro anos depois de conquistar a Palma de Ouro com Titane (2021), a cineasta francesa retorna à competição com um thriller existencial e a promessa de body horror, assim como em suas duas obras precedentes.

Com a trama mantida completamente em segredo, tudo que se sabe é que a narrativa acompanha a menina Alpha, de 13 anos. Ela é uma adolescente inquieta que vive sozinha com sua mãe. Seu mundo desmorona quando, um dia, ela volta da escola para casa com uma tatuagem em seu braço.

Mascha SchilinskiSound of Falling

 

Pela primeira vez em Cannes, a diretora alemã apresenta seu segundo filme já em competição pela Palma de Ouro. Seu primeiro longa Dark Blue Girl foi lançado no Festival de Berlim em 2017, mas nunca chegou ao Brasil. Com mais visibilidade no evento, sua estética contemplativa e de reconexão com a natureza deve ressoar aos distribuidores e pode chegar ao país.

Em Sound of Falling, Schilinski narra a trajetória de quatro jovens em quatro épocas diferentes. Alma, Erika, Angelika e Lenka passam sua adolescência na mesma fazenda no norte da Alemanha. À medida que a casa se transforma ao longo do século, ecos do passado reverberam em suas paredes. Apesar dos anos que as separam, suas vidas parecem responder umas às outras.

Hafsia HerziLa Petite Dernière

Atriz e, mais recentemente, diretora franco-tunisiana, Hafsia Herzi estreou no cinema em O Segredo do Grão (2007), de Abdellatif Kechiche, pelo qual ganhou um César e um troféu de Atriz Revelação no Festival de Veneza. De lá para cá, ela atuou em mais de 50 projetos e acaba de ganhar o César, em março deste ano, por sua performance como uma ambígua policial em Borgo, de Stéphane Demoustier.

Sua estreia atrás das câmeras ocorreu com Você Merece Um Amor (2019), apresentado na Semana da Crítica de Cannes, e, dois anos depois, sua segunda obra, A Boa Mãe (2021), esteve na mostra Un Certain Regard. Agora, retorna a Cannes com um drama intimista sobre maternidade e imigração no sul da França. Fátima, 17 anos, vai para Paris estudar filosofia e começa a questionar sua própria identidade, buscando se emancipar de sua família e de suas tradições.

Lynne RamsayMorra, Amor

A diretora escocesa é conhecida pelas intensas obras Precisamos Falar Sobre o Kevin (2011) e Você Nunca Esteve Realmente Aqui (2017), este último ganhador do prêmio de Melhor Roteiro em Cannes. Sua carreira é marcada por personagens femininas complexas e dramas psicológicos.

Em Morra, Amor, adaptação do romance da escritora argentina Ariana Harwicz, Ramsay apresenta uma protagonista instável à beira da loucura, vivida por Jennifer Lawrence, enquanto tenta cumprir os papeis sociais de esposa e mãe.

Kelly ReichardtThe Mastermind

Esta é a terceira vez de Kelly Reichardt na Croisette. Sua primeira participação foi com Wendy e Lucy, na mostra Un Certain Regard, e a segunda já em competição oficial com Esculturas da Vida (2022). Seu filme de estreia, Antiga Alegria (2006), e First Cow – A Primeira Vaca da América (2021) estão entre os títulos mais aclamados por crítica e público. Reichardt tornou-se conhecida por seu estilo minimalista e naturalista.

Seu novo trabalho The Mastermind segue um ladrão amador de arte nos anos 70, vivido por Josh O’Connor, e sua relação conflituosa com o mundo acadêmico. A obra explora os meandros entre memória, obsessão e identidade.

Carla SimónRomería

Vencedora do Urso de Ouro em Berlim com Alcarràs (2022), seu primeiro longa-metragem, a diretora espanhola é conhecida pelo retrato delicado da vida rural e das relações familiares. 

Em seu novo projeto Romería, Carla Simón traz a história de Marina, uma jovem que volta à Galícia em busca de suas origens, confrontando tradições e segredos familiares. Guiada pelo diário de sua mãe, ela viaja para a costa atlântica e encontra toda uma parte da família de seu pai que ela não conhecia. 

Chie HayakawaRenoir

Aos 48 anos, a cineasta japonesa ganhou projeção internacional com seu primeiro longa, Plan 75, indicado ao Oscar pelo Japão e participante da seção Un Certain Regard do Festival de Cannes 2022.

Em seu segundo longa, Renoir, Chie Hayakawa investiga a sensibilidade infantil de uma menina em meio ao luto e à solidão, em um verão nostálgico e misterioso nos anos 80. Aos 11 anos, Fuki vive com um pai sobrecarregado e uma mãe ausente. Este é o retrato de uma jovem com uma sensibilidade incomum, que busca fazer contato com os vivos, os mortos e, talvez, consigo mesma.

Estreantes de peso na Un Certain Regard

Scarlett JohanssonEleanor the Great

Uma das atrizes mais reconhecidas de sua geração, Scarlett Johansson estreia na direção com sensibilidade e carisma. Conhecida por seu trabalho em filmes como Encontros e Desencontros, História de um Casamento e pelo papel icônico de Viúva Negra, ela agora assume o controle criativo completo com uma comédia dramática tocante.

Em Eleanor the Great, June Squibb dá vida a Eleanor, uma viúva de 94 anos que, em meio ao luto, inventa uma pequena mentira que cresce fora de controle. Johansson explora temas como envelhecimento, identidade e reinvenção com leveza, humor e um olhar carinhoso para a terceira idade.

Kristen StewartA Cronologia da Água

Kristen Stewart faz sua estreia com a adaptação do memoir ‘The Chronology of Water’.

Após uma carreira de destaque como atriz — com papeis marcantes em Spencer, Acima das Nuvens e CrepúsculoKristen Stewart estreia na direção com um projeto ousado e profundamente pessoal. A cineasta adapta a autobiografia de Lídia Yuknavitch, em uma narrativa que flui como poesia e dor.

A Cronologia da Água acompanha Lídia, uma jovem marcada por traumas familiares e abusos, que encontra na literatura um caminho de salvação. Em uma abordagem lírica e visceral, Stewart explora a sexualidade, a violência e o poder transformador da arte com coragem.

Já conhecia todas essas cineastas presentes em Cannes 2025? A partir do dia 13 até o dia 24 de maio, fique de olho na cobertura especial do Festival de Cannes no site e mídias sociais do CinePOP.

Letícia Alassë
Crítica de Cinema desde 2012, jornalista e pesquisadora sobre comunicação, cultura e psicanálise. Mestre em Cultura e Comunicação pela Universidade Paris VIII, na França e membro da Abraccine, Fipresci e votante internacional do Globo de Ouro. Nascida no Rio de Janeiro, mas desde 2019, residente em Paris, é apaixonada por explorar o mundo tanto geograficamente quanto diante da tela.
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